IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PINHO, O GROSSO

 

No meu tempo, logo a seguir à guerra, faltava tudo. As pessoas, munidas de uns papelinhos amarelos, verdes e azuis, metiam-se em bichas quilométricas, nos postos de abastecimento. Um papelinho amarelo dava direito a 125gr.de manteiga, com dois azuis comprava-se meio quilo de açúcar. Já não sei para que serviam os verdes.

Farinha de trigo era coisa inexistente, ou quase.

Em casa, as crianças como eu comiam umas horrorosas papas de farinha de milho adoçadas com uma coisa preta cujo nome me escapa.

 

Os tempos mudaram, a farinha de milho, mais tecnológica, arranjou a versão Maizena. Com Maizena também se fazia papas, até que outras papices apareceram. Detesto papas, seja de que espécie for.

A Maizena passou a ser usada em culinária, para engrossar molhos e sopas.

Até aqui, tudo bem.

 

O que não passaria pela cabeça de ninguém é que viesse a ser usada por um tipo engrossado, ou grosso (vilão, ordinário, primário, rasca, troglodita) para engrossar a conversa. Ainda menos por um tipo que é ministro de um governo que se deveria supor civilizado mas que, evidentemente, não o é.

O grosso teve o topete de usar a farinha Maizena para “provar” que um político, por ser mais jovem, não tinha a “categoria” de um oportunista mais velho. É claro que o oportunista mais velho adorou a história, e disse-o. Há muitos anos que ninguém o “apreciava”! Oriundo da ala direita do primitivo CDS, o homem viajou paulatinamente ao sabor das conveniências, até se tornar num socialista convicto e bem pago. Merece as loas do grosso.

 

A história não teria outra importância que não a de provar que o grosso é mesmo grosso, coisa que toda a gente já sabia.

O problema é que não é só o grosso que é grosso. Os outros, a começar pelo primeiro-ministro, são tão grossos como ele. Olhem o Lino! Mais grosso não há. Olhem a pesporrência balofa e ignara do chefe! Querem maior grossura? Olhem esta gente que faz propaganda eleitoral, da mais ordinária, em cerimónias públicas. Olhem esta gente que não distingue a dignidade formal de um ministro da mais primitiva chicana eleitoral. Olhem a quem estamos entregues!

Estes tipos são grossos (vilões, ordinários, primários, rascas, trogloditas), com Maizena ou sem ela. Não estão grossos, são grossos. Não é defeito, é feitio.

 

8.5.09

 

António Borges de Carvalho


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