RESERVAS ECOBRONCAS
9 respostas a “RESERVAS ECOBRONCAS”
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A melhor maneira de não se discutir o ordenamento do território da Madeira,é escrever um artigo trauliteiro como este.O assunto fica á partida enquinado.Chama-se canoras e lobos a especialistas que há anos vêm dizendo dos riscos potenciados por erros por demais evidentes no (des)ordenamento dos espaços.Percebe-se bem que o pretendido é absolver antecipadamente o Alberto Bocassa Jardim mais a corja que o rodeia.
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Sr TecelãoO que está escrito pelo meu amigo Irritado está de acordo com todos os factos.Sabe,o senhor tem uma extrema dificuldade – ao que me se afigura do que escreve – em lidar com as realidades.Não sei quem lhe transmitiu o que diz e com todas as letras,que o melhor é difamar quem não aceita as “tretas” do “povo unido” e dos “soldados e marinheiros” (esta dos soldados nunca consegui entender).Se o senhor tivesse os conhecimentos básicos de geografia e se se interessasse – ainda que minimamente – por meteorologia ficaria a saber a deslocação das massas de ar no Hemisfério Norte e a im portância do anticiclone dos Açores nas condições de tempo,tanto em Portugal Continental com no arquipélago da Madeira.A tragédia que se abateu sobre a Madeira,nada tem a haver (para sua mágoa)com o Dr Alberto João Jardim.Carlos Monteiro de Sousa
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Sr Monteiro,posso ser ignorante em matéria de geografia e meteorologia,mas não me chame nem estupido,nem sectário.Se você não entendeu,muito menos eu,explique melhor se souber,o que quer dizer com essa história dos soldados e marinheiros!?O Bocassa nada terá a ver com a tragédia,mas foram agravados os riscos pelo facto de não terem sido cumpridas as mais elementares regras de segurança.E isso terá um rosto.
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(Publicado no dia 13 de Janeiro de 1985 no jornal “Diário de Notícias” do Funchal) Eu tive um sonhoCecílio Gomes da Silva* Traumatizado pelo estado de desertificação das serras do interior da Ilha da Madeira, muito especialmente da região a Norte do Funchal e que constitui as bacias hidrográficas das três ribeiras que confluem para o Funchal, dando-lhe aquela fisiografia de perfeito anfiteatro, aliado a recordações da infância passada junto à margem de uma das mais torrenciais dessas ribeiras – a de Santa Luzia – o mundo dos meus sonhos é frequentemente tomado por pesadelos sempre ligados às enxurradas invernais e infernais dessa ribeira. Tive um sonho.Adormecendo ao som do vento e da chuva fustigando o arvoredo do exemplar Bairro dos Olivais Sul onde resido, subia a escadaria do Pico das Pedras, sobranceiro ao Funchal. Nuvens negras apareceram a Sudoeste da cidade, fazendo desaparecer o largo e profundo horizonte, ligando o mar ao céu. Acompanhavam-me dois dos meus irmãos – memórias do tempo da Juventude – em que nós, depois do almoço, íamos a pé, subindo a Ribeira de Santa Luzia e trepando até à Alegria por alturas da Fundoa, até ao Pico das Pedras, Esteias e Pico Escalvado. Mas no sonho, a meio da escadaria de lascas de pedra, o vento fez-nos parar, obrigando-nos a agarrarmo-nos a uns pinheiros que ladeavam a pequena levada que corria ao lado da escadaria. Lembro-me que corria água em supetões, devido ao grande declive, como nesses velhos tempos. De repente, tudo escureceu. Cordas de água desabaram sobre toda a paisagem que desaparecia rapidamente à nossa volta. O tempo passava e um ruído ensurdecedor, semelhante a uma trovoada, enchia todo o espaço. Quanto durou, é difícil calcular em sonhos. Repentinamente, como começou, tudo parou; as nuvens dissiparam-se, o vento amainou e a luz voltou. Só o ruído continuava cada vez mais cavo e assustador. Olhei para o Sul e qualquer coisa de terrível, dantesco e caótico se me deparou. A Ribeira de Santa Luzia, a Ribeira de S. João e a Ribeira de João Gomes eram três grandes rios, monstruosamente caudalosos e arrasadores. De onde me encontrava via-os transformarem-se numa só torrente de lama, pedras e detritos de toda a ordem. A Ribeira de Santa Luzia, bloqueada por alturas da Ponte Nova – um elevado monturo de pedras, plantas, arames e toda a ordem de entulho fez de tampão ao reduzido canal formado pelas muralhas da Rua 31 de Janeiro e da Rua 5 de Outubro – galgou para um e outro lado em ondas alterosas vermelho acastanhadas, arrasando todos os quarteirões entre a Rua dos Ferreiros na margem direita e a Rua das Hortas na margem esquerda. As águas efervescentes, engrossando cada vez mais em montanhas de vagas espessas, tudo cobriram até à Sé – único edifício de pé. Toda a velha baixa tinha desaparecido debaixo de um fervedouro de água e lama. A Ribeira de João Gomes quase não saiu do seu leito até alturas do Campo da Barca; aí, porém, chocando com as águas vindas da Ribeira de Santa Luzia, soltou pela margem esquerda formando um vasto leito que ia desaguar no Campo Almirante Reis junto ao Forte de S. Tiago. A Ribeira de S. João, interrompida por alturas da Cabouqueira fez da Rua da Carreira o seu novo leito que, transbordando, tudo arrasou até à Avenida Arriaga. Um tumultuoso lençol espumante de lama ia dos pés do Infante D. Henrique à muralha do Forte de S. Tiago. O mar em fúria disputava a terra com as ribeiras. Recordo-me de ver três ilhas no meio daquele turbilhão imenso: o Palácio de S. Lourenço, A torre da Sé e a fortaleza de S. Tiago. Tudo o mais tinha desaparecido – só água lamacenta em turbilhões devastadores. Acordei encharcado. Não era água, mas suor. Não consegui voltar a adormecer. Acordado o resto da noite por tremenda insónia, resolvi arborizar toda a serra que forma as bacias dessas ribeiras. Continuei a sonhar, desta vez acordado. Quase materializei a imaginação; via-me por aquelas chapas nuas e erosionadas, com batalhões de homens, mulheres e máquinas, semeando urze e louro, plantando castanheiros, nogueiras, pau-branco e vinháticos; corrigindo as barrocas com pequenas barragens de correcção torrencial, canalizando talvegues, desobstruindo canais.
