14 de Julho é, como toda a gente saberá, a data da célebre tomada da Bastilha, em que bandos de arruaceiros, com o pretexto de libertar o “povo”, mataram os aristocratas gatunos e os gatunos não aristocratas que lá estavam presos – “povo” havia lá pouco ou nenhum – num incêndio e explosão que, após conversações com o comandante da prisão, se tinham comprometido a não causar.
Com base neste vergonhoso acontecimento construiu-se uma história, falsificada mas triunfante até hoje, os franceses mataram-se uns aos outros durante dezenas de anos, e acabaram por construir a République, coisa que esteve na origem de muitos assassínios e desgraças, entre os quais o 1º de Fevereiro e o tristíssimo 5 de Outubro, tão falsificado entre nós quanto o 14 Juillet o foi, e é, em França.
Foi a via que escolhemos, isto é, que escolheram por nós os próceres da République, em vez de tentar evoluir para formas mais legítimas e mais limitadas de governo, como aconteceu com os anglo-saxónicos e com os que souberam imitá-los.
Nada melhor que este dia para homenagear esse inigualável guru do nosso triste e pouco esperto Seguro, o senhor Hollande.
O rapaz brindou a França com uma data de promessas que, ou não devem nada à inteligência, ou são impossíveis de cumprir. Igualmente a presenteou, e aos pategos da classe Seguro, com a esperança de vir a fazer frente às exigências da Frau Merkel.
Quanto às promessas, é o que se sabe: mais impostos, menos rendimentos, como não pode deixar de ser num país que não está na bancarrota mas já esteve mais longe dela. Quanto à famosa “política europeia” do homem, o que se vê é o dito nos gordos braços da senhora, aos beijinhos, disposto a tudo.
Quem fez frente à germânica senhora com algum resultado acabou por ser o senhor Monti, italiano esperto e convincente. A ele se atrelou o castelhano Rajói, a fim de, de rastos, cantar vitória lá na terra dele.
O senhor Monti, católico, moderado, longe da esquerda, tem sido um dos bombos da festa preferidos da nossa espertíssima intelectualidade: que não foi eleito, que não é legítimo, que é um lacaio do FMI, um servidor da Frau, um governante imposto pela finança internacional! Esta gente nem se lembra que, em Itália, há um parlamento eleito, que é o parlamento eleito quem legitima e apoia o senhor Monti e que o senhor Monti é, pelo menos por isso, impecavelmente legítimo.
Que interessa? O senhor Monti não alinha nas tropas da esquerda, por isso não presta, é um safardana e um ditador a soldo.
E pure si muove, dizia um seu compatriota, aliás muito maltratado. E o senhor Monti moveu-se, deixando a léguas os holandes e os nossos brilhantes intelectuais.
Não lhes servirá de lição, porque nada lhes serve de lição se não respeitar as cartilhas bacocas em que se inspiram e vegetam.
Um 14 Juillet cheio de marseillaises, de paradas, de folclore político e de glória holandesca, é o que o IRRITADO deseja, do fundo do coração, aos nossos pais intelectuais*, os ridículos franciús.
14.7.12
António Borges de Carvalho
*T’arrenego!

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