Nunca passou pela cabeça do IRRITADO ler um artigo (6ªfeira no DN) da dona Celeste Cardona. Nada de especial tem contra a dita, simplesmente jamais teve um título ou um destaque que lhe motivasse a curiosidade.
Na passada sexta, Cardona de férias, apareceu na página dela um “convidado”, palavra da Redacção: nada menos que esse luminar do esquerdismo que usa Alfredo Barroso!
Habituado a vê-lo por obra e graça da SIC Notícias e do inefável Crespo, o IRRITADO, que muito se irrita com o homem, as mais das vezes corta o som para não ter que lhe aturar as verrinas. Mas desta vez teve a curiosidade de ver o que escreveria tão desagradável criatura. Até podia ser que escrito fosse melhor que ouvido. Triste engano!
Eventualmente inspirado pela brilhante mente do bispo Januário, o homem não deixa créditos por mãos alheias.
Começa por se qualificar profissionalmente como Ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República, no célebre estilo do senhor que, orgulhoso do seu currículo, pôs no cartão-de-visita Ex-passageiro do paquete Funchal. Com uma diferença: é que este terá sido mesmo passageiro do tal paquete. Aquele, o nosso Barroso, nunca foi chefe da casa civil da Presidência da República, pela simples razão que a Presidência da República não tem casa civil: quem a tem é o Presidente. Compreende-se a aparente gaffe do articulista: é que o Presidente dele era o seu extremoso tio Mário Soares. Como é evidente, não ficaria bem a uma pessoa que passa a vida a dizer cobras e lagartos daquilo a que chama nepotismo, aparecer sem outro título de glória que não fosse o de ter sido, ainda por cima literalmente, nada menos que um nepote como outro qualquer. Um sobrinho profissionalizado.
Enfim, inferioridades a que cada terá direito, não vindo daí mal de maior ao mundo.
O pior é o resto. Começa por classificar o Doutor António Barreto – sem lhe citar o nome – como um famoso sociólogo outrora estalinista e agora ao serviço de um grande merceeiro. Este mimo, revelador da alta educação deste sobrinho profissional, inculca também a classificação do financiador da utilíssima Fundação Manuel dos Santos (Alexandre Soares dos Santos) cujo nome também não cita – com a chocarreira classificação de “grande merceeiro”.
Depois, ó inteligência, o homem vai ao que interessa: demonstrar que a ideia de mendigar um prazo mais alargado para o “período de ajustamento” das nossas finanças é património da esquerda! Não faltam vozes à direita a dizer o mesmo, mas o alargamento do prazo, na cabeça deste macacão é, certamente, como a democracia: coisa de esquerda. O IRRITADO não faz ideia se tal alargamento é coisa boa ou coisa má: tem lido e ouvido os argumentos, e não consegue ter uma opinião acabada. Mas tem ouvido e lido opinião favorável de muita gente que não tem nada a ver comos partidos comunistas, com oco Seguro, o Mário Soares, o sobrinho, et alia.
Quem, nesta altura, achar que a defesa do alargamento do prazo é o verdadeiro objectivo da triste arenga do triste Barroso, desiluda-se. Tal objectivo é o de “demolir” o ministro da economia, para tal se servindo de um livro que o homem escreveu, um “tijolo” nas delicadas palavras do Barroso, onde defendia coisas que ela acha ser coincidentes com as actuais teses “da esquerda”. É evidente que as citações do tal “tijolo”, que faz para demonstrar o seu ponto de vista, são evidentemente distorcidas, retiradas do conteúdo, abusadas, deslocalizadas no tempo, descircunstancialisadas – passe o neologismo – e cretina, insolente e pretensiosamente “interpretadas” pelo homem.
Conheci o Barroso há mais de trinta anos, quando se deslocava, importantíssimo, nas rubras alcatifas do Palácio Real que a República usurpou e à altura “okupado” pelo tio. Usava uma peruca ridícula, primava por ser antipático, agressivo e arrogante e, como é de ver, achava-se o melhor do mundo. Em pessoa, nunca mais o vi. Até que o Crespo lhe deu a mão e o pôs a entrar cá em casa por via electrónica.
Absurdo defensor dos mais primários esquerdismos, surdo às mais evidentes realidades, em exclusivo motivado por ódios de pacotilha e, é de presumir, por diversas ordens de frustrações, Barroso é especialista em dislates e fanfarronadas.
Não merece comentários. Mas a irritação foi tal, que o IRRITADO não resistiu.
21.7.12
António Borges de Carvalho

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