IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CASAS PARA O POVO!

 

 

Um esquerdófilo, cujas abomináveis prosas soem, à segunda-feira, dar cabo da última página do jornal privado chamado “Público”, dedica os seus profundos pensamentos de hoje à imperiosa necessidade de disseminar as classes sociais e as minorias étnicas pela cidade, certamente com o nobre intuito de evitar a formação de guetos (pela positiva) ou de obviar à formação de “comunidades” rácicas ou sociais (pela negativa).

 

Tudo bem. Não vou contra. Vivi uns anos em Paris, num bairro fino – o 16eme– e verifiquei a existência desse tipo de “mistura”. No último andar do meu prédio moravam os respectivos proprietários, um casal de emigrantes portugueses, ele padeiro ela mulher-a-dias. Não tinham acesso, nem à entrada principal nem ao elevador. No rés-do-chão havia uma chusma de indianos, ou paquistaneses, ou bangladeshianos, não sei, aos quais o arrendamento não dava, também, direito aos acessos dos condóminos. Ao meu lado, dispondo de dois pisos, morava uma viúva rica, madame de qualquer coisa, que se deslocava de Mercedes com motorista de boné – coisa rara – e se gabava do palacete e d barco que tinha no midi, para além da maison de campgne, em Deauville. A porteira era do Gerês, chamva-se Maria das Dores e era conhecida por Dolores. Tinha sido criada do Giscard d’Estaing, e já tinha comprado, com o marido, o Chico, que tratava do jardim – já lá vai, coitado –, uma chambre e un petit salon, com casa de banho e cuisine américaine. Casinha garantida para a reforma, no mesmo complexo onde há décadas era porteira.

Isto era comum. Ou seja, as chamadas classes menos favorecidas têm, em Paris, duas opções em aberto: viver numa chambre ou num studio no centro da cidade, ou deslocar-se para um pavillon, ou um apartement, na banlieu. Opções que são pagas, como é natural, segundo as posses e as escolhas de cada um.

 

Vejamos agora como é que o esquerdófilo resolve o problema. Propõe um sistema parecido com o parisiense. Muito bem. Só que as casas ou os apartamentos não são determinados pelas posses de cada um, mas é o seu preço o que depende disso. O senhor diz-nos que são as rendas ou as prestações, não o construído ou o local, o que tem que se adaptar aos rendimentos. “Os custos serão” alterados “conforme os rendimentos” dos habitantes.

 

Aqui temos como a utopia mais desbragada e quase demencial pode arrumar à cabeça a solução de qualquer problema. O “direito à habitação” exclusivamente concebido como forma de obrigar a sociedade a prover a tudo e mais alguma coisa, redunda na inviabilidade de qualquer política de habitação. É, no seu melhor, a filosofia socialista, de esquerda e de direita, a mesma que, desde a I República, vem pondo meia sociedade a pagar para a outra meia, através de sucessivas entorses ao mercado de arrendamento.

Todas as obrigações para uns, todos os “direitos” para outros.

O socialismo jamais resolveu fosse que problema fosse.

Os socialistas que, como o Presidente Lula, percebem, minimamente, como funcionam as sociedades, acabam sempre por o meter na gaveta.

É pouco. Da gaveta, pode sempre tirar-se o que lá se pôs. Talvez a pia dos dejectos fosse mais apropriada para guardar essa…

 

António Borges de Carvalho


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