Uma coisa há que me anda a fazer confusão.
É comum criticar-se os governos, ou o Estado, com razão ou sem ela – não vem ao caso – de pagar fortunas a advogados para tratar de assuntos públicos. Os mesmos advogados que, noutras questões do mesmo âmbito, representam as outras partes. Os contratos com os advogados são facto, os pesados fees que cobram, também.
Ninguém, aliás, acredita que haja advogados a trabalhar de borla, seja para o Estado seja para quem com o Estado negoceia. Normal, natural, vai da natureza das coisas.
Ora se a prática das borlas não faz parte de tal natureza, hemos de convir que é legítimo pôr em dúvida que aconteça. Se há quem trabalhe de borla para o Estado, legítimo também é perguntar quem paga. Se não é o Estado, é a outra parte. Parece óbvio. E se o Estado paga a um advogado 2.000 euros por mês para tratar de assuntos multimilionários, não é preciso entrar em teorias da conspiração para, legitimamente, pensar que quem paga é a outra parte, já que os advogados, nestas coisas, são avessos a peanuts.
Faz confusão, mas leve-se em conta a ignorância maledicente de quem está confuso.
15.4.16

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