Uma olhadela ao programa do governo torna facílimo concluir que estamos fritos.
Na linha do PC e do BE, o PS é um ás a fazer omoletas sem ovos.
Numa mão, as mais mirabolantes promessas, sem qualquer quantificação de custos, sem calendário, sem planeamento financeiro.
Noutra, nada, isto é, nem uma palavra sobre como pagar tanto “estado social”, tanta “modernização”, tanta “infra-estrutura”.
O PC ainda vai dizendo que, sacando umas massas aos “ricos”, se resolve tudo. Não resolve nada, mas é uma ideia.
O BE, mais sofisticado como convém à burguesia urbana e bem pensante, acha que, acabando com as offshores e lançando mais uns impostos, também “paga” a demagogia. Não resolve nada, mas é uma ideia.
O PS, nada. Ninguém sabe onde vai buscar o dinheiro, sendo esta a diferença entre ele e os partidos comunistas.
As consequências das abordagens dos três partidos socialistas são as mesmas. Toda a gente as conhece mas, mesmo assim, os tipos insistem.
Tão iguais, ou tão pouco diferentes.
Todos sabem que estão a mentir, todos disfarçam a mentira diferentemente.
A malta, essa, bem à portuguesa, vai metendo a cabeça na areia. Enquanto o pau vai e vem…
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Um pequeno grande exemplo da gente com quem estamos metidos.
A nacionalização do BPN já custou 3,5 mil milhões de euros (se dizem isto é porque foi, com certeza, muito mais). Ninguém é capaz de explicar porque se gasta tanto do nosso dinheiro para “salvar” um banco falido e envolvido nas mais rebuscadas aldrabices, enquanto, para as famosas obras públicas, tem que se ir pedir dinheiro emprestado que não se pode pagar, ou fazer essa brutal asneira das "parcerias público-privadas".
Se, como disse o presidente da CGD, ao fim do caminho, os 3.500.000.000 serão reprodutivos, porque não utilizá-los para as obras públicas que, no parecer do governo, também o são?
Há uma lei que previne os depósitos até certo montante. Então porque não se acciona os seus mecanismos e se deita o BPN ao lixo, que é onde ele pertence, em vez de andar a tapar, com o dinheiro dos outros, os buracos que uns abriram?
A resposta é simples.
Havia duas soluções para o caso, uma socialista outra capitalista.
Nacionalizar é uma solução verdadeiramente socialista.
A falência é um instrumento de regulação do capitalismo.
A diferença é que a solução socialista é muito mais cara, própria de quem usa o dinheiro dos outros sem pudor nem honestidade nem bom senso.
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O programa do governo é isso mesmo. Gestão ruinosa. Prometer, depois logo se vê.
Se o governo cumprisse as promessas, seria à custa de quê?
O governo sabe, nós todos sabemos que se está, conscientemente, a preparar o mais negro dos futuros. Não só financeiramente, mas social e culturalmente.
Convence-se as pessoas de que estão “protegidas”.
Guarda-se o poder.
O último a sair que feche a porta.
Este o silogismo socialista, em versão pintodesousiana, a mais estúpida de todas.
5.11.09
António Borges de Carvalho
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