IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA REFORMA ADMINISTRATIVA

 

Tal como a austeridade só é precisa desde que acabe à porta de cada um, também a reforma administrativa bate na rocha de cada freguesia e de cada câmara municipal.

Todos estes milhares de estruturas se auto consideram indispensáveis e fundamentais. Sem elas não há “apoio social”, sem elas os velhinhos morrem mais cedo, sem elas aumenta o analfabetismo, sem elas as criancinhas morrem de fome, sem elas não há “proximidade”, nem “cultura”, nem “bem-estar”…. Isto, para além de, como é evidente, a “democracia ficar mais pobre”.

 

O governo, infelizmente, já anda a meter o rabo entre as pernas com medo dos eleitos. Já anda à procura de desculpas, incapaz de fazer frente à monumental rebaldaria autárquica que há décadas campeia pelo país fora. Uma pena.

Mais uma vez, vamos acabar por fazer as reformas, se as fizermos, não por iniciativa própria mas a reboque das circunstâncias. Inúmeras câmaras, por exemplo, privadas dos fabulosos rendimentos da urbanização e da construção, estarão, a curto prazo, falidas. Então, perante o irremediável descalabro, talvez não haja outro remédio senão acabar com elas. O mesmo, ou equivalente, no que diz respeito às freguesias.

O governo, ou se agarra aos anúncios feitos e entra a matar, nesta como noutras matérias, ou ficará tudo na mesma e com buracos a surgir por toda a parte, cada vez mais fundos.

As urgentíssimas decisões darão protestos, camionetas carregadas de picniqueiros a infestar Lisboa, agitação “social”, mas, daqui a um ano, já ninguém se lembrará da coisa.

 

Noutra matéria em que parece haver intenção reformista, põe-se a mesma questão. Ou já, ou nunca.

Trata-se de uma profunda reforma legislativa destinada a tirar poder às autarquias, não entregando-o a outrem, mas acabando com ele. Se os labirintos legais – de que as autarquias se servem para complicar os regulamentos e sustentar técnicos e burocratas que, pior que inúteis, são contraproducentes – forem abolidos e substituídos, ou por nada, ou por meia dúzia de normas simples, rápidas e justas, talvez os cidadãos deixem da andar ao serviço das autarquias e estas passem a estar ao serviço dos cidadãos. E, se as coisas forem simples e justas, para quê tantas autarquias, tantos burocratas, tantos ordenados, tanta corrupção? Para nada. Para quê tantas entidades reguladoras que só regulam ordenados e prebendas, para quê tantas “firmas” “privadas”, autêntica chusma de parasitas encarregados de explorar estorvos regulamentares e legais?

 

Ou o governo actua em força e sem demora ou não haverá reforma nenhuma. Por outras palavras, se houver será aquela a que os estrangeiros obrigarem, quando a situação piorar ainda mais.

 

Depois, não se venham queixar de “perdas de soberania”!

 

13.10.11

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “DA REFORMA ADMINISTRATIVA”

  1. Da reforma administrativa não posso dizer muito, pois ainda não vi nada. Ouvi umas promessas, tal como tinha ouvido sobre a responsabilização dos políticos, sobre a redução da TSU, o não aumento de certos IVAs, a salvaguarda do rendimento das pessoas, o cancelamento de obras irrealistas, a suspensão de parcerias ruinosas, a extinção de inúmeros tachos e das fábricas que os produzem, como Fundações, etc. Sobre tudo isto ouvi algo, que, ou foi metido na gaveta, ou vai ser “repensado”. Quando e como, ninguém sabe. Mas têm havido medidas concretas, e hoje ouvi outra: o OE 2012. Por esta altura, já todos sabem que vão retirar os subsídios aos funcionários públicos, cuspindo novamente na Constituição, na Lei do Trabalho, e outras balelas. Até se dá ao luxo – pasme-se – de aumentar em meia hora o horário de quem não trabalha para ele! Isto certamente fará maravilhas pela nossa “competitividade”. Já estamos mesmo a ver. Novamente, este Governo é o Super-Homem: faz o que quer. Só que continua a ser um Super-Homem selectivo – para suspender/renegociar unilateralmente PPPs, ou para taxar a sério a Banca, por exemplo, já há uma montanha de obstáculos. Não é chegar lá, e “prontos” – nada disso. Só noutras questões, como este OE nos ilustra, é que a força do Super-Homem é implacável. Estou à vontade para falar, pois não recebo nada do Estado, antes ajudo a sustentá-lo, e já não me lembro do último subsídio de Férias ou Natal que recebi. E digo-o em maiúsculas: ESTE GOVERNO É UMA FRAUDE. Mais: ESTE GOVERNO ESTÁ A TENTAR ACABAR DE VEZ COM O PAÍS. Continua a roubar a Economia, para pagar os juros criminosos que herdou, que há-de ajudar a aumentar. Os filósofos parisienses gozam-nos, os Albertos riem-se, a canalha que nos deixou na merda exulta. Só os “mercados”, aposto, ficarão indiferentes. Ou piores. ——————————– Sejamos francos, só cá ainda estamos porque somos otários. Não há outra explicação racional. E quem cá tenta manter um negócio honesto, e postos de trabalho, como eu, é otário a dobrar. Admito: SOU DUPLAMENTE OTÁRIO. Até cheguei a acreditar, por breves momentos, neste Governo. Sou uma besta quadrada.

