IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PARA DIVERSÃO DE SÁBADO

     

    Numa local sobre procriação medicamente assitida, encontrei este mimo, da autoria de uma doutora especialista na matéria. Só para que conste:

    Se os centros públicos (de assistência às mulheres) tiverem maior capacidade de resposta, os tempos de espera diminuem.

    La Palice, da tumba, aplaudiu.

     

    4.3.23

  • GREVES AO QUADRADO

    Estamos banhados em greves. Dos professores (ainda hoje o tipo da CGTP aconselhava os pais a não mandar os filhos à escola!), dos tipos da CP, da TAP, médicos, enfermeiros, etc. etc., todos funcionários públicos ou pagos pelo Estado, todos empregados de coisas que funcionam mal ou não funcionam.

    Tendo em conta que toda esta gente tem o mesmo patrão, perguntar-se-á o que têm os portugueses em geral a ver com isto. Que têm a ver com escolas fechadas, com hospitais incapazes, com aviões na pista, com falta de comboios, etc.?

    Haverá para aí um milhão de assalariados Públicos. E os outros nove milhões que, mal ou bem, pagam os salários desta malta toda? Não contam? São uma espécie de carne para canhão, alunos sem escola, trabalhadores que não podem ir para o trabalho, doentes anos à espera, e por aí fora, um nunca acabar de desgraçados?

    (Não se ponham a chamar fascista ao IRRITADO, até porque essa parvoíce já está gasta. Tudo o que não for do PS (com honrosas excepções) ou de mais à esquerda, com certificado de bom comportamento passado pela Mortágua, é fascista. Já ninguém com um mínimo de juízo come disso. Arranjem outra.)

    O IRRITADO não é contra a existência do direito à greve, nem contra o seu legítimo exercício. Mas o que é demais passa da conta. Passa da conta a “nobre luta” dos professores ou das dezenas de sindicatos da CP…, e passa da conta a gigantesca incompetência de quem diz governar-nos.

    Estão bem uns para os outros. Já que não se deve acabar com os sindicatos. acabe-se com o governo, xiça!

     

    4.3.23

  • FANTÁSTICO!

    Com a sua carinha fofa, Sua Excelência das Finanças veio, glorioso, explicar que o défice público teve uma descida formidável (uns 12%). Se nos lembrarmos de uns anos atrás, quando o país se esmifrava para pagar a formidável herança do PS, aí veremos as críticas brutais deste e do “seu” presidente Sampaio (“há vida para além do défice”, lembram-se?), poderemos comparar a glória do Medina com esses duros e honestos dias.

    Passos Coelho tinha às costas uma tarefa gigantesca. Nunca enganou ninguém, por muito mal que não pudesse deixar de fazer aos nossos bolsos. Quando as coisas não lhe corriam de feição, ou quando o TC lhe caía em cima por obra e graça dos Medinas & Companhia, apresentava rectificativos orçamentais com total transparência. Não andava a fazê-los à sorrelfa, como com as célebres cativações do Centeno. E Passos baixou o défice, e pôs-nos a navegar. Viu-se com lhe pagaram, apesar de os portugueses olhe  reconhecerem a obra e o porem à frente nas eleições. Viu-se o que o PS fez aos resultados eleitorais, e o que continua a fazer na sua – nossa – imparável marcha para uma pobreza sem remédio.

    Agora, que o governo está a abarrotar de impostos, que a CE lhe empresta milhares de milhões, que faz o chamado governo? Entesoura em vez de ajudar. E depois vem gabar-se dos seus feitos.

    Nunca tantos foram tão enganados por tão poucos.

     

    2.3.23

  • É PRECISO LATA, MAS…

    Em matéria de lata, o campeão é o Sócrates. Desta vez, coitadinho, vem acusar o Estado (a Justiça) de andar a atrasar o julgamento da “Operação Marquês” há mais de dez anos. Tem razão, mas é de um cinismo latoeiro sem limites. O estado a que a Justiça chegou é, há anos e anos, evidente, pelo menos na medida em que se deixa enrolar nas martingalas aldrabonas do Sócrates em vez de decidir de uma vez por todas o arquivamento das suas trafulhices jurídico-oportunistas. Parece que os legisladores e os tribunais, de braço dado, estão apostados em deixar prescrever os pecadilhos a que um tal Ivo Rosa reduziu o mar de acusações dos procuradores.

