IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GALEGADAS

 

Em tempos que já lá vão, o WWF (World Wildlife Fund) era uma instituição que, como o nome indica, se dedicava sobretudo à protecção das espécies selvagens. Para além disso, e por causa disso, com o objectivo de conservar e proteger os habitats e de interessar em tal as comunidades que sobre eles têm poder, o WWF tinha uma “estratégia mundial” para a Natureza. Era uma entidade séria, com preocupações científicas, sem cor política, muito menos com a pretensão de fundar uma nova ideologia.

Essa estratégia foi lançada em Portugal por Sá Carneiro em 1980, e seguida durante algum tempo.

Mas o futuro veio a colocar o WWF em sintonia com as correntes politizadas dos novos “ecologistas”, mais preocupados em vender moinhos de vento, fazer acções de propaganda, sacar dinheiro aos incautos, numa palavra em transformar a política ambiental num negócio como outro qualquer. Assim, o WWF transformou-se em mais um lóbi, como o Green Peace, o corpo político-“científico” da ONU e tantas outras instâncias da moda que colaboram activamente no declínio imparável da civilização ocidental. Entre nós, por exemplo, ficámos a dever a esta gente e à sua demagogia a perda dos milhões e milhões deitados ao lixo em Foz-Côa.

 

Tempos houve em que o Chairman do WWF foi o Doutor Lowden, oriundo da BP (horrível companhia!), ou o príncipe Bernardo da Holanda, suspeito, como é sabido, de antigas ligações ao nazismo.    

Mais tarde, S.M. o Rei de Espanha aceitou esse cargo e deu o seu patrocínio à organização, eventualmente não sabendo onde se estava a meter.

Aqui há tempos, S.M. participou numa caçada ao elefante, numa zona onde tal estava legalmente autorizado, onde a comunidade de elefantes não estava em perigo. As tropas do costume, em Espanha, não lhe perdoaram, ainda que o Senhor não tenha gasto um cêntimo do erário público na tal caçada.

Agora, o WWF anunciou a sua destituição. Ou seja, para a organização é óptimo que o chairman seja suspeito de colaboracionismo, mas é péssimo que tenha abatido um elefante, mesmo com toda a segurança ambiental, ecológica e legal.

Esta monumental, imoral, absurda e estúpida falta de respeito institucional, político e humano, diz-nos bem da demagogia rasca que impera no nosso mundo e que o está a levar a caminho do abismo. Um exemplo entre muitos.

É claro que Dom Juan Carlos, por mor da idade e da doença, ou por ceder a maus conselheiros, pediu desculpa por ter ido à caça. Fez mal. Devia tê-lo assumido com dignidade e distância. Há centenas de milhares de espanhóis que caçam as mais variadas espécies, dentro da mais estrita legalidade. Porque não há-de o Rei, nas mesmíssimas condições, caçar o seu elefantesito?

 

22.7.12

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “GALEGADAS”

  1. Face à última frase, não sei se o Irritado está ou não a ser irónico. Espero que sim, mas vou supor que não. O facto de algo ser legal não o torna correcto – aliás, basta viver em Portugal para saber isto muito bem. Neste caso, a legalidade é decretada pelo Governo de cada país africano, para sacar uns cobres a turistas endinheirados. Logo, a «segurança ambiental, ecológica e legal» vale o que vale; na prática, os elefantes eram e são uma espécie ameaçada. Nunca fui, e creio que muitos ecologistas não serão, contra caçar para comer. Já caçar uma criatura selvagem, que leva décadas a crescer, por mera diversão, nada tem de útil ou nobre – sobretudo quando se é presidente de uma organização como o WWF. Isto não tem nada a ver com os presidentes anteriores; o que está em causa não é a coerência do WWF, é a coerência do Sr. Juan Carlos. É verdade que pediu desculpa, e do mal o menos: sempre tem alguma espinha, e alguma noção da realidade. No entanto, evitaria ser destituído se tivesse saído pelo seu próprio pé, como se impunha.

  2. Ainda sobre o Sr. Juan Carlos: estranhei que o Irritado não tenha lançado aqui alguns foguetes, na sequência do seu mais recente acto de altruísmo. Falo, é claro, do corte de 7.1% nos salários da Casa Real espanhola. Nos salários… segundo o dicionário, um salário é a «retribuição pecuniária do serviço executado». Serviço? Executado? Bem, adiante… Com este corte, o Rei passa a receber 270.000 euros/ano, e o Príncipe 130.000 /ano. Resta saber no que os gastam, uma vez que vivem, viajam, e divertem-se de borla… mas enfim, registe-se o bom senso de pelo menos reduzir voluntariamente a coisa. A questão, para nós, é: o que pensará disto o nosso mumificado Presidente, quando custa mais do DOBRO da Casa Real espanhola? Será que tomará uma iniciativa idêntica? Vamos a apostas?

    1. A sua última frase diz quase tudo.Quanto aos serviços prestados, posso garantir que o Senhor Dom Juan Carlos, como a generalidade dos reis europeus, presta altíssimos serviços ao seu país. Pelo menos, muito mais relevantes que o nosso presidente, seja o actual ou os anteriores: ou não fazem nada, ou chateiam meio mundo.Pense na bagunças que seria uma república em Espanha…

  3. UM PALHAÇOQuem será?

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