Numa das inigualáveis páginas com que usa brindar o povo no jornal socialista “Diário de Notícias”, o nosso grandioso prémio Nobel, José Saramago de seu nome, continua a atribuir as culpas de todos os males do mundo ao tenebroso capitalismo monopolista.
No seu último artigo, a coisa vem, imagine-e, a propósito… da gripe A. Segundo a criatura, se “um vírus presumivelmente mortal” entra na pulmoeira do cidadão, tal fica a dever-se “a ter sido apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas”.
Genial.
O Irritado permite-se acrescentar que deve ter sucedido o mesmo com a peste negra na Idade Média, época em que, como é sabido, havia inúmeras transnacionais de origem ianque a operar na Europa. Isto, para não falar na pneumónica que, a soldo do capital monopolista, dizimou milhões de pessoas a seguir à primeira grande guerra. Deve, aliás, ter sido por causa das multinacionais que o Senhor Dom Pedro V, tão bonzinho, morreu tão cedo.
Pois é. Fique a saber quem ainda o não sabe, que tudo é devido às “ ‘factorias’ (veja-se o requinte do português do homem) porcinas” que há nos EUA e que se espalham para Sul. O homem documenta a coisa com um estudo de uns amigos dele que publicaram um “informe” (português do melhor, um adjectivo armado em substantivo) a dizer que as grandes varas de porcos são propícias aos surtos virais, e que, no “epicentro” da actual crise é capaz de estar uma pocilga qualquer que a multinacional Smithfield (americana, pois claro!) tem em Veracruz.
Mais, muito mais. A gripe aviária também é resultado directo das manobras das multinacionais que pululam lá para as àsias. No caso vertente deve tratar-se, como é evidente, dos conhecidos cartéis americanos que dominam as tascas chinesas de venda de galinhas.
Não é lindo?
É difícil, diz o nosso distinto Nobel, “enfrentar—se ‘ao’ (veja-se quão preciosa é a utilização da preposição a, em vez da preposição com, como mandaria um conhecimento básico da língua portuguesa) monstruoso poder dos grandes conglomerados”.
O prolixo génio acaba com uma espécie de aviso: “Poderá pedir-se (sic) honradez a uma transnacional?”.
O Irritado não sabe a resposta. Mas pode fazer outra pergunta: Poder-se-á pedir honradez aos comunistas em geral e ao senhor Saramago em particular? Responda quem souber.
3.5.09
António Borges de Carvalho

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