    O IRRITADO não é especialista nestas obscuras matérias, mas não tem dúvida de que o culpado é o “sistema”. Qual sistema?

    Indo um pouco mais longe, legítimo será imaginar que há uma gigantesca operação, ou conspiração judicial, de evidente origem política, para ilibar o malandrim. Na sombra de alíneas várias, de recursos em cima de recursos, movimenta-se qualquer coisa muito feia.

    Do lodaçal da Justiça, impante de “razões”, emergirá o latocrata Sócrates, triunfante, limpo, inocente. Não me admiraria se viesse a ser readmitido no PS, onde tem amigos fiéis desde há muitos anos, gente que tudo viu, tudo apoiou, tudo aplaudiu, fingindo agora que, ao tempo, estava a assobiar para o ar.

    Será?

     

    2.3.23

  • TOTALITARISMO MUNICIPAL

    Parece que o executivo da CMLisboa quis passar uma moção, ou coisa de género, pedindo ao governo autonomia para tratar de assuntos de alojamento. A coisa foi discutida, tendo a maioria de esquerda, em unânime e poderoso bloco, chumbado a ambiciosa pretensão, sem lhe salvar uma vírgula.

    Muito se fala por aí de regionalização (coisa histórica e actualmente absurda), e de descentralização (coisa possível e desejável), passagem de poderes e responsabilidades para os municípios e de outros chavões concebidos para distrair a malta e inglês ver.

    Precatem-se os adeptos. Nunca tal acontecerá, pelo menos enquanto a esquerda tiver poder neste país. Pôr as câmaras municipais a ter mais poderes? E depois? Onde vai parar o Estado, o bem-amado elefante branco da esquerda? Nem pensar! Ou pensar, mas só quando todas as câmaras forem de esquerda e, mesmo assim…  

     

    23.2.23

  • A SEGUIR SERÁ PIOR

    Julgo que toda a gente já percebeu que o “pacote” da habitação folcloricamente apresentado pelo governo é uma pessegada idiota, impraticável, totalitária e geradora de mais burocracia. O pior é que haverá quem goste.

    Para além das críticas que, de todos os lados, já andam por aí, e muito bem, ou muito mal, o IRRITADO deixa uma pergunta que tem a ver  com a alegação de que os senhorios se recusam a arrendar as suas casas, milhares e milhares de casas “devolutas”, dizem. A resposta é: porque, ou elas precisam de obras que os proprietários não podem pagar, ou porque os proprietários são parvos. Não conheço nenhum que, tendo um bem imóvel em condições, se recuse a tirar dele rendimento, condenando-o, e si próprio, à ruína.

    É claro que as trafulhices totalitárias anunciadas se inserem na ideologia (não na realidade) muito cara à esquerda radical – e, portanto, adoptada pelo PS, consistindo na luta sem tréguas contra a propriedade privada que, passo a passo e sob a orientação da Mortágua, vem fazendo perigar a democracia liberal e continuar a condenar os portugueses à miséria. A última coisa que anima as hostes no poder é a resolução do problema habitacional que, vítima das suas políticas, vem aumentando brutalmente durante os últimos sete anos. Se assim não fosse, em vez de cair a quatro patas sobre os cidadãos e os bens privados, o governo anunciaria, por exemplo, o aproveitamento do seu gigantesco património imobiliário, ora devoluto, para habitação. Anunciaria o fim das medidas que têm desincentivado o investimento privado em construção de habitação, coisa que, hoje, por acção do poder, é menos de dez por cento do que era quando a geringonça o cavalgou. Anunciaria o emprego dos milhões que diz ter disponíveis no investimento habitacional de Estado, que está a dormir há anos e anos. Nada disto estás nas “medidas”. De resto, e apesar das que há quem ache “positivas”, como a da facilitação dos licenciamentos, o governo cria um sistema que vai atulhar as pessoas em nova burocracia e os tribunais em nova conflitualidade civil.

