IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VOLTA DINHEIRINHO, ESTÁS PERDOADO!

 

É difícil “encaixar” a desgraça que por aí anda e por aí vai continuar a andar e a ser cada vez mais desgraça.

Até quando? Ninguém saberá dizer. O mais provável é que a desgraça se instale e passe a ser “normal”.

Já toda a gente pensou, até há quem o tenha dito e escrito, que não é possível recusar a herança do senhor Pinto de Sousa como se ele tivesse sido nosso tio, nem evitar as dramáticas consequências do que vai por essa Europa fora, como se à Europa não pertencêssemos.

Apesar de perceber e até aceitar que não pode deixar de haver austeridade, e da dura, da difícil, todo o bicho careta acha que ela deve parar à sua porta.

Os tipos das SCUTS acham que não têm que pagar as portagens. Os funcionários, que lhes não devem ir ao ordenado. Os reformados, que nas pensões não se toca. Os meninos, que os empregos devem ser garantidos, universais, bem pagos e vitalícios. Os sindicatos nem sequer percebem que quanto mais greves fizerem pior para eles. Os partidos comunistas dizem que é possível fazer omeletas sem ovos ou acham que quanto pior melhor, porque abre caminho às vanguardas. Os professores acham que há lugares para todos, nem que seja um professor para cada aluno. Os médicos que isso das horas extraordinárias tem que ser garantido.

E por aí fora. Toda a gente acha que é preciso que os outros paguem. Bodes expiatórios não faltam, os bancos, os ricos, os políticos, os corruptos, o diabo a quatro. Se se tirasse o dinheiro aos bancos, aos ricos, aos políticos, aos corruptos, ao diabo a quatro, resolvia-se o problema! Não se resolvia coisa nenhuma, mas a malta vai alimentando estas revolucionárias ilusões.

A última “indignação”, expressa em ameaças de pacotilha, é a dos tasqueiros e quejandos. A bica a setenta cêntimos em vez de sessenta e cinco? Nem pensar! Vai tudo à falência. As camas de hotel a oitenta euros em vez de setenta e cinco? Acabou-se o turismo! E por aí fora. É o pânico fabricado por mais uns que não querem pagar, em vez de cortar as unhas.

 

Para além de todas as asneiras “sociais”, bancárias, dos governos, do welfare, há uma realidade que ninguém reconhece como tal: o dinheiro mudou de residência. Não desapareceu. O dinheiro nunca desaparece. Muda-se. Migra.

Se o dinheiro migrou, é preciso ir buscá-lo onde está. Como com as pessoas, é preciso atrair esse ilustre emigrante. O dinheiro, como as pessoas, só volta se lhe oferecerem boas condições de vida.

É aqui que bate o ponto. Fazer voltar o dinheiro, a bem, não é fácil. É preciso esquecer uma data de sentimentos nacionalistas, coisa, essa sim, que regressa e por aí grassa, como há cem anos. Sabe-se o que dá, e onde conduz. Sabe-se ao que levou, no século passado.

Julga o IRRITADO que, um dia, o dinheiro vai voltar. A bem ou a mal. Essa tão odiada categoria económica, condição de liberdade, pode voltar como tal, ou como ferramenta de guerra ou de domínio. É aqui que bate o ponto.

 

Entretanto, a opção de não pagar deixou de ser opção. E quanto mais se quiser resistir, pior.

 

13.10.11

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “VOLTA DINHEIRINHO, ESTÁS PERDOADO!”

  1. Há 25 anos, em plena “Reaganomics”, um empresário americano muito experiente, e muito bem sucedido, escreveu algo como isto: «Impressionar Wall Street tornou-se o Grande Passatempo das Empresas Americanas». Segundo ele, as grandes empresas tentavam agradar aos accionistas e aos especuladores, trocando decisões sensatas a longo prazo por benefícios a curto prazo, e lucros reais por lucros fictícios. Na volatilidade artificial dos “mercados”, o parecer tornou-se mais importante do que o ser. Esta espiral, vaticinava ele, não traria nada de bom. Hoje, somando-lhe a ganância da canalha banqueira e a sua crise do “subprime”, todos vemos o que ele queria dizer. Todos? Não. O Irritado provavelmente não vê. O Irritado quer provavelmente manter tudo como está, a nível da canalha financeira e dos “investidores” (leia-se: agiotas), e ao mesmo tempo quer que não acabemos nas mãos dessa canalha, tal como estamos agora, e tal como estão outros países. Ou seja, o Irritado julga viável manter exactamente o mesmo sistema, fazer exactamente a mesma coisa, e obter resultados diferentes. Sim, porque nada mudou: a suposta “regulação” não mudou. A filosofia dos “bailouts” não mudou. O regabofe dos “gestores” não mudou. E o casino financeiro, nacional e global, não mudou. O Estado vai ao bolso da malta, aumenta impostos directos e indirectos, portagens, enfim, tudo o que pode, mas os “mercados” e a Banca continuam a ser sagrados. Os lucros das EDPs e Galps da vida também são sagrados: aumenta-se o IVA da electricidade, a EDP não absorve um cêntimo desse aumento. Aumenta-se o imposto sobre os combustíveis, e a Galp cobra-o imediatamente ao consumidor. Tal como os bancos aumentam alegremente os “spreads” (curioso eufemismo), quando lhes apetece. Diz o Irritado: é preciso ir buscar o dinheiro onde ele está. Não podia estar mais de acordo: vamos lá buscá-lo aos offshores, às fortunas manhosas de tantos trafulhas, aos lucros obscenos de grandes grupos económicos, e aos especuladores e agiotas que nos chulam, com a cumplicidade das famosas agências de rating. Mas é precisamente aí, onde ele está, que o Irritado não o quer ir buscar.

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