Aqui há tempos, no seguimento de várias e chorudas facturas, a Santogal/Volvo deu-me a subida honra de me oferecer um GPS da marca portuguesa NDRIVE.
A coisa funcionava menos mal. A ponto de, indo passar umas férias na Escócia, resolvi comprar à dita companhia o mapa do Reino Unido. Após uns bons três quartos de hora inutilmente agarrado ao computador, desisti. Pedi então ajuda a um especialista, o qual, perdendo também três quartos de hora, lá conseguiu o tal software.
Um dia depois da minha chegada ao Reino Unido, parei numa estação de serviço, comprei um mapa dos antigos e meti o GPS na mala, antes que me perdesse, sem remédio, nalguma montanha dos highlands.
Pouco tempo depois, já em Lisboa, a coisinha que serve para “bater as teclas” do zangarelho começou a cair porque não clicava no respectivo buraquinho.
Foi o menos. Passei a clicar com um lápis.
O pior é que, dias depois, o botão de ligar/desligar, ao ser pressionado, enfiou-se nos intestinos do aparelho e nunca mais foi visto.
Passei a introduzir uma chave no buraco, o que, às vezes, dava resultado.
Por fim, passada mais meia dúzia de dias, ao ligar a ficha USB através da qual se mete energia no gadget, vejo a fêmea da dita desaparecer, igualmente, nas electrónicas entranhas da coisa.
Desta vez não havia nada a fazer. O aparelho tinha durado uns três meses, e sempre com defeito.
Possuído de justa indignação, o IRRITADO resolveu enviar a coisa à procedência com uma cartinha a solicitar que a comessem com batatas e a dizer que não valia a pena preocuparem-se em pedir desculpa ou em accionar alguma garantia, uma vez que não estou interessado em ser o feliz proprietário de produtos NDRIVE.
O pior, o pior absoluto, o pior total, o pior que me faz amanhã, logo de manhã, ir apresentar a devida queixa a todas as eventualmente (in)competentes autoridades, é que tenho aqui, em cima da secretária, o envelope dos correios, enviado registado com aviso de recepção e que foi RECUSADO pelo destinatário. Ou seja, os ilustríssimos engenheiros da NDRIVE não aceitam reclamações. Ou então, são tão modernos tão modernos, que só recebem correio electrónico.
Tenho uma imensa vergonha de viver num país onde a indústria “de ponta” é desta qualidade técnica, humana e comercial.
Tenho uma imensa vergonha de ter visto, orgulhoso e aldrabado, o nosso Presidente da República oferecer a Sua Majestade o Rei de Espanha um telemóvel, ou coisa do género, fabricado por esta gente.
Este post vai ser enviado por e-mail à distinta organização. Na certeza, porém, que tal e tão abominável gente se absterá de acusar a recepção. E tudo ficará, como é costume, na mesma.
2.11.09
António Borges de Carvalho
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