    E a pessegada fiscal? Indescritível. E o controlo das rendas? Absurdo. E a política de dependência do Estado? Total. E os atentados à liberdade? Sem limites. E a Constituição? Não interessa.

    A orquestra da esquerda acha pouco, mas afina os instrumentos. Quem for contra o atentado em marcha vai ser apodado de radical, fascista ou fascizante, troglodita, estúpido, inimigo do povo… merecerá todos os “encómios” da cartilha.

    É nisto que estamos.  A seguir será pior.

     

    22.2.23

  • A MACACADA NO GALARIM

    Então não é que a ministra do trabalho tem lá uma assessora/adjunta/ou lá o que é que se propõe fazer um acampamento de protesto, diz-se, na ponte velha, com barraquinhas, churrascos, bifanas e tudo? Uma rapariga modesta, diga-se, podia ter proposto o mesmo na ponte nova que é mais comprida. Interessante seria saber se a ministra está de acordo. Parece que sim, já que a rapariga continua no cargo, e sua excelência moita carrasco.

    Tudo isto com grande sucesso nas redes sociais – não frequento tal coisa, mas ouvi dizer. É natural. Desde o dia em que, por exemplo, a balsemónica organização anunciou ter contratado o senhor PNS para comentador residente, tudo é possível. A rapariga da ministra passa a menina do coro, não fará mal a ninguém. Ao passo que o PNS, certamente bem pago, poderá inundar a malta dos mais inacreditáveis dislates.

    Que mais estará para nos contecer?

     

    11.2.23

  • DO NEO-TRAULITEIRISMO

    A III República já nos presenteou com larga série de presidentes do Parlamento. Muitos maçons (na boa tradição dos tempos do Salazar, em que foram todos), dois Opus Dei, vários do PS, vários do PSD, um do CDS. Em geral, assumiram uma posição de primus inter pares e, se exceptuarmos raríssimos e tristes momentos, todos tiveram do cargo a noção clara da sua dignidade como números dois do Estado, não se metendo em bate-fundos político-partidários ou politiqueiros, isto sem precisar de negar a sua origem ideológica ou a sua família política.

    Até que. Até que subiu ao altar do parlamento um conhecido ultramontano do PS, que, enquanto político e governante, se dedicava com afinco a  “malhar” barbaramente em quem do partido não fosse.

    Poder-se-ia pensar que, por uma questão de respeito pelo lugar e pelas funções em que foi investido, o homem meteria tais “competências” na gaveta. Pura ilusão. O antigo feroz apoiante do Sócrates, o homem que não teve pejo em se meter no poder mediante espúria aliança com os descendentes do bolchevismo e com os filhos do enverhoxismo, do trotskismo e de outras “democracias” do estilo, apregoa hoje um democratismo exclusivo, ou seja, a ilegitimidade de eleitos como ele, os tipos do Chega.

    Não se acredite, ou se aceite, a muralha que ergue contra tal gente, com tonitruantes declarações e decisões condenatórias. Os tipos do Chega, goste-se ou não, são tão deputados como ele, têm com fartura quem os ataque, não precisam de ter um Presidente da Assembleia sacristão de um novo e miserável conceito de representação parlamentar.  

     O IRRITADO “está-se nas tintas” para o Chega. Mas a protecção que o senhor presidente da AR, o PS e demais esquerdistas lhe proporcionam com a sua fúria condenatória – dizendo atacá-lo mas aumentando-lhe o apoio popular – é a forma não inteiramente estúpida mas mais baixinha que há de atacar a direita moderada. T’arrenego, ó trauliteiros!

     

    10.2.23

  • DEMOCRACIA MUSCULADA

    Rezam as crónicas que, nos últimos oito dias, foram, nos radares de Lisboa, aplicadas 16.000 multas de excesso de velocidade. E, nas auto-estradas, nada menos que 2.000.000!

    Algo me diz que aqui há gato. Vários gatos.

