Quando Sua Excelência a Procuradora Geral da República foi nomeada, o povo, mesmo sem fazer ideia de quem a senhora fosse, ficou contente. O povo estava farto dos seus antecessores, tão pródigos em asneiras como tonitruantes fornecimentos de matéria para entreter os jornalistas. Tratando-se de uma senhora com bom aspecto, apresentada como sensata e competente, infundiu nos corações das gentes, mais que a esperança, a quase certeza de que o infrene propagandismo imperante na casa tinha os dias contados.
Pura ilusão. Pouco tempo passado, foi tudo por água abaixo.
O ministro Machete mete a pata na poça, a senhora vem “denunciá-lo” publicamente. E, como se o que se sabe a respeito das investigações onde entram angolanos não tivesse origem lá na casa, acha que o homem é uma besta porque disse que era tudo uma questão de papelada. Ora o que pode justificar o epíteto não é isso, mas a bronca do pedido de desculpas. Facto é, sabe-se agora, que o processo que envolve o PGR de Luanda foi arquivado em Julho. Mais do que uma questão de papelada, era uma questão de incompetência da casa, tão lesta a divulgar o que não deve ser divulgado, como, pelos vistos, a esconder o que notícia mereceria. Não ficou a senhora por aqui: veio tornar público que tinha proibido, intramuros, a divulgação fosse do que fosse, assim confessando que, até à data, a bagunça era total. Malhas que o ex-império tece, ou puro amadorismo e ânsia de publicidade?
Neste fim de semana, o pobre povo é martelado com mais uma. A senhora vem, com a mais desabrida jactância, declarar que está de candeias às avessas com a ministra da justiça, a qual, na sua opinião, lhe roubou uns funcionários de que precisava. Não, isso de ir conversar com a ministra, ou com o PM, ou com o PR (tudo gente que a receberia com a maior das facilidades) seria pouco. Resolveu pegar no trombone e dizer que estavam a pôr em causa o funcionamento das investigações. Para quê? a única razão plausível para a barulheira não pode ser senão a de se sangrar em saúde quanto a futuros falhanços da organização: o que correr mal será, está mesmo a ver-se, culpa da ministra!
É triste que um “anjo” caia tão depressa do etéreo assento onde subiu.
A ver vamos quanto virá a próxima minhoca. O melhor é não nos pormos a cavar.
3.11.13
António Borges de Carvalho

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