IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


GRAMÁTICA E POLÍTICA


Vejam isto: “eu parece-me a mim”

Esta expressão, introdutória de douto sentenciar, foi ontem proferida, na televisão, pelo senhor Marcelino, mui ilustre director do Diário de Notícias.

Estamos habituados a bojardas deste tipo, “pessoalmente parece-me”, “parece-me a mim”, “eu parece-me”, são mimos todos os dias repetidos por inúmeras personalidades, todas elas “influentes” na nossa praça e na nossa forma de falar.

No caso em apreço, o homem só se esqueceu do “pessoalmente”, o que enriqueceria a quantidade de pleonasmos. Paciência. A frase não ficou “completa”.  Mas as calinadas lá ficaram, imagem clara da literacia desta malta. O gritante pleonasmo é evidente, não carece de demonstração. Pior é o sujeito. O sujeito de “parece-me” é indeterminado, jamais poderá ser “eu”. Poderia era ser “ele”, coisa desnecessária mas correcta: “ele parece-me”. Ou então, “parece-me”, simples, escorreito e certo. Neste caso, o “eu”, além de monumental pontapé na gramática, parece ser uma expressão pleonástica ou, por certo, enfática na opinião do falante.

 

Mas este blog é mais político que gramático. Por isso realça também uma aterrorizante opinião do senhor Marcelino, opinião que já vem fazendo escola na politicamente correcta “bempensância” nacional.

Diz ele que está mais ou menos garantido que o PS só “aprovará” um programa cautelar se, em troca, lhe derem eleições antecipadas. A ser isto verdade, e parece que é, ao PS o país não interessa, o programa cautelar pode ser bom ou mau, pode ajudar ou não na resolver o problema para os tempos mais próximos, pode ou não ser indispensável, que nada disto interessa ao oco e à sua maralha. O que interessa é o poder tout court, ainda que ninguém ainda tenha percebido, porque não há nada para perceber,  o que quer fazer com ele, para além do glorioso momento em que se sentar no cavalinho. Não há um único “erro”, uma única “má política” deste governo ou da troica que possa justificar que o PS impeça o regresso aos mercados, o alívio da austeridade, a confiança externa, etc., a troco, simplesmente, do poder. O exemplo de Jorge Sampaio, que não hesitou em ferrar um golpe de Estado para pôr os seus no poleiro, o oco está-se nas tintas para tudo o que não seja amarinhar. Em bom português, chama-se a isto traição, traição aos cidadãos, ao regime, à fraca hipótese de salvação que ainda nos resta.

É claro que o senhor Marcelino acha a coisa inteiramente normal, fala nela sem uma crítica, uma observação, uma cautela.

Com “formadores de opinião” desta natureza, estamos fritos.

 

31.10.13

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “GRAMÁTICA E POLÍTICA”

  1. Pois eu,pessoalmente,a mim,mois,me parece que o aldrabão do Seguro entrou assustado com a hecatombe que o seu partido causou nas finaças do país e nas vidas dos portugueses.Ia andando,formoso e não seguro.Repentinamente os sinos repicaram com o ataque da chusma de gatunos do Costa e do Sócrates.Foi aí o ponto de viragem.A partir de então tem tentado fazer a maior demagogia e aldrabar o mais possível os portugueses.Percebeu que uma atitude responsável seria o seu funeral dentro da organização mafiosa a que preside.Quanto aos marcelinos,sabe-se ao que andam.Basta ouvir as escutas em que aparece dialogando com o “amigo Oliveira”. Consciências de aluguer.

    1. Avatar de XXI (Militante PSD)
      XXI (Militante PSD)

      Questionou o IRRITADO: O que são landras? (cfr. http://irritado.blogs.sapo.pt/577692.html#comentarios?A landra ou bolota é o fruto característico dos carvalhos, das especies do género Quercus, como são o carvalho comum e outras árvores semelhantes como a azinheira ou o sobreiro.Sobre comedores de landras, remeto para: https://www.google.pt/search?q=landras&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=NNxvUsHVLvGS7AabwoCIAwEncontrou a sua “foto”?

      1. Consultados 7 (sete!) dicionários, não posso deixar de informar que tal palavra não existe. Quanto às fotos de socialistas e militantes do PSD da sua laia que teve a amabilidade de me mandar, lamento que, consigo (como com o oco) o diálogo seja ou impossível ou porco.

        1. A “informação” tinha com destino Anónimo. No entanto, o Irritado sentiu as “dores” porcinas de tal apoiante?

  2. Esquecendo a gramática, e entrando logo na pulhítica: quando o seu caro PSD pactuou com o Pinto de Sousa, e só se chegou à frente quando sentiu o POTE à mão, pensou no país? E quando o seu caro Passos mentiu descaradamente para ganhar o pote? E quando foi conivente com a IMPUNIDADE dos criminosos que enterraram o país, e que hoje passeiam entre talk-shows e Paris? E quando manteve o trafulha Relvas, contra o país inteiro? E quando cedeu à chantagem pulha da Paulinha submarina, para manter a maioria e o pote? Aí já não interessava o «poder tout court», nem havia vestígio de oportunismo e hipocrisia… era tudo muito sério e nobre, não era? Ainda bem, Irritado, ainda bem. Ficamos mais descansados.

    1. Quando o meu caro Passos disse que faria o que não podia fazer, a situação era colossalmente pior do que o Pinto de Sousa tinha deixado antever. Mais uma vez, o aldrabão foi o Pinto de Sousa e o partido que hoje continua a aldrabar-nos. Felizmente, o partido do oco convence agora menos que o do “engenheiro” convencia no seu tempo.

      1. Coloquei-lhe cinco questões, respondeu a uma – a mesma de sempre. O velho argumento do “pobre Passos, foi enganado, não teve culpa”, etc etc. Já lhe expliquei: se o seu Passos foi enganado – o que seria mesmo assim indesculpável, para quem se dizia tão certo e preparado – então teria de RESPONSABILIZAR quem o enganou. Tal como, aliás, prometia antes de chegar ao poleiro. E depois, já mais “esclarecido”, teria de submeter o seu novo programa a escrutínio – pois é radicalmente diferente do que apresentou para ser eleito. Como não fez nada disto, o que temos na prática é um ALDRABÃO SEM LEGITIMIDADE. O resto são fantasias ou hipocrisias de fanático laranjinha.

        1. Perfeitamente de acordo, é um ALDRABÃO SEM LEGITIMIDADE.

  3. Há tecelões que temem pelos seus empregos improdutivos,à conta do contribuinte e em desespero transformam-se em bugs blogosférixcos.Ehehe!Quanto ao comentário do Filipe,tenho uma opinião semelhante.O governo Passista é conivente com o esbulho nacional ao encobrir e branquear os crimes do sociopata que o antecedeu.Perde o país e deixa-nos com reserva face às razões desta falta de lealdade para com os portugueses e de honra e honestidade essencial.

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