IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O SOBRINHO

 

Nunca passou pela cabeça do IRRITADO ler um artigo (6ªfeira no DN) da dona Celeste Cardona. Nada de especial tem contra a dita, simplesmente jamais teve um título ou um destaque que lhe motivasse a curiosidade.

Na passada sexta, Cardona de férias, apareceu na página dela um “convidado”, palavra da Redacção: nada menos que esse luminar do esquerdismo que usa Alfredo Barroso!

Habituado a vê-lo por obra e graça da SIC Notícias e do inefável Crespo, o IRRITADO, que muito se irrita com o homem, as mais das vezes corta o som para não ter que lhe aturar as verrinas. Mas desta vez teve a curiosidade de ver o que escreveria tão desagradável criatura. Até podia ser que escrito fosse melhor que ouvido. Triste engano!

Eventualmente inspirado pela brilhante mente do bispo Januário, o homem não deixa créditos por mãos alheias.

Começa por se qualificar profissionalmente como Ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República, no célebre estilo do senhor que, orgulhoso do seu currículo, pôs no cartão-de-visita Ex-passageiro do paquete Funchal. Com uma diferença: é que este terá sido mesmo passageiro do tal paquete. Aquele, o nosso Barroso, nunca foi chefe da casa civil da Presidência da República, pela simples razão que a Presidência da República não tem casa civil: quem a tem é o Presidente. Compreende-se a aparente gaffe do articulista: é que o Presidente dele era o seu extremoso tio Mário Soares. Como é evidente, não ficaria bem a uma pessoa que passa a vida a dizer cobras e lagartos daquilo a que chama nepotismo, aparecer sem outro título de glória que não fosse o de ter sido, ainda por cima literalmente, nada menos que um nepote como outro qualquer. Um sobrinho profissionalizado.

Enfim, inferioridades a que cada terá direito, não vindo daí mal de maior ao mundo.

O pior é o resto. Começa por classificar o Doutor António Barreto – sem lhe citar o nome – como um famoso sociólogo outrora estalinista e agora ao serviço de um grande merceeiro. Este mimo, revelador da alta educação deste sobrinho profissional, inculca também a classificação do financiador da utilíssima Fundação Manuel dos Santos (Alexandre Soares dos Santos) cujo nome também não cita – com a chocarreira classificação de “grande merceeiro”.

Depois, ó inteligência, o homem vai ao que interessa: demonstrar que a ideia de mendigar um prazo mais alargado para o “período de ajustamento” das nossas finanças é património da esquerda! Não faltam vozes à direita a dizer o mesmo, mas o alargamento do prazo, na cabeça deste macacão é, certamente, como a democracia: coisa de esquerda. O IRRITADO não faz ideia se tal alargamento é coisa boa ou coisa má: tem lido e ouvido os argumentos, e não consegue ter uma opinião acabada. Mas tem ouvido e lido opinião favorável de muita gente que não tem nada a ver comos partidos comunistas, com oco Seguro, o Mário Soares, o sobrinho, et alia.

Quem, nesta altura, achar que a defesa do alargamento do prazo é o verdadeiro objectivo da triste arenga do triste Barroso, desiluda-se. Tal objectivo é o de “demolir” o ministro da economia, para tal se servindo de um livro que o homem escreveu, um “tijolo” nas delicadas palavras do Barroso, onde defendia coisas que ela acha ser coincidentes com as actuais teses “da esquerda”. É evidente que as citações do tal “tijolo”, que faz para demonstrar o seu ponto de vista, são evidentemente distorcidas, retiradas do conteúdo, abusadas, deslocalizadas no tempo, descircunstancialisadas – passe o neologismo – e cretina, insolente e pretensiosamente “interpretadas” pelo homem.      

 

Conheci o Barroso há mais de trinta anos, quando se deslocava, importantíssimo, nas rubras alcatifas do Palácio Real que a República usurpou e à altura “okupado” pelo tio. Usava uma peruca ridícula, primava por ser antipático, agressivo e arrogante e, como é de ver, achava-se o melhor do mundo. Em pessoa, nunca mais o vi. Até que o Crespo lhe deu a mão e o pôs a entrar cá em casa por via electrónica.

Absurdo defensor dos mais primários esquerdismos, surdo às mais evidentes realidades, em exclusivo motivado por ódios de pacotilha e, é de presumir, por diversas ordens de frustrações, Barroso é especialista em dislates e fanfarronadas.

Não merece comentários. Mas a irritação foi tal, que o IRRITADO não resistiu.    

