IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • O IMPÉRIO ORIENTAL

    A evolução das coisas na Turquia é, de longe, uma ameaça maior que todos os fundamentalismos juntos. É que, se Mustafá Kemal fez os mais revolucionários esforços para ocidentalizar a Turquia, Erdogan está decidido, custe o que custar e a quem custar, a remuçulmanizá-la, e da pior maneira.

    Longe vão os dias em que, na praça Taksim, protestavam os que temiam o iminente caminho para a ditadura teocrática, o poder pessoal, o fim do Direito no Estado e dos direitos dos turcos. Hoje, nem a uma só voz é permitido pôr em dúvida tal caminho. As listas da purga estavam elaboradas, como é evidente, à espera de uma oportunidade. Nenhuma liberdade escapa, nenhuma opinião desalinhada se tolera e – maior perversidade é impossível – em nome de uma democracia, representada por massas ululantes, estabelece-se ou reestabelece-se o poder totalitário, sem peias nem escrúpulos.

    O “tampão” turco da Europa e do mundo Ocidental deixará simplesmente de existir, e ninguém sabe como nem quando outra estrutura fiável poderá ser posta em acto.

    São já evidentes as intenções do ditador de recriar a “grande Turquia”, com incontidas ambições hegemónicas no médio oriente, no Cáucaso, na Ásia central e, porque não, uma vez tal hegemonia consolidada, o avanço para Ocidente, coisa que jamais deixou de estar no imaginário colectivo dos saudosistas imperiais.

    Talvez nada disto venha a acontecer. Resta saber à custa de quê. Desta feita, a ameaça não é a de grupos terroristas mais ou menos organizados, nem a de loucos e camicases, é a de um poder imenso, militar e económico, disposto a tudo em nome de um regime que se diz democrático ao mesmo tempo que mete todos os valores da democracia no caixote do lixo. O poder turco vai deixar de ser alinhado com o Ocidente para ir buscar apoios à Rússia de Putin e a outros dignos de igual “confiança”, na mira de uma nova divisão de influências e de equilíbrios. Mudam os pratos da balança, aumentam os riscos, agora não de fora mas do próprio seio das nossas defesas.

     

    13.8.16

  • OS BENIGNOS

    Então, é assim:

    – O chamado ministro do ambiente, depois de declarar que este ano havia muito menos fogos que nos anos anteriores, reforçou a patetice afirmando que a época de incêndios era “benigna”. Benignidades destas nem da geringonça se esperaria.

    – A chamada ministra das polícias, coitadinha, assustada com os incêndios, fechou-se em copas. Sumiu-se. Fez ela muito bem, porque assim como quem anda à chuva se molha, quem anda ao fogo queima-se.

    – O Presidente, mui geringonçamente, disse que “enquanto a situação está quente é que se deve pensar”. Como é fácil de perceber, pôs as coisas de pernas para o ar. Popularidade oblige, nem que seja a dizer asneiras.

    – O chamado primeiro-ministro reiterou a sua inabalável confiança nos tipos que foram à bola com o Amorim e que querem taxar o sol e as vistas. Nada mais natural. A geringonça não peca, o fisco passou a divino e o Costa é o que é.

    – A filha do tipo da Segurança social, chamada secretária de Estado não sei de quê, informou a plebe de que “sente a falta de pensar”. Ainda bem. Que faria se pensasse com a mesma inteligência de que o papá faz alarde!

    – O chamado ministro da Educação (que viajou com os colegas no avião de Paris) e que não chegou a levar a olímpica facada, ao que parece continua muito entretido em Ipanema. Era bom que se deixasse ficar por lá.

    – O chamado ministro da defesa, depois do acendrado gayismo que propagandeou, parece ter desaparecido em combate. Boa notícia.

    – O chamado ministro da economia, nem com os números esborrachados na “face” dá o braço a torcer. É tão bom ser ministro!

     

    Um ex-colonizado dizia, aqui há anos: ei, os colonialismo acabou; quando acaba os independência? Por cá, hoje, diz o Zé: a troica acabou; quando acaba a geringonça?

    E assim vamos, entre benignidades, disparates, palhaçadas e esquerdoidismos.

     

    13.8.16

  • REGRESSO

    Nove dias sem Wi-Fi, sem computador, sem telemóvel, sim, à antiga, o IRRITADO a dormir, o dono cheio de calor. É bom, é mau, sei lá. Pelo menos foi uma coisa nova, tão velha, e tão nova!

    Chego. Que vejo?

