Anda o país inteiro de boca aberta com a não existência de oposição às inúmeras aldrabices do governo.
De há muito exilado no Porto, o espantoso líder do PSD abandonou a sede do partido, passou a receber os seus áulicos no Bulhão e, após algumas manifestações de fé na transformação do seu partido em bengala parlamentar do adversário, remeteu-se a sepulcral silêncio, “justificado” este com as suas ininterrompíveis férias. Por outras palavras, desde que foi eleito mais não fez que transformar o PSD em capacho do socialismo vigente.
É voz corrente, e certeira, que o homem atingiu os limites do princípio de Peter na Câmara do Porto. De lá, nunca saiu. Nem sequer se assume como líder do “norte”: fica-se pela Boavista, pelas suas bacocas rivalidadezinhas, ao ponto de, para falar com ele, os seus próprios ajudantes terem que lá ir.
Isto, ao ponto de a notícia mais relevante que dele advém nos últimos meses ser a de que anda a processar os militantes que gastaram dinheiro a mais na última campanha autárquica. Não contesto que, se for facto que houve quem se alapardasse com dinheiros do partido ou tivesse ultrapassado largamente os gastos autorizados, tenha razão. Mas é, pelo menos, politicamente miserável que a única notícia que nos vem do Porto seja a da (legítima) fiscalização das falhas da sua própria organização.
E os outros? E o país? E a devastação dos serviços públicos que por aí campeia à vara larga, dos transportes à educação, da saúde à defesa? E as fantásticas declarações do poder sobre os incêndios? E os generais que nem cabos deviam ser? E a espantosa gabarolice do chamado primeiro-ministro? Nada disto merece uma palvra?
A “nova política” que anunciou, onde está? Será que as pessoas que querem, ou queriam, votar PSD, existem na sua cabeça ou merecem da sua parte alguma consideração? A chamada “estabilidade” merece o sacrifício delas, do que resta do regime e do país?
Alegrem-se. O senhor Rio vai, segundo programado, relançar as coisas a jogar à bola numa espécie de torneio para solteiros e casados por ele organizado, coisa que já é pasto de generalizada troça. Depois disso, ainda a cheirar a suor, vai comer uns pastéis de bacalhau e fazer um discurso. Para quê? Para pedir desculpa do que (não) tem andado a fazer? Para pedir mais alguma ajudinha ao PS? Para lhe pedir um lugarzinho no bengaleiro? Para dizer, como já disseram por ele, que talvez seja “dificílimo”, mas não impossível, vir a deixar passar, ou a apoiar, o orçamento da geringoça? Para voltar a tecer loas à chamada descentralização, de que – para além do próprio e do seu bem-amado Costa – ninguém gosta e parece já ter dado o que tinha a dar?
Pelo andar da carruagem, tudo isto é possível. Ou pior.
Oxalá me engane. Sem sombra de esperança o digo.
31.8.18

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