IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O TERRÍVEL PROBLEMA DAS ALFORRECAS

 

O IRRITADO foi, desde a mais tenra idade, objecto de autêntica perseguição perpetrada por alcateias de alforrecas – hoje carinhosamente chamadas medusas – que o enchiam de picadas, borbulhas, inchaços, comichões e outros incómodos que levavam eras a passar. Ao longo do tempo foi aprendendo a sacudi-las, matá-las, esfarrapá-las, atirá-las para longe. Elas andavam por Sesimbra, pela Arrábida, pela Linha, um pouco ou um muito por toda a parte. A malta fugia delas, mas verdade é que o IRRITADO nunca deixou de tomar umas banhocas ou de ir à caça submarina por causa delas.

Havia anos, ou épocas, em que havia muitas alforrecas, outros em que havia poucas. Nunca ninguém se preocupou demasiado com o caso, para além de algumas mães-galinha, com malas cheias de cremes, anti-histamínicos e outras drogas, just in case.

 

Hoje, tudo é diferente. Não é são só as alforrecas passarem a medusas. É o terrível problema de haver (este ano, dizem) muitas por aí. O IRRITADO já não dá por isso, porque chegou à conclusão que o melhor das praias é umas cervejinhas nas esplanadas, a ver o mar e a gozar com o patético espectáculo da profusão de cuzes que se arrebimbam, nuzinhos, orgulhosos da rijeza ou do tamanho. A areia é uma chatice.

 

Será por causa dos cuzes que há mais alforrecas este ano? Não!

Segundos os investigadores “científicos”, de serviço em várias partes, a culpa é das alterações climáticas e da sua terrível antropogénese. Deve ser mais ou menos como segue: as alforrecas, chateadas com o CO2, desatam a procriar que nem umas doidas, a fim de vir para as praias chatear os cuzes; ora como o CO2 é produzido antes de mais pelos eflúvios gasosos produzidos pelos traseiros das vacas, depois pelas indústrias dos países que não subscreveram o protocolo de Quioto e, de um modo geral, pelo capitalismo internacional, há que acabar com as vacas, com a indústria, com o capitalismo e, acima de tudo, com quem não paga “direitos” de cabono! Evidente, não é?

 

Dado o exposto, haverá que concluir que as alforrecas, ao perseguir os cuzes da Caparica, estão a prestar um serviço de alta valia ao desenvolvimento sustentável, na medida em que os previnem contra os malefícios da humanidade, causadora e culpada das alterações climáticas.

 

Em nome da humanidade, O IRRITADO agradece.

Vivam as alforrecas!

 

13.7.12

 

António Borges de Carvalho



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