    Antes de mais, é de uma evidência cristalina que os radares servem sobretudo para arranjar mais dinheiro para o Estado, coitadinho, que cobra poucos impostos. É absolutamente impossível que haja dois milhões de condutores a guiar a velocidades perigosas. Donde, ou os limites de velocidade são exageradamente baixos, ou os radares estão desafinados, ou isto é como largar perdizes de cativeiro aos milhões para facilitar a gabarolice dos caçadores.

    Um exemplo interessante é o que se passa na Alemanha: a polícia não perdoa, mas os limites são função da intensidade do trânsito, do estado da estrada e de outros factores de risco. Não há velocidade única, a cada troço o limite é assinalado, onde tal não acontece não há limites.

    120 à hora é um absurdo, se aplicado indescriminadamente, e um atentado se aplicado à bruta, sem outro critério que não seja o do lucro estatal.

    Pior é o que se passa na cidade. Constrói-se vias rápidas para andar a 50 à hora! E já é muito bom: em não poucos troços, a coisa baixa para 30, como fosse possível cumprir tão absurda violência! É a Câmara a sacar o dela, muito mais que a cuidar da segurança de cada um.

    Se alguém (o ACP, por exemplo) fizesse um estudo sobre as causas dos acidentes talvez a ditadura oficial pudesse ser morigerada.

    Mas não vale a pena. Como no tempo da II República, manda quem pode obedece (e paga!) quem deve.

     

    10.2.23

  • TIRAR O ANIMAL DA CHUVA

    Quem viu aqui há dias a reportagem sobre o incêndio na Mouraria deve ter reparado, que, ao lado do Moedas, estava um senhor muito sério e muito caladinho. Quando o Moedas se foi embora o homem apoderou-se dos microfones para dizer umas inanidades. Era o presidente da junta de freguesia, grada figura do PS em Lisboa.

    A Junta de Freguesia, esta como outras, devia estar na berlinda. Como é possível que tal organização não tenha dado por haver, em montes de andares, dezenas de imigrantes metidos com calçadeira em dez metros quadrados ou coisa que o valha?

    A desculpa é “legal”. A Junta passa atestados de residência a quem apresentar duas testemunhas que declarem que A ou B residem naquele local. Tudo bem, pelo menos em face dos regulamentos em vigor.

    O que é estranho é que a junta, quando atesta que estão, como era o caso, uns vinte ou trinta mânfios enfiados numa loja com dezassete metros quadrados, não dê pela marosca. Não sei se os atestados da Junta são pagos, mas algo me faz suspeitar que sim, legalmente ou a título de “gentilezas propiciatórias”.

    Por outras palavras, o principal culpado é o presidente da junta. Não deu por nada, não fez nada, não se queixou ao SEF, à Judiciária, ou a quem de direito, que não sei quem seja e o dito se calhar também não.

    Facto é que o homem (não será por acaso que é do PS) parece ter tirado o cavalinho da chuva e pedido uma sombrinha ao Largo do Rato.

    Enfim, tudo isto será fruto da imaginação do IRRITADO.

    Ou não?

     

    7.2.23

  • NOTÍCIAS FRESCAS

    – O Czar de algumas Rússias, segundo um tipo com quem que falou a tal respeito, garantiu que não ia matar o Zelensky. O que quer dizer, em russo, que vai fazer o que puder para lhe dar cabo do canastro. Na véspera de invadir a Ucrânia, o canalha garantiu ao mundo que não ia invadir a Ucrânia. Lembram-se? Não há tradutores que, mesmo com inteligência artificial, traduzam a língua de Putin. Zelensky, põe-te a pau…

    – Dona Marta Temido foi nomeada líder da distrital do PS em Lisboa. Se fizer à distrital o mesmo que fez ao SNS, vai a distrital pró buraco. Boa!

    – Dona Mariana Mortágua descobriu que o culpado do incêndio da Mouraria é o Montenegro, um “cínico”. O IRRITADO propõe este brilhante raciocínio para o Guiness.

