Muito se fala nos aumentos do preço da electricidade. O espantoso ministro do ambiente anda a meter os pés pelas mãos proclamando o que lhe vem à cabeça sobre a “travagem” de tais aumentos; dê-lhes a demagogia do governo as voltas que der com as parlapatices do chefe, pagaremos tais aumentos com língua de palmo.
Convirá ir um pouco atrás, a fim de procurar as razões que levam a que não só sejamos vítimas do que se passa por todo lado, mas também, e muito mais, pelas manias que se apoderaram do país desde há vários anos. Somos os campeões da descarbonização, reza a propaganda governamental. Bons alunos de “causas” universais, das energias renováveis, etc. Gabemo-nos!
O problema é que ninguém nos diz o que nos custa a gabarolice.
Outros há que sofrem do mesmo mal. Um exemplo disso chega-nos da rica Alemanha, onde os preços são quase o dobro dos de França, também nossa rica parceira da UE. Porquê? É simples: os alemães embarcaram nas renováveis, echeram-se do moinhos de vento e cobriram milhares de hectares com painéis solares; os franceses mantiveram dezenas de centrias nucleares. De um lado, insiste-se em energias intermitentes (nem sempre há vento e de noite não há sol) que obrigam a centrais alternativas produtoras do negregado CO2; ao mesmo tempo agride-se a tão amada paisagem, incorre-se em investimentos monstruosos e faz-e, naturalmente (não carece de explicação), aumentar os preços aos consumidores domésticos e industriais, com devastadoras consequências económicas. Do outro, opta-se pela mais limpa e mais barata forma de produção de energia, o negregado nuclear.
Nós, que não temos capacidade financeira nem poder que nos ponha a salvo, alinhamos com os primeiros, isto é, gastamos fortunas para nos gabarmos de coisas que só nos podem levar – já levam – à ruína.
Entretanto, ao colo das políticas públicas, os produtores de energia seguem o que “está a dar” – e está mesmo – e juntam-se aos exércitos dos “limpos”. É o caso de Matosinhos, coisa que, de tão governamentalmente ordinária, não merece comentários, que já os há com fartura. A EDP, por exemplo, incentivada e ajudada por tais políticas, entra na jogada das “renováveis”, coisa que a moda, quer dizer, nós, já paga e vai pagar muito mais no futuro, sem qualquer contrapartida, sejam quais forem os bailados e os discursos do intolerável ministro do ambiente e do seu inacreditável/irresposável chefe.
Anos atrás, houve quem propusesse a construção de instalações nucleares em Portugal, apresentando um projecto com pés e cabeça, o qual merecia, pelo menos, ser discutido. O nosso cangalheiro Sócrates apressou-se a declarar que a energia nuclear estava “fora da agenda”, e não se falou mais no assunto.
Talvez fosse (baldada esperança) de aplicar os milhões que se vai enterrar no “hidrogénio” – coisa mais que duvidosa – numa boa política nuclear. Mas a demagogia dita ambiental – será tudo menos isso – ganhará à razão e ao bom senso.
25.6.21

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