 

21.7.12

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “O SOBRINHO”

  1. O Irritado, a dado momento da sua “brilhante” prosa, diz “…revelador da alta educação deste …”!É caso para relembrar “diz o roto ao nú”:

  2. O Sr. Alfredo Barroso, como pessoa e como comentadeiro, dá vómitos; mas, para minha grande surpresa, escreve algumas coisas com jeito. Descobri isto há pouco tempo, quando tropecei no blog dele. Suspeito que o Irritado não concorda, mas deixo à consideração dos restantes leitores: NEOLIBERALISMO. Não se trata de uma fantasia imaginada por esquerdistas. Como nos explica David Harvey, no seu livro O enigma do capital e as crises do capitalismo (Editorial Bizâncio, 2011), o termo neoliberalismo «refere-se a um projecto de classe que foi tomando forma durante a crise da década de 1970». «Mascarado por muita retórica sobre liberdade individual, autonomia, responsabilidade pessoal e as virtudes da privatização, do mercado livre e do comércio livre, o termo neoliberalismo legitimou políticas draconianas concebidas para restaurar e consolidar o poder da classe capitalista. Projecto que tem sido bem sucedido, a julgar pela incrível concentração de riqueza e poder que se verifica em todos os países que enveredaram pela via neoliberal. . De facto, o neoliberalismo está na base daquilo que alguns designam por «hipercapitalismo» e, evidentemente, na base da «financeirização da economia». A finança – que nunca devia ter deixado de ser um meio, um instrumento, uma alavanca – tornou-se um fim em si mesma. O dinheiro é rei e o homem é súbdito, a especulação financeira não conhece limites nem regras, o lucro imediato é o Santo Graal. Pior: a dívida é consubstancial, é indispensável ao bom funcionamento do sistema. A ganância e o egoísmo estão na essência do hipercapitalismo. São os agiotas, e não os políticos, que governam o mundo e estão a dar cabo da democracia representativa. . O hipercapitalismo, é bom lembrar, nasceu nos EUA e em Inglaterra durante a década de 1980, nos anos Reagan-Thatcher (e também teve como fiéis executores, através de férreas ditaduras militares, o general chileno Augusto Pinochet, assim como os generais brasileiros e argentinos, todos adeptos da doutrina neoliberal elaborada por Milton Friedman, acolitado pelos seus «Chicago boys»). Foi nessa altura que a progressão dos salários começou a ser bloqueada, o desemprego em massa gerou a precariedade e esta foi instituída em regra, ao mesmo tempo que os accionistas passaram a ser privilegiados em detrimento do factor trabalho. A acentuada diminuição da parte dos salários dos trabalhadores na redistribuição das riquezas, que partiu do mundo anglo-saxónico, alastrou em seguida a todos os países desenvolvidos e foi reforçada pela irrupção da China e da sua mão-de-obra barata. Só que, para a máquina continuar a funcionar, era preciso que os assalariados consumissem. Para tanto, urgia estimulá-los a endividar-se, e a sobreendividar-se, enquanto as desigualdades se iam acentuando. «Você não ganha o suficiente? Peça emprestado, consuma, sobretudo produtos importados baratos, e o mundo continuará a girar». O hipercapitalismo tem, estruturalmente, necessidade de um endividamento sempre crescente para prosperar. E as vítimas tanto são os indivíduos como os Estados. . Desregulamentação financeira, baixos salários, aumento do trabalho precário, feminização crescente da mão-de-obra (e da pobreza) a nível mundial, acesso do capital às reservas de mão-de-obra barata em todo o mundo – são algumas das características essenciais da doutrina neoliberal, que estão na base da famosa globalização e da subordinação dos governos às exigências do mercado. Ao Estado passou a estar reservada uma função essencial: a de usar o seu poder para proteger as instituições financeiras a qualquer preço (em contradição, aliás, com o não intervencionismo que é preconizado pela doutrina neoliberal). No fundo, trata-se – como salienta David Harvey «com toda a crueza» – de «privatizar os lucros e socializar os riscos», de «salvar os bancos e extorquir ao povo». A pretexto de não poder haver um risco sistémico, «os bancos comportam-se mal porque não têm de responsabilizar-se pelas consequências negativas dos seus comportamentos de alto risco». Como se viu nos EUA e no Reino Unido, a partir da brutal crise das hipotecas subprime, em 2008. E como se viu em Portugal, no caso absolutamente escandaloso do BPN.

    1. Obrigado pela sua paciente transcrição.Tem razão. Os defeitos do tal “neoliberalismo” não chegam para me fazer alinhar com as bem escritas mas zarolhas diatribes do Barroso.Quanto ao tema do post, parece que estamos de acordo.

      1. UM PALHAÇOQuem será?

        1. Avatar de VICIADOS (no jogo)
          VICIADOS (no jogo)

          Quem é?Sublime “descoberta”…Está identificado (por confissão) quem é …UM PALHAÇOCom efeito, é … António Borges !!! Irritado, (errei?)

  3. Tá bonito. Tem piada. Gostei do título. Gostaria, no entanto, de ver o sr. Irritado conseguir fazer piada com os do seu lado para além da Cristas!

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