Prossegue, com foros de grande coisa, a greve das batas brancas.
Titulava ontem o “Público”: Os médicos não trabalham para defender o serviço nacional de saúde.
A evidente iliteracia do jornalista, coisa normal na classe, fez com que a parangona fugisse para a verdade. O que o artista queria dizer seria “os médicos, em defesa do SNS, fazem greve”, ou coisa que o valha. Escreveu o contrário.
Com toda a involuntária razão. Os médicos fazem greve para ganhar mais, subir na carreira e na vida, etc. O resto é propaganda. Ninguém convence ninguém que deixar os doentes sem consultas nem cirurgias durante 48 horas é óptimo para o SNS. As pessoas até podem ter alguma simpatia pela classe mas, perante isto, percebem que o que os move nada tem a ver com a melhoria da prestação de cuidados.
Salazar deve estar aos pulos na cova, cheio de inveja: nunca, no seu tempo de corporativismo oficial, houve corporações tão fortes!
Só mais um pequeno apontamento: no meio da multidão de clínicos – entendendo que todos os que apareceram de bata branca o eram – andavam uns catedráticos, especializados em manifestações e greves. Por exemplo, o camarada Arménio, a dona Avoila, o hediondo dos bigodes e o espalhafatoso Garcia Pereira. Resta saber quantos mais do género por lá andavam de bata branca, desde os médicos da mesma especialidade até outros especialistas, tipo malta bem arregimentada, como a que anda aos gritos atrás do governo.
Quem não ficar esclarecido é porque não quer.
12.7.12
António Borges de Carvalho

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