IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ACORDAR MAL E A MÁS HORAS

 

Durante mais de três anos, como toda a gente sabe e comenta, o PS “ignorou” o caso Sócrates. A primeira vez que o inacreditável Costa se referiu ao assunto foi para dizer que o seu bem amado antecessor tinha o “direito de dizer a sua verdade”. Foi um fogacho. O silêncio voltou, Sócrates ou nunca existiu ou as “verdades” que já tinha bolsado não chegavam para o condenar. Não chegava confessar que vivera, ou vivia, há anos, à grande e à francesa à custa de terceiros, não chegava confessar que trabalhar era a última coisa que lhe ocorria, não chegava confessar que tinha empregos fictícios, pagos sem fazer a ponta de um chanfalho. A “sua verdade”, nas palavras cínicas e desonestas do Costa, estava por contar. Não estava. A “sua vesdade” estava dita e redita pelo próprio, não era preciso nenhum processo judicial para as pessoas perceberem que Sócrates é um bandalho indigno e trambiqueiro. Mas Costa veio dizer que nada disso era importante, o que era importante era a “verdade” que contaria aos procuradores do MP!

 

Como parêntessis, eis uma história engraçada:

Dom Diogo Lafões publicou um interessante livro sobre arte equestre, na senda do seu ilustre antepassado Marquês de Marialva, estribeiro-mor de Dom José. Um dia, um amigo disse-lhe: “Comprei o teu livro”. Ao que Dom Diogo respondeu: “Ah! Foste tu!”. Eis a bem humorada e modesta resposta de um Senhor, que não morreu com ele, fica aí como exemplo.

No outro extremo, o Sócrates publicou um livro sobre inanidades várias, ao que consta escrito por outra passoa. Como, apesar da frenética propaganda que envolveu o feito, parecia evidente que ninguém, nem os amigos, compraria a coisa, Sócrates formou um exército que andou pelas livrarias a comprá-la aos milhares. Costa não deu por nada, estava, coitadinho, à espera das “verdades”.

Moral da história: é evidente a diferença entre um Senhor, um merdoso canalhete e um político sem espinha.

 

Voltando aos factos. O caso Pinho teve, por obra e graça de Rui Rio, a virtualidade de “acordar” o PS e a restante mesnada da geringonça. De repente, out of nowhere, desataram todos aos gritos. Sócrates e Pinho passaram a ser “uma vergonha”, ou seja, uma maçada, um fait divers, uma chatice. Alguma razão assiste ao Pinho que parece que se diz bode expiatório destinado a encobrir o chefe Sócrates.

Mas, depois das estúpidas declarações do César (que outra coisa se esperaria?) e do trombone do Galamba, caramba!, veio de novo o Costa pôr os pontos nos is. Das frias plagas do Canadá, comunicou-nos a sua estrambólica opinião. Assim “se as suspeitas se confirmarem”, o caso Sócrates será “uma desonra”. E acrescentou o habitual: “Ninguém está acima da Lei”. Uma nobre verdade transformada num chavão sem sentido!

Daqui se conclui que Costa continua a não dar nem ter dado por nada, a nunca ter ouvido o que Sócrates diz de si próprio, a não saber que vivia, ou vive, à pendura de terceiros, que foi político “por vaidade”, não por vocação ou serviço, que mandou fingir que vendia livros, que arranjou empregos fictícios, que, que, que. Nada, Costa não deu por nada, não viu, não ouviu, não leu, não sabe, está “acima” dessas coisas que por aí se dizem, acima das desonrosas declarações e confissões do seu querido ex-chefe.

 

E é gente desta que nos governa. E que continua a ser objecto dos afectos lá de cima.

 

PS – (não confundir com Partido Socialista) – Já este post estava escrito quando dei com mais uma das vergonhosas características das declarações de Costa. Diz ele que, se se vier a confirmar as acusações contra Sócrates (não chega o que está confirmado!) será “uma desonra para a democracia”. Mentira. será uma desonra para o PS. Seria bom, ou honesto, não meter a Democracia no saco de Sócrates.