    – O país a arder por todos os lados e um senhor de barbas, na sua qualidade de chamado ministro do ambiente, a comunicar que – certamente por mais uma milagrosa acção da geringonça – este ano ardem menos hectares que no tempo do anterior e propriamente dito Governo.

    – Uns chamados secretários de Estado, pobres rapazes, deslumbrados com as maravilhas do Terreiro do Paço, foram à boleia do camarada Amorim ver a bola em terras gaulesas. Coitaditos, devem ter sido denunciados por algum hiperliberal sem escrúpulos. A oportunidade de uma vida, irrecusável, assim arrastada na lama. Diz-se que, ao correr da farra, até conheceram pessoas que, noutras circunstâncias, não lhes ligariam bóia. Quem poderá condená-los? Aborrecido com o assunto (o da denúncia, não o da boleia), o trauliteiro-mor da geringonça, aquele que substitui o chamado primeiro-ministro em várias chatices, teve um ataque de moral republicana e, dando mostras de superior critério, decretou a elaboração de um “código de conduta”, coisa que já existe mas que os geringôncicos rapazes desconhecem. No parecer da citada criatura, o comum dos mortais, estúpido por natureza, comê-la-hão por boa e… “Assunto encerrado”, vociferou. Pois. Outras boleias virão, rapazes, não se preocupem.

    Por falar de boleias, eis que dou com o Senhor Presidente a pavonear a excelência da Nação nas plagas de Cabral. Mais uns desportos, especialidade de eleição da nova III (ou IV?) República, uns pontapés na bola, uns combates, uns triplos saltos, uma corridas, umas pedaladas… O problema é que, depois de meses de acendrada propaganda e certamente por culpa dos árbitros e/ou da organização, parece que as fábricas de medalhas vão ter pouco que fazer. Lá se vão umas comendas para o arquivo morto. Ainda por cima, o chamado ministro da educação e uma sua educanda ou apaniguada ou ajudante (honnî soit…), foram atacados à facada em Ipanema, sabe-se lá se por algum enviado das escolas privadas, do patriarcado, dos bas-fonds da direita, ou por aquele juiz de quem o atacado não gosta e cuja demissão mui democraticamente exige. Tudo isto contribui para o menor brilho do desportivíssimo périplo das autoridades portuguesas por terras de Vera Cruz. Uma pena, não acham?

    – Pessoas tidas por sabedoras, mas tão só possuídas de mesquinhos ódios, continuam a dizer que estamos metidos num imbróglio de aldrabices económico-financeiras de tal ordem que nada nos salvará de uma miséria bastante pior que a herdada de seis anos de socretinismo. Onde podem chegar a malquerença, a cegueira ideológica, a partidarite que anima esta gente! Ainda por cima (com os socialistas europeus à frente!), não há um só governo, um só político, uma só instância nacional ou internacional que não diga o mesmo. É demais! Uma conspiração universal só comparável, em desapiedada sanha, com a que movem os poderes judiciais contra esse impoluto e admirável cidadão que dá pelo clássico nome de Sócrates.

     

    Enfim, tantos dias longe, e está tudo na mesma. Ou pior, que o calor é muito e a inteligência foi, sine die, de férias.

     

    9.8.16

  • DE VOLTA À TROICA

    O acordo com a troica, bem ou mal concebido, foi o que foi. Teve coisas boas, menos boas, e más. Já passou. Agora, uns tipos do FMI resolveram “julgá-lo”, o que se espera possa vir a ser útil quando a geringonça se entregar nos doces braços duma nova troica qualquer, como é hábito do PS.

    É claro que as esquerdoidas & Cª vão fazer a barulheira do costume contra os emprestadores. Não colhe. São águas passadas, menos graves que as que aí virão. Vão aproveitar para zurzir mais um bocado o governo da coligação, sua especialidade gourmet. Não colhe. Toda a gente sabe que, se os resultados não foram tão bons quanto desejável, às esquerdoidas e ao Tribunal Constitucional se ficaram a dever.

    Diga-se, em abono da verdade, que o governo de então, não concordando, se submeteu às decisões do TC, coisa que o governo da geringonça não faz: o primeiro acórdão do TC que lhe não convinha foi objecto de ordens estritas do chamado ministro das finanças para que não se cumprisse. Quem é que, afinal, está contra a Constituição?

    Interessante é verificar que não há um jornal, um comentador, um político que fale nisto. Porquê? Não sei, mas é-me legítimo pensar que a geringonça domina mais a informação do que o camarada Erdogan, ainda que por meios mais subtis.

