Em tempos que já lá vão, o WWF (World Wildlife Fund) era uma instituição que, como o nome indica, se dedicava sobretudo à protecção das espécies selvagens. Para além disso, e por causa disso, com o objectivo de conservar e proteger os habitats e de interessar em tal as comunidades que sobre eles têm poder, o WWF tinha uma “estratégia mundial” para a Natureza. Era uma entidade séria, com preocupações científicas, sem cor política, muito menos com a pretensão de fundar uma nova ideologia.
Essa estratégia foi lançada em Portugal por Sá Carneiro em 1980, e seguida durante algum tempo.
Mas o futuro veio a colocar o WWF em sintonia com as correntes politizadas dos novos “ecologistas”, mais preocupados em vender moinhos de vento, fazer acções de propaganda, sacar dinheiro aos incautos, numa palavra em transformar a política ambiental num negócio como outro qualquer. Assim, o WWF transformou-se em mais um lóbi, como o Green Peace, o corpo político-“científico” da ONU e tantas outras instâncias da moda que colaboram activamente no declínio imparável da civilização ocidental. Entre nós, por exemplo, ficámos a dever a esta gente e à sua demagogia a perda dos milhões e milhões deitados ao lixo em Foz-Côa.
Tempos houve em que o Chairman do WWF foi o Doutor Lowden, oriundo da BP (horrível companhia!), ou o príncipe Bernardo da Holanda, suspeito, como é sabido, de antigas ligações ao nazismo.
Mais tarde, S.M. o Rei de Espanha aceitou esse cargo e deu o seu patrocínio à organização, eventualmente não sabendo onde se estava a meter.
Aqui há tempos, S.M. participou numa caçada ao elefante, numa zona onde tal estava legalmente autorizado, onde a comunidade de elefantes não estava em perigo. As tropas do costume, em Espanha, não lhe perdoaram, ainda que o Senhor não tenha gasto um cêntimo do erário público na tal caçada.
Agora, o WWF anunciou a sua destituição. Ou seja, para a organização é óptimo que o chairman seja suspeito de colaboracionismo, mas é péssimo que tenha abatido um elefante, mesmo com toda a segurança ambiental, ecológica e legal.
Esta monumental, imoral, absurda e estúpida falta de respeito institucional, político e humano, diz-nos bem da demagogia rasca que impera no nosso mundo e que o está a levar a caminho do abismo. Um exemplo entre muitos.
É claro que Dom Juan Carlos, por mor da idade e da doença, ou por ceder a maus conselheiros, pediu desculpa por ter ido à caça. Fez mal. Devia tê-lo assumido com dignidade e distância. Há centenas de milhares de espanhóis que caçam as mais variadas espécies, dentro da mais estrita legalidade. Porque não há-de o Rei, nas mesmíssimas condições, caçar o seu elefantesito?
22.7.12
António Borges de Carvalho

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