Aqui há uns anos, o já falecido Jorge Coelho demitiu-se do governo porque caiu uma ponte em Entre-os-Rios. Não tinha ele outra culpa que não fosse o facto de ser o mais importante responsável pelos organismos públicos que falharam.
O caso das informações de dados pessoais de opositores do Putin enviados pela CML à polícia política da Rússia é mais grave por três principais motivos: o primeiro é de atentar, por acção, contra todos os os mais elementares princípios em vigor nas sociedades civilizadas, entregando dados pessoais, no caso a um regime político que esmaga, perseguindo, prendendo e até matando os seus opositores; o segundo é tal princípio ter sido ofendido por um poder democraticamente eleito num país tido por civilizado; o terceiro, e mais grave, é o de o seu principal responsável ter, claramente, declarado que não há problema nenhum, que os serviços a que preside mais não fizeram que cumprir a lei, num mar de desculpas esfarrapadas e sem sentido.
Mais que não fosse em memória do seu falecido camarada, deveria o tenebroso Medina demitir-se imediatamente. Nem isso a criatura respeita: os seus serviços pessoais confessam o crime. Ele, olimpicamente, diz que vai “investigar”! Investigar o quê? Não há nada para investigar: O que há há um crime cometido à vista de toda a gente. Que o seu principal culpado, apanhado em flagrante delito, pelo menos tire disso consequências políticas.
Mas, para a gente que segue os bons exemplos do Costa, responsabilidades, culpas, retratações, etc., não fazem parte da “moral republicana”, coisa aliás estapafúrdia, que nunca existiu mas é muito utilizada no discurso oficial.
10.6.21

Deixe um comentário