     

    28.7.16

  • BRILHANTE RELATÓRIO

    Talvez para se redimir da sua posição de apoiante do Seguro e da sua reiterada não simpatia pelos partidos comunistas, o camarada Brilhante dedicou os seus dias como presidente da comissão de inquérito ao Banif à nobre tarefa de encontrar um inesgotável número de culpados, políticos, gestores, banqueiros e bancários, a omni-culpada “Europa”, a dona Maria Luís e tantos mais. Com algumas excepções, a saber: o PS, o chamado primeiro-ministro, o inigualável Centeno, os parceiros políticos.

    Como diria o ultramontano Santos Silva, se o Brilhante se metesse como PS, levava, e o relatório não passava. Assim, pode dizer-se que, brilhantemente, o Brilhante se safou de chatices e ganhou importante acrescento ao seu geringonço prestígio, assim melhorando os seus dias.

    Segundo o brilho do brilhante relatório, tudo estava errado menos os 4 mil milhões que, generosamente, o PS enterrou no Banif. Todas as soluções estavam erradas: a do PS estava certa! Isto, sabendo-se que a CE nunca exigiu tal solução nem impôs o prazo de que a acusam. Que diabo, o que era preciso era que o pontapé dos milhões fosse culpa de 2015, como se tivesse sido o governo anterior quem assim os gastou.

    Saude-se o inegável talento manobrista do chamado governo e dos seus parlamentares apoiantes.

    Vamos longe.

     

    28.7.16

  • QUE GENTE É ESTA?

     

    Consultas entupidas, cirurgias adiadas, confusão nos serviços aos doentes internados, tudo porque há quem queira trabalhar menos 5 horas por semana. Bonito.

    Pois. Eu sei que trabalhar faz calos e que os calos são uma coisa desagradável. Mas a pergunta que há a fazer é se o direito à greve se sobrepõe ao direito de quem precisa de uma cirurgia, de uma consulta, de uma urgência, de uma assistência. Ou seja, se os que têm a faca e o queijo na mão tem mais direitos que os que precisam do queijo.

    Diz-se que os enfermeiros e quejandos são mal pagos. De acordo. Salvo poucas excepções, haverá alguém bem pago em Portugal? Haverá alguém que, querendo progredir na vida, trabalhe só 35 horas por semana? E que direito há de prejudicar os mais carentes para fazer exigências de privilégios que aos mais não são dados? Pois, eu sei, são funcionários públicos, membros de eleição de uma aristocracia laboral inamovível, indespedível, vitalícia. Também sei que teriam com certeza outros meios de negociar os privilégios.

    Parece que um mínimo de moralidade é coisa que deixou de fazer parte do vademecum dos portugueses.

     

    28.7.16  

  • ACABOU A GUERRA? NEM POR ISSO

     

    Em tempos, o IRRITADO deu-se ao luxo de prever que não ia haver sanções, nem multas, nem nada que se parecesse. A infrene propaganda política que se seguiu, porém, fê-lo duvidar do seu prognóstico. Afinal, tinha razão.

    Enquanto, em Espanha, ninguém, da esquerda ou da direita, se preocupou por aí além com a história, por cá foi o que se viu. O inimigo, acantonado em Bruxelas, preparava-se para atacar a nobre Pátria portuguesa. De todos os lados choveram os protestos, os gritos de alma da soberania ameaçada pelo tenebroso inimigo que, sob as ordens do General Schäuble, se preparava para o ataque. Era o PPE, a direita!, quem manobrava na sombra para pôr em causa a honra lusitana, qual Duque de Alba, ameaçador, na raia da Extremadura.

    Saíu tudo ao contrário. O General Schäuble, nosso tenebroso e figadal inimigo, telefonou aos chefes de todos os exércitos, dizendo que não, não atacassem*. E, como não podia deixar de ser, foram as hostes socialistas, às ordens do coronel Olrik, perdão, Disselbloem ou coisa que o valha, quem quis beber o sangue da Nação. O sargento Junker, também ele do bando da tenebrosa direita, alinhou com o general. Um espanto, uma incoerência? Ou a verdade atirada ás fuças da geringonça e do indignado Presidente?

    Toda a gente sabe que o castigo, a haver, seria consequência da desconfiança universal, à esquerda e à direita, que a geringonça gerou, e continua a gerar. Por isso, não parecia lógico que fosse o governo anterior quem motivava a punição.

    Foi o que aconteceu. O passado deu à República a confiança que o presente não merece. O resto é conversa, ou propaganda barata. E ninguém enfiou o barrete dos 4.000.000.000 milhões do Banif “cientificamente” atirados à pressa para os braços de 2015.

    Passos Coelho ganhou este round. Bem o merece.

