IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


WIKIMERDA

 

Um apátrida – pedófilo e violador segundo a Justiça sueca – inventou um novo negócio: bufar sobre segredos de estado, questões de defesa, correspondência reservada, documentação classificada, opiniões privadas, etc., isto é, tornar público o que público não é, nem deve ser.

Segundo o direito internacional e o Direito tout court, estas matérias costumam fazer parte do que só se “abre” vinte ou trinta anos depois do seu acontecimento.

Segundo parece, nenhum mandato de captura internacional foi emitido, o canalha escondeu-se em qualquer lado, transformou-se em herói da imprensa, fonte de manchetes tão ilegítimas como absurdas, quebra-cabeças para quem tenta correr com ele da net.

Se algum político, algum diplomata, voire algum cidadão comum, resolver opinar por escrito, ou por voz devidamente gravada, que o senhor Obama é um idiota e a senhora Ângela um coiro, que se devia queimar com napalm o ópio cultivado no Afeganistão e na Bolívia, eliminar o Amadinejá, ou coisas do género, sujeita-se ao opróbrio internacional e às críticas dos defensores da “transparência”.

A coisa serve à maravilha os instintos de alguns proclamados defensores dos direitos do homem que outra coisa não defendem que não seja a sua cor política e a sua luta por pessoal fama e proveito.

 

Entre muitos, dois exemplos domésticos:

 

1 – Ontem, no jornal privado chamado “Público”, o deputado comunista Rui Tavares, muito conhecido pelas viagens que faz à custa do Parlamento Europeu, dedica-se ao panegírico do canalha. Diz ele, cheio de radiosa alegria, que, graças à Wikimerda, se ficou a saber que:

– O Príncipe André, mancomunado com uns cazaques, vendeu a casa mais cara do que era suposto, o que é evidente sinal de corrupção;

– O Rei das Arábias disse que o Amadinejá era “a cabeça da serpente”;

– Os EUA não passam de um terrível Big Brother, que espia as contas bancárias de cada um, etc.

O deputado comunista, deliberadamente, esquece:

– Que o Príncipe André, como é evidente, não trata nem nunca tratou de vender casas, e que misturar o Cazaquistão com a história é capaz de não contribuir para nada de bom;

– Que “destapar” a opinião de Rei das Arábias sobre o Amadinejá é coisa que põe em risco a segurança mundial;

– Que, se os EUA não se põem a pau com as contas de certos artistas, apanham com mais uns aviões no focinho.         

 

2 – Nos últimos dias, saíram da obscuridade política onde habitualmente vegetam, duas figuras de proa da nacional bufaria:

– Um careca, aparatchik do PSD mais ou menos desde que nasceu (falha-me o nome do homem);

– Uma senhora conhecida pela sua total ausência de bom-senso – dona Ana Gomes, do PS.

Ambos, ciosos dos seus pergaminhos bufóides, apressaram-se em ressuscitar a história dos transportes de prisioneiros feitos pela CIA. Ambos puxaram pelos galões de “investigadores”. Bem fez o governo (alguma coisa bem feita há-de escapar nas entrelinhas da asneira) em não dar à casca e remeter as declarações dos bufos para o caixote. É evidente que lhes resta, falhado o objectivo nacional, continuar deitar achas para a fogueira internacional. Que diabo, são deputados europeus!

 

Conclui-se desta porcaria toda (desculpem os leitores o uso do vernáculo em epígrafe) que o que o apátrida e pedófilo canalha alimenta é a horda de profissionais do descrédito do mundo que os sustenta e lhes vai garantindo o bem-estar, a segurança, e toda a liberdade para asnear como muito bem entendem.

Acham que, contra os seus alvos de eleição – os do tal mundo – vale tudo, até vale alimentar a tese da legitimidade da Wikimerda.

 

2.12.10

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “WIKIMERDA”

  1. Então não é que até estou de acordo consigo praticamente em tudo o que escreveu!Só lamento que tenha sobre esta matéria “do direito á verdade”,dois pesos e duas medidas.Foi aqui,por si,defendido que os jornalistas deveriam violar o segredo de justiça para informar os seus leitores.Sem nexo,portanto,a relação entre os dois factos.

  2. O Irritado QUASE me fez lembrar o discurso do «jornalismo de buraco de fechadura», do nosso querido PM, quando foi apanhado em escutas pouco recomendáveis, com amigos ainda menos recomendáveis. Digo quase, porque nem a brincar o compararia a Pinto de Sousa, há limites que não se podem ultrapassar, entre pessoas de bem. Além disso, as supostas “revelações” do Wikileaks estão longe de ser tão esclarecedoras, como as ditas escutas. Falamos de banalidades trocadas entre diplomatas, que revelam a hipocrisia há muito conhecida, entre a canalha americana e a canalha dos restantes países. Ninguém ficou espantado. Ou melhor, até ficámos espantados: esperávamos muito, mesmo muito pior. Falho assim em ver o que tanto o incomoda no Wikileaks, a ponto de lhe chamar Wikimerda: é ser “bufo” que está em causa? Preferia manter tudo sob cobertas? Que se lixem as cobertas, só vivemos uma vez, e temos direito à VERDADE – seja ela qual for. Não será certamente o Wikileaks a dar-nos toda a verdade que merecemos, se calhar está a soldo de alguém, se calhar só diz o que lhe interessa. Que seja: alguma coisa, é melhor do que nada. Houvessem 10, 100, 1000 Wikileaks, mas a sério, para destapar a careca a todos os PULHAS com a mania dos segredos, que mantêm este mundo miserável e controlado por medos e manipulações várias, sempre em benefício dos mesmos interesses, sempre a encobrir a mesma canalha. Será ser muito ingénuo, e sonhador? Talvez, mas o D. Duarte também o é, e o Irritado até o elogia. É bom sonhar.

    1. V. tem razão quando diz que, no caso do wilyleaks, a montanha, com perigosas excepções, pariu um rato. Isto não tem nada a ver com o Pinto de Sousa, ao contrário do que já foi escrito nos comentários ao IRRITADO. O que sobre ele foi revelado – um rato que esconde a montanha… – não era segredo de Estado, e é controverso dizer que não podia ser publicado, por razões de interesse público. O mesmo interesse público que, segundo a lei e o costume internacionais, protege certa correspondência e outros docs. oficiais, e muito bem. Por outro lado, dizer que TUDO deve ser público é contrário ao Direito e aos legítimos interesses das Nações. Compreendo que se defenda essa posição, mas, revelando tudo, também se revela o que devia estar legitimamente reservado, para proteger coisas mais importantes que a mera “transparência”. Onde estão os limites, eis o problema. Já alguém disse que, para esconder a verdade, o melhor é pô-la a nu… e não foi o Maquiavel, nem o Richelieu!

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