     

    7.2.23

  • DA POLÍTICA DO ÓDIO

    O ódio é uma das coqueluches de nossa brilhante esquerda. Tudo o que não for de esquerda é odiento, racista, homofóbico, fascista, etc, e, maior de todos os insultos (que horror), chega ao extremo de ser liberal.

    – Dona Mortágua I declara, com o  fulgor que lhe é peculiar, que a propriedade privada (que a até a nossa esquerdófila Constituição consagra) é, perante as “políticas sociais” da esquerda, para esquecer. Desta nem o PC se lembraria. É o ódio militante, fundamental e agressivo, a anuciar os amanhãs que arrotam.

    – Dona Alexandra Leitão, dando largas à impressionante vastidão do seu pesado pensamento, depois de ter dado cabo de boa parte do que restava na (boa) Educação em Portugal, dedica-se agora aos media, com lugar cativo num canal de TV e no “Expresso”. Outro dia, ouvi-a, com estes que a terra ou o crematório hão-de comer, declarar que, dada a sua tenra idade, do PREC nada se lembra. Pois, o seu ódio é de agora, mais puro. Há coisas de que não se deve falar, sob pena de “direitismo”, ou pior. Se não está de acordo leia a coluna da senhora no jornal da passada  Sexta-feira.

    – Dona Carmo Afonso, é a nóvel garante das “portas” que o “Público” “abre” quando “abate muros”. Uma rapariga de carinha laroca (diz quem a conhece que a foto tem uns trinta anos). Diga-se que é inteligente e prolixa. Dedica, por semana, pelo menos três páginas nobres do jornal a zurzir tudo o que não tem a chancela do Bloco de Esquerda, com uma dose de ódio repenicada e furibunda. Nada do que não for ou vier do partido lhe escapa. O ódio é o seu combustível de estimação.

    Perante este bouquet de gentis senhoras, o PC parece um menino de coro.       

    7.2.23

  • MEDO, INVEJA E POPULISMO

    Vivemos de há muito dominados por avassaladoras ondas de inveja, coisa que suplanta qualquer sentido de justiça, qualquer réstia de bom senso, qualquer sombra de nobreza de sentimentos, e até os ditames das várias “filosofias” políticas em voga.

    Dois casos exemplares têm ocupado as cabeças dos portugueses nas últimas semanas.

    1. Depois de muito tergiversar sobre a desgraça pública da TAP, o governo que, a meter os pés pelas mãos e a já não ter mãos onde caibam os pés nem pés onde caibam as mãos, assiste, bronco como é de timbre, ao romance dos prémios a que a francesa da TAP tem direito. O intragável PNSantos, perito em asneiras que têm custado muitos milhões ao Estado, teve como grandiosa atitude inventar a gestão privada de uma empresa pública – nacionalizada sem mais nem menos pelo próprio à ordem do chefe Costa e agora a saldo, a ver quem dá menos – , como se tal coisa funcionasse, em Portugal ou alhures. Ordenou que se fizesse uma selecção de estrelas da gestão, presumindo-se que tal selecção, feita por consagrados especialistas estrangeiros, tenha custado uma nota preta. Isso não está em causa. O que está em causa é o insuportável “escândalo” de a senhora seleccionada ter direito a prémios de gestão de dois milhões de euros por ter – para já, diz-se – atingido os resultados que constavam no seu contrato de trabalho. Levantou-se o clamor. A malta, que se vê à rasca para comprar batatas, foi rapidamente instrumentalizada pela esquerda para a excitação ultra-populista da inveja nacional. Dona Catarina ficou tremebunda de indignação. O tipo do PC (ainda não lhe decorei o nome nem estou para ir à procura) pôs as hostes a desfiar o cardápio do costume. O senhor Ventura, tratando-se de coisa que pode vir a dar, deu largas à verve. Os tipos da IL e do PSD não são capazes de vir a terreiro contradizê-los, de tal maneira a esquerda domina os “sentimentos” do pagode. Do pagode têm medo. Entre a inveja e o medo, venha o diabo e escolha.
    2. Na mesma onda, o palco, ou altar, ou lá o que é. O Moedas não se precatou, não pôs tudo às claras a seu tempo. A cáfila da esquerda caiu-lhe em cima. Ser honesto é coisa intolerável para a inveja da esquerda. Daí a monumental campanha de demolição do Moedas. Não interessa que o homem explique ter escolhido, entre várias projectos e custos, nem o mais caro nem o mais barato. O objectivo não é poupar dinheiro, é dar cabo do Moedas, que é o que os geringonços querem. Outros custos não interessam, só o que depende do Moedas. Pouco mais está em causa. Contra a inveja, de que vale explicar que a coisa vai dar lucro, de que vale argumentar que as Jornadas metem num chinelo a webbsummit e outras grandes realizações do Costa, com custos monumentais dificilmente recuperáveis. Não vale a pena argumentar com os estádios do Euro, caríssimos elefantes brancos, investimento irrecuperável. Ainda por cima, no caso, trata-se de acontecimento que tem a ver com a Igreja Católica! O que vale tal coisa comparada com a UEFA ou com o tipo da Webbsummit? Não interessa, nem por sombras, dizer verdades quando o populismo de esquerda (e de direita radical) a tudo sobrepõe a sua irreparável inveja. Pior, quando a direita moderada evita pronunciar-se. Mais uma vez o medo a juntar-se à inveja.

