Anteontem assisti a uma cena verdadeiramente repugnante. Numa estação de televisão, um debate político.
Normal.
À direita, Bagão Félix (CDS) – normal – e Pacheco Pereira (PSD).
Normal.
À esquerda, Carlos Carvalhas (PC).
Normal.
Também à esquerda, imagine-se, em representação do PS… José Miguel Júdice!!!
É evidente que esta excelsa criatura se dizia em representação de si própria. Mas estava na cadeira do PS e defendia, à tord ou a raison, o senhor Pinto de Sousa e a suas estúpidas políticas. Por isso, mais do que representante do PS, ele era um “homem da sociedade civil”, ali presente com a missão, encomendada ou não, de se mostrar mais pintodesousista que o Pinto de Sousa. Até no estilo, a criatura imitava o criador: o esgar trocista, o ar da superioridade do poder, a piadinha desdenhosa e primitiva, a provocação pedante, a pose majestática, alhos contra bugalhos, bugalhos contra alhos. Um primor.
Nunca será demais passar os olhos pelo brilhante passado deste indivíduo. Vindo das áreas mais fascistas da Nação, léguas à direita do Estado Novo, o senhor Júdice veio a trepar na vida sob o patrocínio do já falecido António Maria Pereira. Foi, como ele, figura do PSD, ou seja, não como ele, foi gente na ala direita do PSD. Depois foi-se afastando, diriam os incautos para a direita.
Acabou agarrado a esta gente. Foi mandatário do Costa a troco da presidência desse monstro administrativo mascarado de empresa que manda em boa parte de Lisboa. Desistiu disso antes de começar, mas ficou amigo do Costa e do caloteiro Fernandes. Pinto de Sousa não lhe saiu do coração, sendo disso prova a descabelada, paranóica e trocista performance com que nos brindou no programa a que me referi.
A partir deste resumo curricular é legítimo pensar o que se quiser acerca do que estará por trás da viagem “ideológica” da hedionda personagem.
Será estúpida?
Julga-se que não.
Terá algo a ganhar com a propaganda que faz ao PS?
O quê?
Haverá financiamentos da UE para a pensão que tem em Coimbra, os quais dependam do governo?
Os pêèsses serão clientes assíduos do Eleven?
Haverá na forja alguma nova empresa, entidade, autoridade, fundação, chafarica do Estado onde a criatura se possa encaixar a convite do primeiro-ministro?
Tudo é possível. O que não o é, de certeza certezinha, é que o fulano tenha tido alguma evolução intelectual, algum imperativo de consciência, alguma inspiração divina que o tenha precipitado nos acolhedores bracinhos do senhor Pinto de Sousa.
Ou talvez a coisa não passe de alguma opção de costumes, ou de resultado da influência dos representantes do Grande Arquitecto do Universo, com sede no Bairro Alto.
6.11.09
António Borges Carvalho

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