O jornal privado chamado “Público” ocupa hoje metade da primeira página com uma monumental fotografia dos manifestantes que, em São Bento, exigiram a demissão do ministro Relvas. Se morresse o Papa, o PR ou o CR7, se caísse uma bomba atómica em Telavive ou Nova Iorque, se o Estádio do Sporting ruísse, a parangona não seria maior.
O que se passou, afinal, para merecer tal tratamento “informativo”? O seguinte: cerca de 100 pessoas juntaram-se para dar uns berros contra o Relvas! Uma velhota a quem perguntaram porque é que no passado (entenda-se nos tempos do Pinto de Sousa) nunca tinham feito este tipo de manifestação) respondeu que “o passado é passado”, já não interessa. Estão a ver o género?
Quer isto dizer que o PS está a tentar adoptar a estratégia do PC. Como não consegue juntar multidões, faz acções que não valem um caracol, mas a que os órgãos de informação dão o “devido” destaque.
Os meus parabéns a esta malta. É de génio. Já viram a diferença, em trabalho, meios, organização, mobilização, etc., entre uma “grande manifestação” e meia dúzia de agentes especialmente treinados para umas arruaças? Já viram que, para a “comunicação social”, tanto faz pôr cem mil pessoas no Terreiro do Paço como mandar trinta mânfios insultar o PM, o PR ou algum ministro em Freixo de Espada à Cinta?
Se houvesse, na classe jornalística portuguesa um mínimo de honestidade e de respeito pelas pessoas, estas palermices, evidentemente não espontâneas e gritantemente comandadas, mereceriam três linhas na página sete. Ou seja, a “informação” trabalha afincadamente, não para informar mas para estar o mais que pode ao serviço da trampa.
Obs. O IRRITADO sabe que há quem vá ler este post como uma manifestação de apoio ao ministro Relvas. Antes do ataque que tal visão não deixará de provocar, o IRRITADO reafirma que, em sua opinião, o dito senhor devia retirar-se quento antes. Compreende-se, e é de elogiar que o PM tenha rebuço em o demitir por razões de amizade pessoal. Mas, se tal amizade é retribuída pelo Relvas, a iniciativa devia partir dela. O que está a fazer ao PM não é de amigo.
17.7.12
António Borges de Carvalho

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