     

    1.2.23

  • CONSTITUCIONALICES

    Por causa da chamada reunião da juventude com o Papa (não sei se é este o nome), anda o “Expresso” muito preocupado  com o facto de Portugal ser um Estado laico, espraiando-se em várias “interpretações”, ditas constitucionais, a tal respeito, as quais, no caso, não interessam nada, a não ser que se queira infirmar a legalidade da reunião.

    Na prática, nada na Constituição impede que qualquer religião, não ilegal por outros motivos que não os da sua fé, organize reuniões. E nada impede que haja locais e espaços, públicos ou privados, para tal autorizados, ainda por cima sem qualquer ameaça previsível quanto à ordem pública. No caso, acresce que se trata-se de uma religião ultra maioritária em Portugal que até foi, durante séculos e séculos, religião oficial do país. Tem a sua importância. Se tal religião se propõe trazer a Portugal um gigantesco número de fiés, com evidente interesse económico para o país, nada impede que lhe sejam proporcionadas condições adequadas a tal fim.

    O problema não é o de o Estado, em si, ser laico ou não ser laico. É uma questão de contas,  uma questão de prestígio, uma questão de interesse público. O que trás ao país, ou quanto, um milhão de turistas, religiosos ou não, que por aí vão estar durante dois ou três dias? E que tal contribui para o prestígio internacional da República (isto, quem sabe destas coisas, também poderá quantificar). O que a requalificação de uma importante área urbana, ou urbanizável, pode significar em termos de futuro? E de criação de novas facilities para a cidade, disponíveis para outros efeitos?

    Feitas estas contas, talvez se possa chegar a uma justificação de determinada despesa. A que foi estimada é muita, ou pouca, aceitável ou não? Se for um exagero, uma imprudência, reduza-se os fundos. É simples, ainda que fazer as contas possa ser complicado ou controvertível.   

    Andar à procura de “razões constitucuionais” é pura demagogia, imprópria de informadores honestos como, pelo menos teoricamente, é o caso dos do “Expresso”.

     

    26.1.23

  • UM HOMEM COM FUTURO?

    De longa data vem o IRRITADO avisando os leitores sobre essa personalidade cimeira do PS que se chama PNSantos, fulano que tem vindo a fazer caminho no partido, ao ponto de ser dado como futuro candidato a primeiro-ministro. Com que argumentos o IRRITADO o critica? É fácil: os da sua brutalidade idiota e desbocada (de parceria com essoutro camarada “com futuro”, o Galamba), o da irresponsabilidade, o das afirmações bombásticas, características a que vieram juntar-se as mais desbragadas mentiras, um trapalhão tonitruante e pouco inteligente, em suma, dirão os socialistas ferrenhos, um homem cheio de qualidades, que até aliviou os espanhóis de carruagens decrépitas.