    O que a seguir vier será outra coisa. Ou a gringonça tem algum inusitado ataque de vergonha, ou a marreta cai-nos em cima sem dó nem piedade. Nessa altura, nem o General Schäuble nem o folclore presidencial nos valem.

    *

    *Atentem na “atenção” que os nossos media deram ao facto: uma pequena local aqui ou ali. E ainda há quem diga que o Pinto de Sousa os queria dominar. Queria, mas não conseguiu a silenciosa cumplicidade que os seu avatares conseguem.

     

    28.7.16

  • VAE VICTIS

    A monarquia Constitucional caíu, em boa parte por, a partir do Ultimato, ser considerada incapaz de manter o Império. A I República fez, da defesa do Império, a primeira das suas causas, ao ponto de, por causa dele, nos ter metido noma guerra que, directamente, não nos dizia respeito, e ceifou muitos milhares de vidas. A II República, neste aspecto, mais não fez que seguir a primeira: o Império estava acima de tudo. A III República, empurrada pelos “ventos da história”, negou as outras duas: o Império, mais do que tendo deixado de se justificar em face da nova moral política, era coisa para, simplesmente, abandonar à sua sorte. Para tal, perdeu guerras que estavam ganhas, foi buscar inexistentes líderes africanos (todos sovietizados), sacrificou muitas centenas de milhar de portugueses, deixou que os africanos fiéis a Portugal fossem fuzilados, não se importou de mergulhar os seus ex-territórios em guerras fratricidas de anos e anos, ou de os entregar nas mãos menos aptas a protegê-los.

    Tudo isto é passado, dir-se-á. Já não interessa. Poucos terão ainda a noção do que foi provocado. Sendo indiscutível que o Império não tinha uma solução imperial e que a teimosia da II República conduzia a um inevitável desastre, o fenómeno a que hoje asistimos é o da negação de um passado controverso à luz de critérios do presente mas que, queira-se ou não, é o nosso passado colectivo, velho de mais de quinhentos anos. Negá-lo ou condená-lo é auto negar-nos e auto condenar-nos. De descobridores, civilizadores e universalistas, passámos, na mente do politicamente correcto, a esclavagistas, assassinos e canalhas históricos. Qualquer alegado episódio menos nobre das guerras do Ultramar é generalizado, transformando as enormes lições de humanidade que elas representaram num mar de massaces, torturas e bárbara destruição. O que é, simplemente, mentira. Mas é o que “estudiosos”, “estatísticos” e “historiadores” por aí proclamam para quem os ouve. As novas gerações não têm já outras referências que não sejam as da continuada manipulação dos factos.

    Não admira que, a partir até da mais alta instância da nossa política, o patriotismo seja reduzido ao futebol e os nobres símbolos do passado condenados à destruição, como aconteceu agora na praça do Império.

    *

    Como é tradicional, este ano reuni com alguns dos que restam daqueles que comigo andaram 27 meses pelo Norte de Angola (1964/1967). Para além dos copos, dos abraços, da troca de velhas memórias, quantas delas já pasto da imaginação de cada um, uma coisa, como sempre, me impressionou: a mágoa com que os combatentes se vêem troçados, desmerecidos, insultados pelo hodierno “pensamento”. Não merecemos isto, dizem todos, sejam quais forem as preferências políticas que vieram a abraçar durante a III República.

    Vae victis, diziam os latinos. Só que nós não fomos victis. Nem no campo de batalha, nem na alma dos alegados vencedores. Somos, sim, todos os dias, vencidos pela “História” que nos é impingida à revelia da verdade e da honra.

     

    27.7.16

  • AMÉRICA, EUROPA, PORTUGAL

    Trump e Sanders são os grandes tiunfadores do complIcadíssimo processo eleitoral americano. Trump (ou trampa) fez passar a sua bombástica pessoa via ameaçadoras declarações nacionalistas, isolacionistas, xenófobas, a lembrar as protofascistas Marine Le Pen, francesa, e a nossa (deles) tontíssima Catarina Martins. Sanders, por seu lado, mui socialisticamente confundindo democracia com esquerda radical, levou a melhor contra a sua rival dona Hilária. A troco de envenenado apoio, a candidata introduziu o programa dele no dela, ficando sem margem para tergiversar, isto é, funcionando como a Bloca funcionou e funciona em Portugal ao meter-se na política do PS. Com uma diferença: o PS gosta da intromissão, a dona Hilária parece que não; come-a por ilusão eleitoral.

