A democracia tem os seus clichés, as suas frases feitas, as suas asserções básicas. Todas razoáveis, mesmo se pouco passarem disso.
Uma delas: “os direitos de cada um acabam quando começam os dos outros”.
Outra: “a greve é um direito”.
Muito bem. Sejam, tanto uma como outra.
Mas (o IRRITADO é um chato), vamos tentar compaginá-las. Como se compagina o direito à greve da canzoada dos pilotos da TAP com os direitos dos passageiros, da empresa, da economia, do país, dos outros trabalhadores da TAP, da principal indústria exportadora (o turismo), dos partidos políticos e, a la limite, dos próprios pilotos? Ninguém jamais percebeu ou perceberá como.
Talvez em menor escala, é o caso das greves dos maquinistas da CP, dos tipos da Carris, dos marujos da Transtejo, dos trabalhadores do Metro e de outras gentes, greves que nada têm a ver como os clássicos patrões e só pululam em empresas públicas, já que os patrões privados parecem, ao contrário do que rezam os teóricos, não ter problemas nenhuns com greves.
Greves como as da canzoada e quejandos, se são, como diz a teoria geral do socialismo, das “massas laborais contra o patronato”, e se acontecem em empresas públicas que, como diz a mesma teoria, são “nossas”, “de todos”, “do povo”, então são contra todos nós, que somos, continuando na tal teoria, os “accionistas” os “detentores do capital”, os “que recebem dividendos”. Por outras palavras, são, maxime a da canzoada voadora, a pura expressão de direitos exercidos por uns em prejuízo dos dos outros.
O que quer dizer que o apport do socialismo, nos países em que, como no nosso, o Estado está metido em tudo e mais alguma coisa, é um atentado à primeira e basilar asserção, e um abuso de poder, para não dizer um crime, em relação ao que a segunda estipula.
O socialismo que compagine. Para a minha camioneta é areia demais.
1.5.15

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