IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ABRUNHOSA

 

O IRRITADO viu o Abrunhosa pela primeira vez em fotografia de jornal. O homem lá vinha escarrapachado, amarrado com correntes ao portão de um teatro que a Câmara queria entregar – em boa hora entregou – à exploração comercial.

Este tipo é parvo, pensou o IRRITADO com carradas de razão.

Em pessoa, o IRRITADO viu-o e ouviu-o, pela primeira e última vez, na passagem de ano 1999/2000, no Estoril, num palco ao ar livre. Achou piada à exibição. Este gajo é parvo, mas tem jeito para estas cantorias meio malucas.

Uns tempos depois, foi ao Porto visitar um casal de amigos – ela já lá vai, ele desapareceu da circulação – que vivia num magnífico casarão, julgo que do séc. XIX, na margem esquerda, com anexos para pessoal, garagens, um enorme jardim, relva a perder de vista, árvores centenárias, obras de arte, etc.

Disseram-lhe que, por razões que não vêm a propósito, iam vender a casa, ou melhor, que a casa tinha sido posta à venda e que já tinha aparecido um comprador. O IRRITADO não perguntou o preço, mas comentou que, para comprar uma casa daquelas, só um milionário, daqueles que, no Porto, há com fartura. Ao que lhe responderam que o comprador era nem mais nem menos que o conhecido badaleiro Pedro Abrunhosa.

O IRRITADO ficou de boca aberta. Esse gajo? Mas esse gajo é um esquerdista do caneco e, pela maneira como se faz aparecer, não deve ser o género de gostar de uma casa destas! E os óculos escuros? Querem mais piroso? O tipo será vesgo, ou é só parvo?

Foi então explicado que o dito rapaz é um “filho família” lá do Norte e que, julgava o casal, cultivava uma imagem pública que nada tinha a ver com o que ele, na verdade, era. E que ganhava bom dinheiro com as badalices.

Afinal o fulano não é tão parvo como eu julgava, cogitou o IRRITADO.

E nunca mais pensou no assunto.

 

Até hoje. O inigualável “Expresso” abriu uma secção de entrevistas com personalidades da “cultura” parangonando uma data de fotografias da criatura, todas elas a provar à saciedade que, afinal, o tipo é mesmo parvo.

O feroz esquerdista, estranhamente, diz que, para estar informado sobre política, lê o “Economist”, “em viagem”, mas que não sabe o nome dos articulistas que o deliciam. Notável afirmação. É que, como sabe qualquer alma que folheie a revista, os artigos nela publicados não são assinados. Ora se o Abrunhosa falasse verdade sabia que não sabia os nomes dos ditos e não precisava de se desculpar! Prova provada que o que o parvo queria dizer era a) que lia inglês e b) que tinha preocupações intelectuais, as quais satisfazia com a leitura do “Economist”, coisa que, evidentemente, jamais leu. Em boa verdade, não se entenderia que este luminar da nossa cultura e da nossa esquerda se cultivasse com uma revista liberal como há poucas. A não ser que quisesse informar-se sobre a argumentação do inimigo!

A entrevista, valha a sinceridade, põe a nu o tal Abrunhosa de que falavam os meus amigos lhe iam vender a casa.

O homem vendeu boa parte da sua carteira de investimentos em 97, quando começou a cheirar-lhe a crise, via consulta da imprensa, “em Nova Iorque”. Não diz o valor, mas confirma que era de molde a causar-lhe “preocupação”. Não fala no que factura porque prefere “que isso fique reservado”. É normal: segundo diz, tem uma relação conflitual com o fisco.

No meio de uma prudente confissão de fortuna, Abrunhosa continua a defender a “Revolução”, com “cabeças de fora”, “quantos corpos no porão”, coisa que o leve – e às massas, presume-se – a “ser dono do Cristo-Rei”.

Entretanto, como a revolução teima em não vir, o homem, que “investiu no imobiliário” está agora mais virado para “produtos financeiros tradicionais”.

Fiquemos por aqui, embora muito mais lições se pudesse tirar da entrevista. Um esquerdista exemplar!

 

Aos leitores o desafio de tentar perceber se o homem é parvo ou não, ou até onde é parvo e desde onde deixa de o ser.

 

15.7.12

     

António Borges de Carvalho



7 respostas a “ABRUNHOSA”

  1. Faz-me lembrar os idos anos 74, em que alguns ricaços se íam filiar no PCP e na UDP, com medo de serem espoliados. E muitos safaram-se bem, com a hipocrisia.Mais um para o molho!!!

  2. Este “post ” significa um sério problema de índole psiquiátrica Na verdade, representa o clássico mecanismo psicológico de SUBLIMAÇÃO.No entanto, não é isto que me faz ripostar. Com efeito, a motivação prende-se com o pedido que outrora lhe fiz: EMPRÉSTIMO DE UM CORTA-RELVAS.Ora, conquanto nunca vislumbrei qualquer resquício de satisfação ao meu desiderato (da sua parte, diga-se), fui hoje premiado com dois corta-Relvas : um de marca “Jardim”, outro de marca “Martelo”!!!Em breve verei como 1º ministro (de iniciativa presidencial) o Luís MM…. (ao contrário de tapar o “buraco” a que alude o “Martelo”).

    1. Não sei quantas vezes já disse que o ministro Relvas devia ir à vida. Se v. continua a não perceber, o problema é seu.

      1. A questã é que sabe “.. quantas vezes já disse que o ministro Relvas devia ir à vida.” Daí “problema de índole psiquiátrica”!

  3. Mentiroso, já todos sabemos que é.Agora, ladrão e gatuno…!? – de Borba.

  4. Vale uma aposta que para a semana o expresso vai entrevistar o D.Januário, bispo da tropa? Só recomendo que a entrevista seja feita antes do almoço ou antes do jantar porque a sede do D.Januário é imensa e depois das refeições é perigoso falar com ele, como se viu na TV24.

    1. “…é perigoso…”, porquê e para quem?

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