IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CABO DAS TORMENTAS

 

Um dos mais interessantes fenómenos dos tempos que correm é este das manifestações de rua. É que, para além das hostes profissionais, e da chamada comunicação social, já pouco há quem ligue. O Carlos farta-se de bramar, mas, para além do disco riscado, a única coisa de “novo” é anunciar a manifestação que se segue. Por mais que se esganice, parece que só os membros do regimento o ouvem.

A manifestação da ponte foi o que se viu: um flop em relação ao prometido. Queriam um exército e não tiveram mais que um batalhão. Nem o regimento estava completo!

A tecnologia localizada, isto é, os mini grupos que esperam o governo por portas e travessas, parece estar a esmorecer. Ajuntamentos de umas dezenas de protestantes são muitos, e muito pífios. Só os media os safam.

As doutoras do “que se lixe a troica”, pura burguesia bem vestida e ansiosa de notoriedade, são recebidas pela loirinha oxigenada do Parlamento, impantes e histéricas como é de ver, mas não conseguem mais que umas dúzias de manifestantes, e fora das escadas, que a loirinha parece mandar menos que a polícia.

Quer isto dizer que o pessoal está satisfeito? Claro que não. Quer dizer que a malta se conforma? Nem pensar.

Quer dizer que não acredita nos velhos condotieri, como o Carlos, nem nos novos, que querem apanhar o combóio da “liderança de massas”. A verdade é que, se não forem os profissionais do Carlos e do bigodes – malta do PC e idiotas úteis – que se manifestam porque é essa a sua natureza mais profunda, deixou de haver o chamado “povo em fúria”. As “massas” passaram à peluda.

Não há fúria? Há. Mas há também a consciência das coisas, a provocar, não indiferença, mas a noção evidente que o que tem que ser tem muita força, isto é, que se não se pagar assim pagar-se-á assado.


Grassa pela Europa fora a mesma doença, com manifestações de diversa índole e de diversas cores. O que lhes subjaz, porém, é o mesmo, a noção de que não vale a pena travar o que aí vem, que há uma onda de desgraça. Passará como todas as ondas, não se sabe ainda é a extensão dos estragos que vai deixar.

O pós-guerra chegou ao fim. As filosofias do pós-guerra também, por muito que nos custe. O Estado social ou passa a ser outra coisa ou cairá de velho. O capitalismo, ou seja, a natureza humana, adoeceu, sendo incerto como se poderá cuidar da doença.

As pessoas – nós todos – não sabem, coitadas, o que as espera. Mas sabem que não é o Carlos, nem as meninas do que se lixe a troica, nem as manifestações de “massas”, nem a arruaça, o que as pode ajudar a dobrar o cabo das tormentas.

 

2.11.13

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “CABO DAS TORMENTAS”

  1. «Há também a consciência das coisas, a provocar, não indiferença, mas a noção evidente que o que tem que ser tem muita força, isto é, que se não se pagar assim pagar-se-á assado.» A consciência das coisas, a noção da inevitabilidade… O Irritado projecta no “povo”, neste caso na apatia tuga, as suas próprias crenças: resignação, alergia à “esquerda”, e submissão mansa ao governo do seu coração. Só que os tugas são assim há séculos. À sua apatia natural de corno manso, que tolerou séculos de Monarquia, décadas de Ditadura saloia, e 40 anos de Partidocracia podre, junta-se o encolher de ombros perante as actuais alternativas políticas: vão mudar para o quê, e para quê? As escolhas estão viciadas, os mamões parecem invencíveis, e o mundo à volta parece vergado ao mesmo poder. Se países melhores do que nós não conseguem, como conseguiremos nós? É isto que o cidadão comum pensa – mesmo que não seja carneiro, e não apoie este governo fantoche. Sim, ninguém tem a solução mágica, muito menos os comunas e os sindicalistas. Mas celebrar a resignação tem algo de abjecto. Se os nossos antepassados fossem assim, nunca teriam dobrado o Cabo das Tormentas. É preciso coragem para mudar. E um MALHO bem pesado, para arriar nos responsáveis pulhíticos e financeiros que nos quebram a coragem e nos condenam à miséria.

    1. É o que disse ontem esse grande líder dasvanguardas. Carvalho da Silva: “não ter medo de sujar as mãos, ir para a porrada!” Força, camarada Bastos!

      1. Também eu não tenho medo de sujar as mãos, indo à porrada. É necessário correr com a corja reles de mentirosos, incompetentes e oportunistas.

      2. E onde está a dúvida? Se não formos nós, quem há-de responsabilizar e punir Pintos de Sousa, Loureiros, Soares, Oliveiras e Costa, Varas, Relvas, Vitorinos, Amarais, e demais CANALHA? Há-de ser a “Justiça”? Há-de ser este governo vendido e fantoche, ou o governo ainda pior que lhe suceder? E os MAMÕES que mandam nesta canalha? Se não tiverem medo da paulada, hão-de ter medo de quê? O chuleco do Carvalho da Silva também merece umas quantas. Mas não foi ele que governou, não foi ele que vendeu o país: foram os sucateiros e foram os SEUS compinchas, Irritado.

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