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E vi a serra verdejante; a água cristalina deslizar lentamente pelos relvados, saltitando pelos córregos enchendo levadas. Voltei a ouvir os cantares dolentes dos regantes pelos socalcos ubérrimos das vertentes. Foram dois sonhos. Nenhum deles era real; felizmente para o primeiro; infelizmente para o segundo.Oxalá que nunca se diga que sou profeta. Mas as condições para a concretização do pesadelo existem em grau mais do que suficiente. Os grandes aluviões são cíclicos na Madeira. Basta lembrar o da Ribeira da Madalena e mais recentemente o da Ribeira de Machico. Aqui, porém, já não é uma ribeira, mas três, qualquer delas com bacias hidrográficas mais amplas e totalmente desarborizadas. Os canais de dejecção praticamente não existem nestas ribeiras e os cones de dejecção etão a níveis mais elevados do que a baixa da cidade. As margens estão obstruídas por vegetação e nalguns troços estão cobertas por arames e trepadeiras. Agradável à vista mas preocupante se as águas as atingirem. Estão criadas todas as condições, a montante e a jusante para uma tragédia de dimensões imprevisíveis (só em sonhos).Não sei como me classificaria Freud se ouvisse este sonho. Apenas posso afirmar sem necessidade de demonstrações matemáticas que 1 mais 1 são 2, com ou sem computador. O que me deprime, porém, é pensar que o segundo sonho é menos provável de acontecer do que o primeiro.Dei o alarme – pensem neleLisboa, 11 de Dezembro de 1984 *Engenheiro Silvicultor(Publicado no dia 13 de Janeiro de 1985 no jornal “Diário de Notícias” do Funchal)
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Sr Daniel Tecelão.Um relógio parado dá SEMPRE horas certas duas vezes por dia.O Sr Engº Silvicultor teve o sonho de arborizar;o mundo em desenvolvimento impôs que a sugestão (resultante do sonho) do Engº tivesse de ser contrabalançada com as necessidades dos que,nascendo,exigem o direito de merecerem igualdade do que está disponível.Condicionar os benefícios que são oferecidos pela evolução do saber dos povos,à potencial ameaça da natureza que nunca se sabe se ocorrerá seria (mutatis mutandis) não construir elevadores nos prédios por suspeita de eventual terramoto.Concordará que não fazia sentido – nem nós teríamos beneficiado – do que Lisboa nos proporcionou,se os nossos antepassados se lembrassem de 1755.Sr Tecelão,daqui a algumas décadas,ocorrerá na Ilha da Madeira uma coisa semelhante ao que assistimos e asseguro-lhe que o culpado não será o Dr Alberto João Jardim,que,já não o sendo no tempo que corre,não poderá sê-lo por já não estar no mundo dos vivos,a não a ser,é claro,que o sr Tecelão e os seus amigos deixem para a posterioridade uma nota da sua indubitável culpa.Carlos Monteiro de Sousa
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Não tenha duvida que o Bocassa ficará para a história pelas boas e más razões.O que o senhor Monteiro não quer ver,e recusa-se a discutir,são os crimes ambientais que se praticam neste país,para o enriquecimento de meia duzia de patos bravos,e a corrupção de uns quantos autarcas.Em nome de um falso progresso,este país está a tornar-se numa grande favela.Já agora agradecia-lhe que me informasse quem são os meus amigos que refere,para lhes mandar as boas festas na Páscoa.
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Senhor Daniel Tecelão.Acredite que tenho uma grande dificuldade em entender se o Bocassa que refere é o analfabeto “escuro” , provinciano e meia tigela de ditador,que um dia esse “peixe de águas profundas” como foi classificado por outro “PEIXE” de águas muito superficiais,pretendeu desqualificar o Dr Alberto João Jardim ou,efectivamente,andamos (eu,não,salvo seja) a tentar esconder o que nos poderia ajudar.Sr Daniel Tecelão,com todo o respeito,não acha que chegou o tempo de dizermos todas as verdades,independentemente de ficarmos “bem visto” ante verdadeiros mentecaptos que acolhem a “esquerda” só porque ninguém a contesta?Quero acreditar que o senhor vale mais do que diz!Carlos Monteiro de Sousa
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Sr. Monteiro Bocassa é um epiteto que calça que nem uma luva ao presidente da Madeira e ninguem precisa de o desqualificar,ele tem-se encarregue disso.Então os mentecaptos foram todos para a esquerda?Na direita só há meninos do coro?
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