    A crer no que dizem vários jornais, o eleitorado do velho Sanders ficou dividido. Boa parte dele –   os bloquistas lá do sítio – prefere votar Trump e dar com os pés na Hilária. Ela enganou-se ao comprar as boutades do Bernie. Desagradou aos seus, tanto aos mais como aos menos à esquerda. Estes, não vêem com bons olhos a esquerdização da campanha. Aqueles, muitos deles, mal por mal, preferem imolar-se na fogueira trumpista.

    Seja qual for o resultado de mais este profundo falhanço da democracia ocidental, o caldo está entornado. Ou teremos um Trump desestabilizador, infiel a qualquer compromisso, populista desbragado, politicamente incapaz, ou uma Hilária prisioneira da demagogia esquerdoide do seu ex-rival.

    Se somarmos isto à estagnação política do resto da Europa e, no nosso caso, à iminente desgraça que o chefe Costa, os seus apaniguados e o seu guru de Belém preparam, e de que já não há quem duvide, temos um futuro promissor…

      

    27.7.16

  • NÃO HÁ NENHUM PROBLEMA

    Parece que o chamado governo vem afunilando as suas opções, ou por imposição dos partidos comunistas, ou por gritante populismo e propositada incompetência. O défice, em tempos classificado como prioridade secundária pelo social-jacobino Jorge Sampaio, passou a ser a primeira escolha desta gente. Para trás ficou tudo o que interessa, a estabilidade financeira, o progresso económico, a credibilidade externa e interna, a produtividade e outras coisas, ou tidas por de somenos, ou sacrificadas ao que “está a dar”, quer dizer, à criação do inimigo externo (Bruxelas/Berlim), velho e relho argumento de ditadores, demagogos e populistas.

    Para justificar a fixação no défice (sem tomar medidas concretas para o aliviar), vale de tudo um pouco, ou um muito.

    A ilustrar o facto, a barata tonta a que chamamos primeiro-ministro resolveu dar direiro de agenda às “cativações” e à “almofada”.

    Aquelas, são de duas naturezas: por um lado, não pagar o que se deve às pessoas, às instituições, às empresas; por outro impedir a administração pública de fazer despezas devidamente orçamentadas pela geringonça. Isto, ao ponto de não pagar o que o próprio Tribunal Constitucional decretou devia ser pago! Decisões do TC serviram para esgrimir “ataques à Constituição” na anterior legislatura, “ataques” que o governo a seu tempo assumiu, agindo em conformidade com os respectivos acórdãos. Quando o TC decide contra os outros, a geringonça acha muito bem; quando é a geringonça a ter que pagar, então o Tc que se lixe! Tudo em nome do défice e das “cativações”.

    Quanto à “almofada”, não se sabe, nem é dito, onde foi buscá-la o chamado governo. Quando a dona Maria Luís declarou a existência de tal coisa, aqui d’el Rei que era mentira e demagogia. Agora, pergunta a ignorância do indígena, onde foi o chamado primeiro-ministro encostar a cabecinha? Evidentemente, à execranda almofada, já muito por ele depredada, da dona Maria Luís!

    Que mais nos está para acontecer? Perguntem ao chamado governo. Ele responderá, feliz e contente, que não há nenhum problema.

     

    20.7.16

  • INOVAÇÃO

     

    Consta que há várias startups a fazer projectos para a fabricação de medalhas, condecorações e comendas. Está calculado que, durante o consulado marcelista, serão necessárias centenas de milhões dos referidos produtos, competindo às startups adiantar-se à oferta chinesa.

     

     20.7.16

  • DA SOCIAL-INTELIGÊNCIA

    Aqui há tempos, houve um jornal que paragonou uma “boca” sobre o Banif. Dois dias depois, exaurido, o Banif capitulava em definitivo. O que se seguiu foi a habitual forma inteligente como o PS trata este tipo de problemas. Mas isto não vem ao caso.

    O que vem ao caso é, mais uma vez, a inteligência brilhante do chamado governo. Desta feita, não é um jornal a produzir a bocas: é o chamado ministro das finanças! O idiota anuncia oficialmente que o governo está a encarar, para o Novo Banco, a solução final: a resolução, isto é, o fecho, a bancarrota, o fim.

    Se amanhã, a malta começar a sacar a massa que lá tem, a coisa poderá ser tão rápida como a do Banif.

    Se alguém, em Portugal, pensava que a estupidez tinha limites, o melhor é pôr-se a pau, e deixar de pensar.

     

    19.7.16

  • CURTAS

     

    Nos primeiros três meses de 2016 o consumo excedeu o rendimento disponível das famílias em 356.000.000 de Euros (“Expresso”). A economia, essa, regrediu. Como se vê, a receita Centeno/geringonça é uma maravilha. Depois queixem-se.