    1. Somos dois DUPLOS OTÁRIOS.Mas estou em crer que mais brevemente o dirão. Aí sim, com “pau de marmeleiro” vergastaremos este FRAUDE de governo.

      1. Infelizmente, correr com estes Cobradores do Fraque, com estes meros executores fiscais, não mudará grande coisa. Os cobradores deles continuarão a exigir-nos o pagamento, com juros acrescidos. Estamos manietados internamente, e externamente. Internamente, pelos interesses instalados; externamente, pela canalha financeira e especuladora que jamais largará a mama, sem uma bala na testa. Portugal já nem domina a sua própria moeda, e há muito que abdicou da sua agricultura, pescas, e indústria. Para darmos um peido, temos que pedir licença à UE, ao BCE, ao FMI, e aos “mercados”. Abraçámos alegremente esta ruína, elegendo os espantalhos que nos iludiram, estourando as esmolas que nos deram, e transformando-nos lentamente de um país pobre que produzia e não devia, num país pobre e endividado, que nada produz. Não me digam que isto foi apenas resultado de perdermos as colónias. O problema é mais fundo. Tornámo-nos num país de centros comerciais, de telemóveis e gadgets, de Ronaldos e Mourinhos a dizerem-nos porque devemos engordar mais a canalha da Banca, um país pago para não produzir, habituado a gastar o que não tem. Fui ontem à tarde ao Colombo, seriam umas 16h, estava cheio. Literalmente cheio de gente. Eu não tenho patrão, fui lá comprar umas coisas, porque precisava e porque podia. E o resto das pessoas? Como e porquê estavam ali? Quem lhes paga? Estão todos de férias? Em Outubro? São todos empresários? Reformados não são, pois a maioria era da minha idade, ou mais nova. Como raio podem estar a passear num centro comercial, num dia útil, às 4 da tarde? O meu pai trabalha na indústria naval. Acabei de falar com ele ao telefone, esteve num trabalho que durou apenas uns dias. Há anos que não passa disto. Os Mellos abicharam uns milhões para acabar com o que resta da nossa indústria naval, que já foi uma das nossas jóias da coroa. Hoje, os estaleiros estão fechados, ou prestes a fechar. O meu pai, como milhares de outros, espera apenas a reforma. É um trabalhador extremamente qualificado, com décadas de experiência, disposto a trabalhar 12 horas por dia. E passa a maior parte dos dias em casa, porque temos dinheiro para centros comerciais e para os “mercados”, mas não temos dinheiro para manter uma das raras indústrias em que podíamos dar cartas. A realidade é dura, mas é a realidade, temos que a aceitar: este país não presta. Vive de esquemas, de esmolas, de pulhices e de calotes. Não queremos ser melhores, e não havemos de ser melhores. Merecemos os Pinóquios, os Mordomos de Bruxelas, as Múmias Cavacas, os Albertos e Isaltinos, os Varas e Farfalhas. Ou melhor, muitos de nós não os merecem, mas a MAIORIA de nós merece-os. Só pode merecer. Peço desculpa pela negatividade, mas hoje estou mesmo muito negativo.

    2. Finalmente você reconheceu o que já tinha percebido há muito.Nunca é tarde para uma introspecção!!!

      1. Introspecção para todos … também para si.

        1. E conte lá porque me recomenda tal?

          1. Você é inteligente (duro, mas inteligente) … sabe do que estou a falar.

  2. Digam-me qual o governo pós abrileiro que não foi uma fraude.Não votei.não porque não desejasse o afastamento do meliante que levou isto directamente à bancarrota.Apenas porque após 37 anos,é difícil enganarem-me.Há alguns anos decidi que não mais votaria em males menores.As medidas do governo vão ajudar a reduzir o défice? Vão,não duvido.Mas à custa de quem? Dos que o causaram ou dos indigentes e dos que em nada contribuiram para este estado calamitoso em que deixaram a nação?Entretanto o que se passa com os que enriqueceram com o dinheiro dos contribuintes e que vão das autarquias aos governos?É preciso uma lata monumental para exigir miséria,não sacrifícios como eufemísticamente chamam os tubarões do regime,aos mais humildes,sem antes confiscar os biliões que os políticos colocaram em offshores ou na Suíça e em imobiliário.Ridículo os milionários da função pública (políticos) virem às TV’s falar em mais sacrifícios.

    1. O problema maior não é o défice mas o endividamento externo. Gastámos o que não tínhamos e, agora, chegou a altura de pagar as contas. Com a estrutura produtiva destruída por anos de desgoverno e falta de visão, só resta aos “eleitos” atacarem a pequena poupança e os salários de quem ainda consegue trabalho. Sim, porque os pobres não pagam, recebem, e os ricos, novos e velhos ricos, já não andam por cá. Ficou o betão … estamos cheios de betão, a parte mais visível do saque.Sou absoluta defensora de julgar criminalmente os antigos dirigentes deste país (leia-se dirigentes do PS e PSD), pelo descalabro das contas públicas, gestão danosa de dinheiro dos contribuintes e, em muitos casos, enriquecimento ilícito e roubo. Esta gente deveria ser seriamente responsabilizada.

  3. Porque não acabar com o Governo e com a República?Quando uma República é estado de arbítrio, tirania e Império de ladrões não adianta mudar autarquias, governos ou parlamentos´. É preciso mudar a República!!!

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