IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


HÁ GENERAIS

Tenho aqui um recortezinho da primeira página do “Expresso” de hoje, que reza assim: “Marcelo quis evitar a demissão do CEME… mas Carlos Jerónimo recusou reconsiderar”.                           

Lido com olhos de ler: Marcelo quis evitar mais uma chatice ao seu amigo Costa. Sabia (sabe) que o chamado ministro de defesa, um ignorante desbocado, nunca mais terá, porque não merece, qualquer sombra de autoridade junto da tropa.

Lá no fundo, o savoir faire que o caracteriza deve tê-lo feito pensar que, pelos vistos, o fulano meterá rapidamente a pata outra vez na poça e, nessa altura, será mais fácil pô-lo na rua. Não já. Podia ferir a geringonça, pôr a Bloca de Esquerda aos gritos, abanar a “estabilidade” do querido Costa. Isso é que não! Sou o chefe da coligação, que até a Marisa Matias aplaude de pé, toda frenética, e vou deixar que venha um militar pôr a minha querida organização em causa? Nem pensar!

Imagine-se o que foi (se o houve) o diálogo com o General demissionário. Num esconso do palácio, Marcelo dá-lhe afectuosamente o braço. O General encolhe-se todo, mas aguenta.

– Meu caro, estas coisas são uma maçada, não calcula como o compreendo… mas, que diabo, nisto da política…

– O Senhor Presidente desculpará, mas não é suposto pronunciar-me em assuntos políticos. Trata-se de uma questão de dignidade e de disciplina, não de política!

– Calma, Senhor General, calma, a sua dignidade está acima de qualquer apreciação. Mas, enfim, o serviço das Forças Armadas, não é, também tem a ver com a estabilidade política. Pôr tal estabilidade em causa…  não é, enfim, um valor mais alto?… espero que reconsidere…

– Desculpar-me-á Vossa Excelência, mas não reconsidero desconsiderações nem deixarei que fique em causa a cadeia de comando, nem que a estabilidade das Forças Armadas seja ofendida por um ministro que não tem a mais remota noção da sua função, nem um mínimo de respeito pelas pessoas que estão sob a sua acção política, não sob o seu comando disciplinar. Não o queria nem para faxina das retretes!

– Ora ora, General, deixe-se de pruridos, não exagere, não ferva em pouca água! Isto é mais simples do que parece. Deixe-se ficar! Vai ver que, mais cedo do que possa pensar, será compensado, as cantarinhas da nora não param…

O General afasta-se, põe-se em sentido, bate a pala, e diz:

– Vossa  Excelência dá licença que me retire?

– Ouça…

– Já ouvi o que tinha a ouvir. Boa tarde.

 

Na prática, poderá não ter sido assim. Mas, substancialmente, não foi outra coisa.

 

16.4.16



6 respostas a “HÁ GENERAIS”

  1. Empolgante! Inspirador! Épico! Bravo, Irritado! Quase lembra aqueles filmes americanos, sabe, onde uns “marines” salvam o presidente, a América e o planeta (por esta ordem de prioridades). Tirando o mau da fita, todos os generais e demais tropa são torres de virtudes. Malta incansável, incorruptível, impecável… como o seu general.Eu também retiro os meus generais de um filme americano: Paths of Glory, de Kubrick. O filme é de 1957, a guerra é a de 1914. Os generais são franceses, mas podiam ter qualquer nacionalidade. São mais do que chulos: são refinados pulhas, escarros completos.A sua especialidade é enviar homens para a matança, do conforto dos seus palácios, enquanto acumulam penachos e medalhas. O filme não é totalmente anti-tropa: o bom da fita é outro oficial, Coronel Dax, interpretado pelo Kirk Douglas (faz 100 anos este ano!), um tipo tão recto como o general da sua história. Dax, porém, não é como os típicos super-homens das fitas americanas: é apenas um homem decente num mundo indecente de pulhas, loucos e morte.Qual destes tipos será, na realidade, o seu general? A minha aposta: nenhum deles. Conheci alguns no EMGFA e nas unidades por onde passei. Em geral não chegam a ser escarros, são apenas chulos profissionais. Chulos de carreira.Chulos habituados a ser servidos e obedecidos sem razão válida, ou uma guerra onde possam pelo menos fingir alguma utilidade. Tudo o que têm é um canudo sem préstimo no mundo real. Fechados no seu mundinho inútil são uns senhores, uns heróis inchados com a própria importância. Mesmo aqueles que até são menos pomposos, casos raros, não deixam de ser tachos inúteis num país falido. Esta tropa, convenhamos, é palhaçada.O Irritado sempre teve um fraco por posições e regalias injustificadas (e injustificáveis), a começar pelos seus caros monarcas.

    1. Habitualmente ingere bebida de ayahuasca? Ou a resposta, com o beneplácito do sr. António, será: bardamerda?

    2. Às vezes pergunto a mim próprio como é possível, a um tipo que julgo inteligente, descer tanto, odiar tanto. O melhor é não procurar resposta.

  2. “Não o queria nem para faxina das retretes!”, escreve o irritadiço, assumindo a posição do sr. General.Na verdade, assim, ficou delimitado o cerne do problema. Com efeito, a “guerra” engendrada nos palcos da estratégia (militar?) estabeleceu um “objectivo” politico: correr com o Ministro da Defesa.Pois bem, por muito boas razões que a “Generalidade” do comando militar (no activo ou na reserva) tenha acerca do “perfil” do Ministro da tutela, trata-se de uma questão politica, logo não militar. Daí, a prosa de “ventriloquia” vertida neste sítio, ser mais do mesmo (se quiser, “voz do dono”).

    1. Se o objectivo é correr com o Azeredo, a questão não é política: é PULHÍTICA. Como o Azeredo.O PS tem lá bem pior, ele não chega a ser dos mais mete-nojo. É apenas um tachista medíocre, no ministério errado. O Azeredo nasceu para o ministério dos lambe-cus.

  3. Avatar de AP-AmigodePeniche
    AP-AmigodePeniche

    O PCP do “tempo novo” já exigiu a devolução do arquivo histórico da PIDE que os seus históricos camaradas enviaram em tempos para o KGB em Moscovo ???

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