     

    As receitas em papel estão a dar raia informática. Se fosse como no tempo do “Citius”, a estas horas já tinham caído o Carmo, A Trindade, o Marquês e o Saldanha. Pelo menos.

     

    Mais um cãozinho devorou uma criança. Os donos foram absolvidos, por razões atendíveis. Resultado: os cães perigosos continuam legais. O partido animalesco acha muito bem.

     

    18.7.16

  • ATATÜRK MORREU

    Tive vários amigos turcos. Um deles – teria hoje uns cem anos – inesquecível pela sua inteligência, bom humor e bom conselho. Halûk Bayulken de seu nome, foi quase tudo na hierarquia da Turquia laica: diplomata, embaixador em Londres e Washington, ministro da defesa e dos estrangeiros, Legião de Honra, Ordem do Império…

    Guardava, com graça, um cartão de identidade em árabe otomano, que provava ter uns seiscentos anos de idade… na era de Maomé. Com o mesmo espírito, dizia que tinha, no Reino Unido, o direito a ser tratado por His Lordship e, na Turquia, por His Godship, já que o seu nome era o de um deus dos tempos anteriores ao Islão.

    “Ataturquista” convicto, costumava explicar que, na sociedade turca, a democracia e a separação da religião e do Estado não eram coisas fáceis de manter. Por isso, Mutafá  Kemal (Ataturk – pai da Turquia) tinha estabelecido constitucionalmente que competia às forças armadas a guarda última do regime e a sua opção ocidental e laica. O que, convenhamos, às vezes dificilmente justificava certas intervenções ditas “correctivas”. Costumava citar Jesus Cristo como o grande inventor da fórmula mágica “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. E se, para manter o princípio, fosse preciso um toque militar…

    Para nós, isto parece estranho, até inaceitável. Mas, se pensarmos duas vezes, se olharmos com atenção o pulsar social sempre presente na cultura e nas mentalidades turcas, alguma compreensão teremos para com as ideias do meu amigo. Não tivemos nós um golpe militar a abrir caminho para a democracia?

    Um longo percurso eleitoral levou Erdogan, à frente de um partido islamista tido por moderado, ao cume do Estado. Ajudado por um clima económico favorável, foi reforçando o seu poder ao mesmo tempo que restaurava o “chador” e dava privilégios clericais. De caminho, arrancou numa cavalgada de poderio, pôs em causa o poder judicial, “saneou” juízes, demitiu e substituiu as hierarquias militares, prendeu generais “suspeitos”, fechou jornais incómodos, alterou a Constituição, etc. Por outras palavras, serviu-se do apoio popular democrático para pôr no lixo a democracia, locupletando-se com o poder sem reconhecer limites de legitimidade.

    O golpe militar falhado de anteontem, falsamente atribuído a um imã ultramoderado que vive nos EUA e cujo único “defeito” grave e “crime” visível é não ser partidário de Erdogan, foi talvez o último suspiro do regime fundado por Mustafá Kemal.

    A julgar pelas declarações do ditador e pelas medidas já tomadas, a caça às bruxas está lançada, fala-se abertamente na aplicação da pena de morte, milhares de juízes foram presos ou impedidos de exercer, a razia nas forças armadas é infrene, as liberdades públicas acabaram, num nunca acabar de exercício do poder “democrático”.

    O Ocidente em geral e a Europa em particular, terão que lidar com mais esta “primavera”. O que se segue é incerto e extremamente perigoso.

    Pobre Bayulken, pobre Ataturk!

     

    17.7.16

  • QUANDO?

    Qual barata tonta, o chamado primeiro-ministro desdobra-se em acusações a este mundo e ao outro, na infrene tarefa de arranjar inimigos, culpados, canalhas que pululam por essa Europa fora, mobilizados para prejudicar a nobre Lusitânia, para lhe roubar a soberania, para usar tratados contra ela, para abusar das fraquezas nacionais, para arruinar a Nação e humilhar os portugueses, nobre povo Nação valente.

    Mais não faz que tentar, por um lado, submeter-se aos argumentos da Bloca, por outro agradar à sua líder, Catarina a louca.