 

4.5.18   



5 respostas a “ACORDAR MAL E A MÁS HORAS”

  1. Avatar de cidadão urbano
    cidadão urbano

    Segundo li num jornal online e que para aqui copio, a colocação dos pontos nos is envolveu estas duas afirmações:«Se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona» Se não houve qualquer engano por parte do jornalista, serão então bastante interessantes estas duas afirmações de Costa. A primeira já o Irritado a analisou mas a segunda, minha nossa!… mostrará a segunda frase de costa o que lhe vai na alma? Dever-se-á entender que para Costa o sistema de justiça demonstra-se funcional (só) se as suspeitas não se confirmarem? Mas e se as suspeitas se confirmarem? Quererá Costa insinuar que se as suspeitas se confirmarem é a demonstração de que o sistema de justiça não funciona? Estará Costa já a pôr em causa o sistema judicial não vá o novelo desfiar-se em direcção a ele? Toda esta história já era bastante preocupante mas agora começa a dar calafrios.

  2. Uma pequena lembrança sobre quem são os pseudo- envergonhadoshttps://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/soacutecrates_eleito_secretaacuterio_geral_do_ps_com_933_dos_votos

  3. Vamos lá a ver se a gente se entende: o que os políticos « vomitam » aos microfones é o que os seus consultores de imagem os aconselham a dizer. Depois das convenientes consultas à opinião dos mercados, claro. Tentar interpretar o que eles dizem como sendo o que eles pensam, é ignorância total do mundo em que vivemos. O obejectivo das conversas dos políticos, sobretudo dos que estão no poder ( e têm acesso amuito mais informação importante do que os outros) é manterem o poder e manipular a opinião dos idiotas úteis que vão votar. O resto é bla- bla- bla

    1. Avatar de cidadão urbano
      cidadão urbano

      Desculpe-me a demora em responder mas o seu comentário passou-me despercebido e agora que o vi não posso deixar de responder. Não lhe tiro razão em muito do que diz, inclusive na parte da ignorância e no que a mim me toca pois há certamente muitas coisas que muito modestamente não consigo perceber. Há por aí muito político rodeado de assessores e consultores de imagem que ditam conselhos sobre o que devem os políticos dizer em frente a microfones ou como o dizer pelo que frequentemente aquilo que dizem não o dizem com palavras suas mas… se o dizem julgo que seja por concordarem com essas palavras e entenderem que essas palavras são melhores a expressar as suas ideias ou então mais persuasivas que as suas. Há também ocasiões em que os políticos não pensam no que dizem e dizem a primeira coisa que lhes vem à cabeça e ou sai asneira ou são demasiado sinceros ou então não se expressam da melhor forma mas para estas situações há sempre a hipótese do popular recurso aos desmentidos em que nos tentam depois convencer das suas… reais intenções. Mas (e é um grande “mas”), por outro lado, políticos de carreira como António Costa têm também uma já longa experiência em como lidar com os jornalistas e com o público, com os eleitores, sabem bem o que dizer, sabem institivamente ser diplomáticos naquilo que dizem mesmo quando são apanhados desprevenidos, sabem bem como fugir às questões dos jornalistas quando tal lhes é conveniente, têm já a lábia toda e na ponta da língua pronta para nos tentarem manipular precisamente porque sabem que, entre quem os ouve, nem todos absorvem todas as suas palavras como mel. Há quem não preste especial atenção ao conteúdo da mensagem, há quem não analise, mas há também quem precise de ser convencido e há ainda quem seja crítico e estas pessoas analisam, interpretam, e sim, na tentativa de tentarem perceber o que os políticos pensam e quais as suas motivações e intenções portanto de modo nenhum concordo com esta sua afirmação:«Tentar interpretar o que eles dizem como sendo o que eles pensam, é ignorância total do mundo em que vivemos.» (Ou terá sido a Isabel que não se expressou aqui da melhor forma?) Os políticos podem não dizer tudo o que pensam mas tudo o que dizem está sujeito a escrutínio, a ser analisado e reanalisado e é assim que deve ser. Mal seria se não tentássemos interpretar o que eles dizem como sendo o que eles pensam já que, além do modo de agir, é a única forma que resta de os conhecer, de saber como são e o que querem e, por fim, de saber se devemos ou não confiar neles e se devemos ou não votar neles.

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