    Quando o socialismo se esmera na substituição da política propriamente dita pela paralisia social e económica, é natural que as demagogias de tipos desta ordem ganhem direito de cidade.

    Montes de adeptos, sonoras “bocas”, o homem do nosso – deles – futuro, é a imagem não só do que é o socialismo cá de cima – nas “elites” – como o que lá em baixo – nas bases”.

    Se as alternativas ao Costa são este artista, por um lado, e o Medina –  ainda não arde mas já cheira esturro – por outro, o que vai ser de nós? Ou o Montenegro acorda, ou ficamos entregues à macacada.´

     

    24.1.23

  • VOCÊ PERCEBE?

    Em abono da verdade, devo dizer que não percebo nada. Não percebo por que carga de água é que o Cotrim, o mais possível na mó de cima, decidiu ir-se embora. Não percebo o que quer, ou queria, uma senhora Carla, de quem nunca tinha ouvido falar e de cuja existência, até há quinze dias, nem sequer sabia. Não percebo que raio aconteceu para pôr aquela malta toda à cacetada, uma carga de obscuros desconhecidos, com uma ou outra excepção. Não percebo quais são as divergências ideológicas que separam esta gente.

    O que fica disto tudo é que há quem não se contente com a subida evidente do partido. Gente que quer mais poder, mais galarim, que se põe em bicos dos pés a ver se tem um lugarzinho mais importante na organização, e que se lixem as ideias, o partido, que o que é bom é a bagunça . Talvez perceba isto.

    O Cotrim ganhou, por interposta pessoa. O partido ficou transformado num sace de gatos. Bonito.

     

    24.1.23

  • CONTO DE ARREPIAR

    Havia um senhor, chamado PNSantos que, vítima de perseguição cívica, estava num transe mortal. Sentado num banco do Jardim da Estrela, pensava: que chatice, andam para aí a dizer que eu sabia do meio milhão pago pela TAP à Alexandra, e eu a negar, negar, negar. Antes que algum desses canalhas que me perseguem me descubra a careca, o melhor é arranjar uma saída. Mas como?

    Vai daí, usando a alta inteligência e a sagacidade que lhe são universalmente reconhecidas, pensou, pensou, e descobriu. Vou dizer que andei a arrumar uns papéis e que encontrei um email que esclarece o assunto. Direi que me tinha esquecido mas que, honestamente e em abono da verdade republicana, encontrei a verdade! Por isso aqui estou, suave e puro, a repô-la. Não vale a pena dizer que o meio milhão não é escândalo nenhum, como anda para aí um tal IRRITADO (uma besta) a dizer. E até posso sugerir que, como a mulher não percebia nada do assunto, lhe ofereci um lugar de recuo, a fim de a descredibilizar e de lhe sacar a massa de volta. Genial armadilha não foi? O Medina alinhou e, para dar cabo dela uma vez por todas, mandou-a para o governo. Sem reparar, o burro, que a coisa lhe ia cair em cima.

    Feliz, PNSantos sonhou: pronto, fica tudo nos conformes, a tipa foi para casa, o Medina já não se livra dos patins, o Costa continua a arder e eu fico, como sempre fui, e agora o provo, o supremo respeitadoer dos mandamentos da moral republicana, um patriota, um socialista sem mácula!

    Voltou para casa. Nem sequer precisava de descobrir o tal email, bastava a sua honrada palavra.

    Pegou no telefone e disse: ó Ana, o PS, o António, o Medina e eu, estamos debaixo de fogo. O PS é nosso, o António é para queimar, o Medina que se lixe, mas eu, nós, nós precisamos de ter a xuxaria toda do nosso lado. Logo, no “Expresso da meia noite”, não te esqueças de me defender. A Catarina está de acordo.

    E assim foi.

    P.S. (não confundir com PS): Este conto é um simples conto. Qualquer semelhança entre ele e a realidade fica ai cuidado de quem o ler.

     

    21.1.23

  • ATÉ QUANDO?