    Vistas as coisas com olhos de ver, há em tudo isto uma lógica inultrapassável. Os “europeus”, à excepção do único aliado do chefe Costa (o Syriza, pois então, vem nos jornais), servem-se do peregrino argumento formal dos duvidosos 3,2% de défice de 2015 para disfarçar a verdadeira razão das eventuais sanções: a total, e geral, desconfiança nas loucuras políticas e orçamentais da geringonça. Não há uma só instância, um só governo, uma só pessoa no pleno uso das suas faculdades mentais que acredite no sucesso das mirabolantes receitas do Centeno ou nos optimismos do Costa e do seu parceiro Marcelo. Ninguém!   Por isso, ao mesmo tempo que fazem crer na história dos 3%, instam o chamado governo a tomar medidas. Quais medidas? As que invertam o caminho. Medidas certas mas politicamente impossíveis. Costa depende dos que acham que o dinheiro brota como a água do luso e que só é preciso ter uns garrafões para dar de beber à economia. Caso contrário, cai. E, entre cair e arruinar o país, Costa não hesita: arruine-se o país.

    Syrize-se a geringonça, syrise-se o país. Que importa, pelo menos enquanto estamos na mó de cima? As contas estão feitas. Se provocarmos eleições enquanto estamos na mó de cima, tudo bem: ganhamos, corremos como o PC, caso com a Catarina, o poder é nosso!

    Talvez as contas lhe saiam erradas. O problema é quando, isto é, haverá ainda, nessa altura, alguma coisa que se aproveite?

     

    14.7.16

  • UMA VERGONHA

    Assisti ontem a parte de uma sessão de propaganda da dona Catarina, docemente proporcionada pelo “serviço” público de televisão. Uma suave apresentadora, dois tipos sem garra, um espectáculo de trambiqueirismo nacional-comunista. A senhora tem o dom da palavra, a cartilha bem decorada, o gesto bem ensaiado. Consegue debitar perigosíssimos chorrilhos de asneiras com o ar mais natural deste mundo.

    Temos mulher, dirá a extrema esquerda. Temos um problema, dirão os que percebem a progressiva siryzação do poder em Portugal, os que vêm que o PM já só existe como avatar desta senhora. Uns e outros sofrerão as consequências. Toda a gente sabe que é uma questão de tempo, e de um tempo já não muito longínquo.

     

    14.7.16

  • COISA BONITA

    Para falar de algo positivo, até admirável, cá estou a referir a despedida parlamentar de Cameron (video no Youtube, que recomendo). Humor, respeito, dignidade, serviço, reconhecimento e um nunca acabar de bonomia, ironia e boa disposição. Cameron despediu-se com muita obra a seu crédito, mau grado o azar do brexit. O seu consulado cifrou-se em mais um triunfo social e económico de um Reino saudavelmente liberal.

    Nota. Reparem num pormenor interessante, tão em desuso no “progressismo” sulisto-ibérico: na sessão, todos os deputados tinham gravata. Devíamos olhar para isso, num país onde até o Presidente recebe, no Palácio Real de Belém, tipos de ticharte e jines.

    14.7.16

  • O QUE É DEMAIS PASSA DA CONTA

    Não fiz as contas, mas comendas foram às dezenas. No mesmo saco foram metidos os que ganharam uma competição globalmente importante e umas meninas que fizeram imenso sucesso lá na terra. Se as condecorações dos tipos da bola – bastava distinguir o treinador -foram um exagero tolerável, o resto é populismo, ou pior. A III República arrisca-se a ter de comendar o ganhador do bilhar às três tabelas, um domador de canídeos e, já agora, a melhor costureira da Brandoa.

    Antes do 10 de Junho, o nosso Presidente declarou que iria ser parco em condecorações. À sua moda – só quem não o conhece não a sabe – acabou a fazer o contrário, distribuindo  medalhas aos pontapés. Arrisca-se a não ter outro remédio senão entrar numa de “ou há moralidade ou comem todos”.

    Tem mal? Tem. As distinções honoríficas deviam ter mais dignidade, não ser vulgarizadas, ser reguladas por critérios muito estritos e muitos sérios. Eu sei que há distinções meramente formais. Que haja: distinguem-se pessoas pelos cargos que desempenharam, dignitários estrangeiros por prémio de função, etc. . Mas, para além daquilo a que protocolos ou praxes obrigam, a parcimónia devia ser lei.

    Deixou de ser.

    O nosso Presidente, de tão popular, já passou a populista. Não tarda será popularucho. O ridículo mata.

     

    14.7.16  

  • DA VIDA DE CADA UM

     

    Tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, tem consequências, boas ou más. Se um cidadão andar a carregar baldes de cimento e der nas vistas ao seu supervisor, é natural que passe à frente de terceiros no seu caminho até pedreiro; e se, como pedreiro, for apreciado, é natural que alguém o contrate para chefe de pedreiros, e assim por diante. O mesmo com a diligente secretária, a quem o chefe proporciona a frequência de cursos de qualificação que, step by step, com muito e bom trabalho, a levem a posições de relevo. Ou com um rapazito dos recados (conheço pelo menos um) que venha a ser economista de topo numa grande empresa. Há quem construa um futuro brilhante, há quem não o consiga, não queira, ou não tenha para tal as necessárias qualidades. Não pode é andar entretido com horários de trabalho e sindicatos, pelo menos na opinião do IRRITADO.

