Desde um bom par de anos a esta parte que há uma crise evidente do humor em Portugal. Praticamente desde a morte, propriamente dita, de Solnado e do passamento “performativo” de Herman José, se excluirmos alguns notáveis momentos do “Gato Fedorento”, praticamente nada se viu com o mais ínfimo toque de génio ou de humor digno de tal nome.
Pelo contrário, tem proliferado uma radical ausência de piada, a estupidez assumida como humor, um nunca acabar de brejeirices ordinárias, ou muito ordinárias, nada que se possa ver sem nojo, nada que nos faça sequer sorrir. Poderá haver excepções a confirmar a regra, mas o IRRITADO nunca as viu.
Uma das figuras cimeiras desta desgraça humorística é um fulano magrizela, de grande penca, que tinha, ou tem, o hábito de se apresentar nu em cima de carroças ou em bancos de jardim a dizer vernáculas parvoíces e que – que este espectador tenha visto – ou não divertia ninguém, ou se limitava a excitar a imaginação de histéricas e analfabrutos. Um “artista”, Nogueira de seu nome, como já devem ter suspeitado.
Segundo o “Expresso”, o fulano terá chamado a “depor” na RTP (where else?) uma senhora que escreve livros. O IRRITADO leu um deles, e chegou. Acontece que a dita senhora ter-se-á atrevido, ó heresia!, a dizer que a malta, em vez de andar para aí aos berros, coisa que lhe faz “alguma repulsa e pena”, e que denota “falta de civismo”, falta de inteligência” e “falta de memória”, devia deixar o governo trabalhar e “ver o que acontece”.
Ao que o dito Nogueira respondeu à sua inconfundível maneira. Escreveu ele que “quem confia em quem lá está [o governo] fica na merda”. Mais fino ainda: “quem confia em quem lá está come merda”. Acusação óbvia de improvável coprofagia por parte da senhora! Lindo.
Tem o Nogueira toda a razão! Em Portugal não é legítimo, não é correcto, não é aceitável dizer seja o que for que possa ser entendido como apoio ao governo.
O verdadeiro espírito da esquerda é assim lapidarmente definido pelo “humorista”, dando uma nota fidalga do seu tipo de “humor”. O “estilo” corresponde exactamente aos ditames da moral republicana, desta feita revelada com crua exactidão. No fundo, é o espírito pidesco da esquerda que, como a PIDE e os seus patrões, se acha dona da última das verdades e chama “merda” ao que alguém diga que não esteja de acordo com a pacotilha em vigor nos media e tão querida do dr. Mário Soares e do “serviço público” de televisão.
Ao ponto de, sendo-se convidado para uma entrevista na RTP (where else?), se ter de partir do princípio que é para dizer o que agrada ao entrevistador, não o que o entrevistado tiver por bem.
Sob pena de passar à categoria de merda.
9.11.13
António Borges de Carvalho

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