IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PRIVACIDADE

Sabe quem o lê que o IRRITADO, em matéria cibernética, é iletrado, ou seja, não percebe nada do assunto. Mas ele há coisas que o põem nervoso, ou ainda mais irritado do que o nome indica.

Calcule-se que recebi uma mensagem email de uma coisa que se chama Google e que, queira-se ou não, faz parte do dia-a-dia de cada um, não sendo conhecido o processo para cada um se ver livre dela.

Postulava a tal mensagem que eu tinha a oportunidade de, através de uma catraca que se chama “Google Maps”, “monitorizar” os meus próprios passos. Que será isto?, pensei. E fui ver.

Apareceu um mapa-mundo cheio de bolinhas encarnadas. Que é isto? Cada bolinha estava num sítio onde tinha ido. Fiquei eu e mais seis mil milhões de pessoas a saber que fui a Espanha e ao Canadá várias vezes, que andei num virote entre Lisboa e Cascais, que fui ao Porto, a Trás os Montes e a mais uma data de sítios. E até, cúmulo dos cúmulos, a coisa dizia quantos quilómetros andei a pé.

Olhando com mais atenção, concluí que a catraca sabia das minhas andanças pelo menos dos últimos três anos.

Como é isto possível? É claro que o Big Brother nos vem logo à cabeça, com todo o seu horror. Não tenho nada de especial a esconder, como não tenho nada, nem de especial nem de outra natureza, a mostrar, para além das minhas bocas neste blog. Nem a Google nem outras entidades, como a Ana Gomes e o seu pupilo Rui Pinto, ou a Autoridade Tributária, têm a ver com isso.

De qualquer maneira, talvez eu tenha o direito de perguntar (se calhar não tenho) como é que possível que um pacífico cidadão tenha a vidinha descrita para quem quiser saber dela. Note-se, não tenho medo que alguma criatura, das várias que não me gramam, me venha perseguir. Mas só não virá se não tiver, ou inventar, algum interesse na minha desinteressante pessoa.

O problema não é esse. É o de saber que é possível, legal, e até digno de elogio, que haja entidades com “autoridade” para espiolhar o que as pessoas fazem no legítimo uso da sua liberdade pessoal. Que possam “legitimanente” catalogar os nossos hábitos, gostos, etc., e de os meter num algoritmo qualquer, a fim de que essa ou outras intâncias nos venham a perseguir com ofertas comerciais ou outras merdas.

A nossa vida, assim, é negócio de terceiros, sem que possamos impedi-los. Ainda por cima, por exemplo, ou aceitamos “cookies” ou não acedemos a informações que nos interessam. E lá vão os “cookies” e outras martingalas parar aos algoritmos.

Gostava de saber o que andam a fazer as autoridades eleitas quando dizem andar a “proteger a privacidade” das pessoas. Por acaso, até sei: não andam a fazer nada, ou fazem asneiras e proclamam inanidades. Dirá quem está a la page que eu é que não percebo nada destas estrambólicas matérias.

Boa noite, com as minhas desculpas ao mundo em que sou obrigado a viver.

 

5.3.20  



4 respostas a “PRIVACIDADE”

  1. Avatar de outro anónimo
    outro anónimo

    O Irritado indica alguns locais por onde terá andado com o conhecimento do Google… Pois ou o Irritado inventou alguns desses locais, ou melhor, inventou algumas dessas suas viagens apenas por uma questão de argumentação ou o Irritado acabou de dar uma pequena facada na sua própria privacidade!

  2. Quando compra um telemóvel ou um computador, ou instala um programa, até quando entra num site, geralmente pedem-lhe para ler uns contratos longuíssimos e escolher umas opções abstrusas, não é? Claro que ninguém os lê ou as entende, aceita-se e pronto. É como os ubíquos alertas de “cookies” e “políticas de privacidade”: bla bla bla, garantimos que, bla bla, deus nos livre, bla, bla, respeitamo-lo muito, bla bla bla. O célebre RGPD: só com o seu consentimento explícito podem recolher e tratar os seus dados pessoais. O que são dados pessoais? Tudo que o identifique. Não um email geral@sapo.pt, mas sim antonio.borges@irritado.pt. Eis o que acontece. Autorize ou não, é tudo guardadinho numas bases de dados a que agora chamam “big data”. Imagine uma folha de Excel com milhões e milhões de registos. Depois uns miúdos com boa nota a matemática criam uns algoritmos para agregar (“crunchar”, em Inglês Técnico), cruzar e extrair o máximo possível desses dados. V. interessa-lhes de duas formas: enquanto indivíduo ABC, e como utilizador 97358302, sexo masculino, idade X, visita o Canadá, tem um Fiat, compra fatos azuis, aprecia louras peitudas, é de direita, lê os jornais Y e Z… Porquê tanto trabalho? Não é muito trabalho. Tendo o algoritmo, os computadores fazem o resto. E rende muito mais. O que fazem com isso? Para já, tentam vender-lhe coisas. É ainda algo básico: se pesquisa hoje uma torradeira, podem impingir-lhe os mesmos anúncios durante dias a fio, como se fosse coleccionar torradeiras. Mas melhora todos os dias. Nos EUA e UK já influenciam eleições. As seguradoras querem saber se bebe ou fuma. Os governos querem saber o que pensa. Qual CIA, qual KGB. O Google e o Facebook são maiores e mais eficazes. Volta e meia, são “apanhados” e multados nuns milhões. Um golpe duríssimo. Levam uns bons minutos a recuperar esses milhões.

    1. O seu comentário tem piada (humor negro), . É que eu julgava que v. , como rapaz moderno que é, ralharia. Mas, ó raridade, concordou comigo! Um amigo meu, que leu o post, deu-me um sarabanda. Eu é que não percebo a utilidade destas coisas: as informações recolhidas pelo Google são utilíssimas, só eu tenho acesso a elas, são privadas, servem para eu, e só eu, as poder utilizar, etc.Mantenho as minhas inquietações, mas….

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