    En tudo isto há também sorte, ou a falta dela, há os acasos desta vida, há coisas que umas vezes empurram para cima, outras não. C’est le vie, como diria Lapalice. E há também as pessoas que cada um vai conhecendo ao longo da vida e que, para bem ou para mal, vão abrindo ou fechando oportunidades.

    Nunca me fez qualquer espécie de confusão a história, tão miseravelmente glosada, dos políticos que, saindo da política, passam para cargos importantes na esfera privada. A “opinião” condena, por um lado, que alguém seja político profissional, às vezes sem outras qualificações que não sejam as que a tal levam. A mesma “opinião” inverte razões e entra em fúria quando alguém, saído da política, arranja algum emprego daqueles que fazem boa inveja a uns, má inveja a outros – quase todos.

    Se um médico que foi ministro da saúde voltar à profissão e dirigir um grande hospital privado, que mal há nisso? Devia ir engraxar sapatos no Rossio? Se um engenheiro que foi ministro das obras públicas ingressar numa grande construtora, onde está a indecência?

    A “opinião” instalada inverte o ónus da prova todos os dias. Parte do princípio de que vão entrar na venda de influências, em cambões, em cartéis, e são condenados na praça pública, não por ter prevaricado mas porque é “da natureza das coisas”. Substitui-se a justiça por processos de intenção.

    Vem isto a propósito da recente nomeação do senhor Barroso para semi-chefe de um influente banco, uma máquina de fazer dinheiro – no nosso caso, até tem que o criar, já que, só o BES, lhe ferrou uma pantufada de 900 milhões. Barroso, com mais ou menos merecimento, gerou um capital pessoal tido por útil ao novo patrão.

    Ninguém, incluindo este escrevinhador, terá qualquer sombra de simpatia pelo homem, um tipo desagradável, antipático, supremamente convencido, mais preocupado consigo que com seja o que for. Por uma questão de bom senso, não devia ter aceite a função. Por um lado, sabia a tempestade opinadora que iria desencadear, por outro não precisava daquilo para nada, vistas as inumeráveis mordomias, merecidas ou não, que já lhe tinham sido oferecidas e sido aceites.

    Para nós, será sempre o homem do “choque fiscal” – que falhou rotundamente – e o do abandono do cargo para que foi por nós eleito. Foi também o homem que arrostou com a crise europeia sem que se lhe tenha ficado a dever algum rasgo de génio. Não passou de chefe de uma colossal burocracia, sem que se lhe tenha ficado a dever reforma alguma.

    Não há que dar a Barroso os parabéns por mais esta promoção. Mas também não haverá que aproveitar para mais uma tempestade mediática, ora feita de alguma razão, ora de puro despeito.

     

    12.6.16      

  • BARATOS AFECTOS

    A demagogia, às vezes, não passa o nível do ridículo.

    Olhem o caso do nosso Presidente. “Acusado” de usar um avião do Estado para ir ao futebol, fez, primeiro, constar que tinha pago a viagem do seu bolso. Alguém, bem ou mal, fez contas e disse que a viagem tinha custado 14.000 euros. E lá veio o “esclarecimento”. Não, o senhor Presidente viajou com mais 11 pessoas. Fez as contas ao combustível, dividiu por 11, e pagou 600 euros do seu heróico bolso.

    Ora, ou o senhor Presidente viajou oficialmente (o que, diz-se,  foi o caso), e usou um avião destinado exactamente a tal efeito, não tendo nada a pagar, ou foi em viagem particular, coisa que qualquer mortal fará por bem menos de 600 euros.

    Parece que a doutrina dos afectos, afectando 10 milhões, a 600 euros cada, é tão baratucho quão ridículo.

    *

    Há muitos anos já, foi um jornal perseguido criminalmente por ter “acusado” o Presidente Eanes de se deslocar num helicóptero da força aérea a uma reunião preparatória da fundação do seu partido político.

    O tal jornal acabou absolvido, uma vez que era público e notório que Eanes usava o fim do seu mandato para apoiar a criação dessa coisa absurda, inútil e contraproducente que foi o defunto PRD. A pé ou de helicóptero, era muito grave.

    *

    O caso dos nossos dias é bem menos grave. Mas Marcelo, em matéria de ridículo, ultrapassa largamente o seu antigo colega.

     

    12.6.17