    Não há quem não critique a lista de idiotices do inquérito do Costa. Uma patada na poça, entre muitas outras. Uma estupidez, uma alarvidade, uma coisa que não caberia na cabeça de ninguém com dois dedos de inteligência.

    Percebe-se, porque é costume. O Costa, quando as coisas correm mal, trata de arranjar outras, novas, para distrair a populaça. Caem-lhe secretários de Estado aos pontapés. Uma chatice. Vamos acabar com isto, “pensou”, arranja-se um caldinho para atirar à cara das pessoas. Quem preencher esta porcaria passa a ter uma credibilidade de ferro, pode ser membro do governo. Vamos até aos primos, à cunhadas, às sogras, às empregadas domésticas, ao cão. Quem tiver multas da EMEL está frito. Assim. Uma maravilha, e eu, o admirável Costa, fico descansado.

    Não sei se haverá alguém interessado em ser membro do governo, e para tal competente, que se sujeite a responder ao inquérito do Costa. O que nos garante que tal governo será cada vez mais incompetente, ainda pior no futuro do que já é hoje.

    Por falar do governo como um todo, atendamos ao facto de o inquérito ter sido aprovado pelo conselho de ministros. Já não é só o primeiro a merecer ir para a rua: são todos. Todos são responsáveis pela tramoia.

    Como diria Cícero: até quando, ó Costa, nos darás cabo do juízo, da paciência, e do país?

     

    20.1.23  

  • PORREIRO PÁ

    Parece que o esquerdalho Salgado fez das suas in illo tempore. A coisa parece que vai dar brado. Muito bem, entretenham-se com mais esta.

    O mui nobre ministro das finanças e antigo chefe do Salgado veio a terreno afirmar solenemente que não sabia nada do assunto. Percebe-se: nos tempos áureos do Costa, e nos argêntios do Medina, o Salgado era o dono da Câmara, fazia o que lhe apetecia. É natural que o Medina não soubesse ou não percebesse patavina do que se passava.

    Porém,  não percebendo nós porquê, no dia seguinte declarou que tinha telefonado à dona PGR, propondo-se dar todos os esclarecimentos necessários. Se não sabe nada do assunto, como dizia na véspera, diz  a lógica das coisas que não tem nada para para esclarecer. Ou então o que quer é que a senhora o esclareça. Mais uma originalidade do indivíduo, no caso eventual futuro interrogado pela PGR. Em vez de interrogado, quer interrogar, põe as coisas de pernas para o ar, quer submeter a senhora a interrogatório. Estranho, não é?

    Ainda mais estranho é o coro unânime dos media, unidos em rasgados elogios à “abertura” e à “disponibilidade” do homem. E nós, pela influência de quem nos impinge tal opinião, ficamos à espera dos desenvolvimentos.

    Porreiro, pá.   

     

    20.1.23

  • SOMOS OS MAIORES!

    Pelo menos é o que costuma dizer o senhor de Belém. Se calhar, para certas coisas, é verdade.

    Olhe-se a bagunça dos bolsonaristas no Brasil, coisa universalmente condenada, e com toda a razão. Aquilo não se faz.

    Também é universal a opinião sobre de quem foi a inspiração para a coisa: o Trump, pois claro. Os dele fizeram o mesmo no Capitólio, não foi?

    Nem num caso nem noutro foram originais. O precursor, o exemplo, é Portugal com o seu bem-amado PC e outros do género: o sequestro da Assembleia da República em Portugal durante o famoso PREC. Isto, do ponto de vista interno. Mas houve mais, desta vez com efeitos internacionais: a destruição da embaixada de Espanha. Mais houve, mas fiquemos por aqui.

    Há diferenças importantes, convenhamos. Tanto no Brasil como nos EUA, os autores da brincadeira andam a ser perseguidos pelas autoridades do Estado de direito. Por cá, os autores do sequestro à Assembleia e da destruição da enbaixada nunca foram, sequer, arguidos. Continuam por aí sem sofrer qualquer tipo de consequência. Até há quem, oficialmente, os considere “pilares da democracia”!

    Somos os maiores, como diz Sua Excelência. Se lhe convier, até os condecora.

     

    17.1.23