É de cristalina evidência que o “guião” apresentado por Portas não diz nada por aí além. O homem andou não sei quantos meses a “pensar”, falhou todas a promessas de prazos, e lá acabou, tarde e más horas, por cumprir.
Quando chegou o almejado dia da apresentação pública do ingente trabalho a que se vinha dedicando há que eras, o que nos apareceu foi uma série de coisas que toda a gente sabe, sem novidade, sem rasgo, sem génio.
De Portas, apesar de tudo, isto é, apesar de não ser de confiança, esperar-se-ia mais.
Por outro lado, sendo aceitáveis as críticas que se vem produzindo ao documento, algumas que o IRRITADO até subscreve, imaginemos que seria de outra maneira. Imaginemos que Portas tinha apresentado uma montanha de medidas concretas, com justificações, com prazos, com um road map qualquer. As mesmas almas cair-lhe-iam em cima, porque era demasiado limitador da discussão, porque era uma avançada ideológica para além de todos os limites, porque era “neoliberal”, porque era o diabo a quatro.
Isto para dizer que, fosse qual que fosse o “guião” apresentado, seria sempre péssimo, ruinoso, injusto, megalómano, inconstitucional, o caneco.
O problema do governo, a somar à enorme colecção de problemas que Portas lhe tem causado e vai continuar a causar, era que não havia margem para recuo. O guião tinha sido repetidas vezes prometido, tinha que se apresentar qualquer coisa. Teria que ser algo que permitisse a discussão, que lançasse desafios sem concretizar, a fim de atrair os políticos da oposição à discussão e ao compromisso. Neste sentido, até haverá justificação para a vacuidade do proposto.
A ilusão em que o PSD parece não parar de insistir é a de pensar que, por óbvias razões de interesse geral, ou nacional, mais tarde ou mais cedo o PS virá sentar-se à mesa. O PS, pelo menos enquanto for liderado por este traste que se chama Seguro, o oco para o IRRITADO, é isso mesmo: oco. Não se sabe se não percebe nada ou se não quer perceber nada para além das convenienciasinhas internas da organização.
Deem-lhe medidas concretas, o oco é contra. Deem-lhe princípos gerais, é contra. Deem-lhe ideias para discussão e eventual compromisso, é contra. Nada o distingue do BE ou do PC. Só que o BE e o PC têm uma cartilha que é, por natureza, contra qualquer ideia democrática, por mais que se afirmem democratas.
O PS faz outra profissão de fé. Mas, liderado por um fulano do infeliz calibre do oco, para quem é mais importante contentar a gregos e a troianos no Largo do Rato e explorar as hipóteses que talvez tenha de chegar ao galarim do que fazer o mínimo que seja para defender os interesses do país, o PS é um peso morto, afogado num argumentário sem sentido, ou pior, um peso que muito virá a dobrar as nossas costas muito para além do necessário, por óbvia incompetência e mesquinho interesse.
1.11.13
António Borges de Carvalho

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