Ainda o debate vai no adro (são onze da manhã), e já se percebeu a “linha de argumentação “ do chamado primeiro-ministro, quanto às “desculpas” para as perspectivas negativas que, na economia, nas finanças e no resto, gozam da unanimidade de opinião interna e externa.
A “razão” para tal unanimidade, que o senhor Costa descobriu, não é o clima de reversões que põem de pé atrás todo e qualquer investidor, não é a maluquice centenático-ignorante do crescimento via consumo interno, não é o já evidente caminho para o défice das contas externas, não é o ambiente de desconfiança gerado pelas proclamadas intenções de alterar as leis do trabalho para agradar à esquerda totalitária, não é a parvoíce do IVA da restauração, não é a retoma salazaristoide do congelamento das rendas, não é a transferência de fundos da Segurança Social para a construção civil, não é o desgraçado ambiente de trafulhice hierárquica instituído na tutela das Forças Armadas, não é a instabilidade governamental, com ministros e secretários de Estado a demitir-se dia sim dia não, não é o alinhamento com o senhor Tripas, não é o amiguismo galopante, não é a rapidíssima destruição da confiança interna e externa, não é o abandono da diplomacia económica…, não!
Nada disso. A culpa é, em duas palavras, da “tempestade perfeita” que “se vive na Europa”. Sim, meus amigos, na palavra sabedora do chamado primeiro-ministro, a culpa do já evidente e estrondoso falhanço deste chamado governo é só, exclusivamente, fundamentalmente, evidentemente, da Europa, de um mundo estrangeiro apostado em não acreditar na política da geringonça e em prejudicar a Lusitânia! O Jerónimo da Sousa diz o mesmo. A Catarina, aos pulinhos, aplaude.
Mete-se pelos olhos dentro de qualquer observador imparcial, nacional ou estrangeiro, que a “mentalidade” do poder em Portugal conduz ao não investimento interno e externo e à destruição de qualquer hipótese de continuidade na recuperação e à desgraça social. Talvez não se soubesse a que velocidade tal se operaria, mas era essa, só essa, a dúvida. Pelos vistos, está a ser mais rápido do que pensariam os mais pessimistas.
O que vale é que a culpa, no parecer do chamado primeiro-ministro, é dos marcianos.
15.4.16

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