Lembram-se da gritaria de PS contra a política de austeridade e de “empobrecimento”, lembram-se das rebuscadas condenações de uma frase que rezava ser preciso ir “além da troica”, dos clamores contra o “neoliberalismo”, das ofensas soezes e diárias ao governo de Passos Coelho, da “insensibilidade social” do dito, anos de virulenta e desenfreada propaganda da oposição de esquerda contra o processo que levou à saída limpa – dita suja pelo PS? Lembram-se?
A nora da política rodou. Agora, políticas muito mais duras, as aplicadas na Grécia, são fonte dos maiores elogios e encómios que, sob a alta direcção do Centeno, do Costa e de quejandos, por aí se produzem.
Ao ponto de um jornal de ontem publicar um artigo do delicodoce pantomineiro que dá pelo nome de Zorrinho – a lembrar zurros de burrinho – perorarando sobre a excelência das políticas europeias aplicadas naquele país, dos seus extraordinários resultados, da forma como asseguram a independência e a estabilidadel, como reforçam a solidariedade e a coesão da UE, etc.
Ou seja, as ontem condenadas e vilipendiadas políticas de estabilização financeira aplicadas em Portugal, uma vez em vigor, mas a triplicar, na Grécia, passam a ser a salvação, a solução ideal, a trave mestra de uma fantástica recuperação económica e financeira.
Não sei se se trata de lata estanhada, se de pura estupidez, se de desonestidade intelectual e política. Caridosamente, escolho a lata estanhada, o topete, o descaramento ou, se quisermos ser justos, o alinhamento canino e rasteiro com o status quo do socialismo nacional, em si estúpido, desonesto e carregadinho de lata.
Que fique registado, mesmo que só nestas páginas.
30.8.18

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