Interrogado sobre a momentosa questão da redução dos impostos sobre os carros eléctricos (sobre os quais não há impostos), o gabinete do senhor Pinto de Sousa informou o respeitável público que o imposto, sim senhor, não existe, mas que, mesmo assim, sua excelência se compromete a reduzi-lo.
Perante o aparente absurdo desta informação, pensou o Irritado em rever a sua posição sobre a matéria. O senhor Pinto de Sousa, com certeza, não irá reduzir, como afirmou, o imposto, uma vez que, ao contrário do que disse no parlamento, tal imposto, de facto, não existe.
Sempre coerente, porém, o senhor Pinto de Sousa resolveu insistir. Consta que, como ao contrário do que disse no Parlamento, não se pode reduzir, em percentagem, a partir de zero, uma vez que o resultado, como é de estimar, será igual a zero, o senhor Pinto de Sousa chamou a São Bento o seu professor de matemática da universidade independente, a fim de resolver a intricada questão.
O catedrático em causa explicou, tim-tim por tim-tim, que de zero não se pode tirar seja o que for.
Mesmo assim, o gabinete de sua excelência insistiu na informação: os carros eléctricos vão, sim senhor, beneficiar de redução do inexistente imposto.
Esta preciosa informação, segundo as agências, será presente ao Congresso Mundial dos Matemáticos, a realizar no MIT de 19 a 23 de Outubro. Nesta reunião, o senhor Vitalino,o senhor Vital e o senhor Silva apresentarão irrefutáveis teses sobre a matéria.
Aguardamos serenamente o resultado de mais este contributo do senhor Pinto de Sousa para o saber universal.
António Borges de Carvalho

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