Um apátrida – pedófilo e violador segundo a Justiça sueca – inventou um novo negócio: bufar sobre segredos de estado, questões de defesa, correspondência reservada, documentação classificada, opiniões privadas, etc., isto é, tornar público o que público não é, nem deve ser.
Segundo o direito internacional e o Direito tout court, estas matérias costumam fazer parte do que só se “abre” vinte ou trinta anos depois do seu acontecimento.
Segundo parece, nenhum mandato de captura internacional foi emitido, o canalha escondeu-se em qualquer lado, transformou-se em herói da imprensa, fonte de manchetes tão ilegítimas como absurdas, quebra-cabeças para quem tenta correr com ele da net.
Se algum político, algum diplomata, voire algum cidadão comum, resolver opinar por escrito, ou por voz devidamente gravada, que o senhor Obama é um idiota e a senhora Ângela um coiro, que se devia queimar com napalm o ópio cultivado no Afeganistão e na Bolívia, eliminar o Amadinejá, ou coisas do género, sujeita-se ao opróbrio internacional e às críticas dos defensores da “transparência”.
A coisa serve à maravilha os instintos de alguns proclamados defensores dos direitos do homem que outra coisa não defendem que não seja a sua cor política e a sua luta por pessoal fama e proveito.
Entre muitos, dois exemplos domésticos:
1 – Ontem, no jornal privado chamado “Público”, o deputado comunista Rui Tavares, muito conhecido pelas viagens que faz à custa do Parlamento Europeu, dedica-se ao panegírico do canalha. Diz ele, cheio de radiosa alegria, que, graças à Wikimerda, se ficou a saber que:
– O Príncipe André, mancomunado com uns cazaques, vendeu a casa mais cara do que era suposto, o que é evidente sinal de corrupção;
– O Rei das Arábias disse que o Amadinejá era “a cabeça da serpente”;
– Os EUA não passam de um terrível Big Brother, que espia as contas bancárias de cada um, etc.
O deputado comunista, deliberadamente, esquece:
– Que o Príncipe André, como é evidente, não trata nem nunca tratou de vender casas, e que misturar o Cazaquistão com a história é capaz de não contribuir para nada de bom;
– Que “destapar” a opinião de Rei das Arábias sobre o Amadinejá é coisa que põe em risco a segurança mundial;
– Que, se os EUA não se põem a pau com as contas de certos artistas, apanham com mais uns aviões no focinho.
2 – Nos últimos dias, saíram da obscuridade política onde habitualmente vegetam, duas figuras de proa da nacional bufaria:
– Um careca, aparatchik do PSD mais ou menos desde que nasceu (falha-me o nome do homem);
– Uma senhora conhecida pela sua total ausência de bom-senso – dona Ana Gomes, do PS.
Ambos, ciosos dos seus pergaminhos bufóides, apressaram-se em ressuscitar a história dos transportes de prisioneiros feitos pela CIA. Ambos puxaram pelos galões de “investigadores”. Bem fez o governo (alguma coisa bem feita há-de escapar nas entrelinhas da asneira) em não dar à casca e remeter as declarações dos bufos para o caixote. É evidente que lhes resta, falhado o objectivo nacional, continuar deitar achas para a fogueira internacional. Que diabo, são deputados europeus!
Conclui-se desta porcaria toda (desculpem os leitores o uso do vernáculo em epígrafe) que o que o apátrida e pedófilo canalha alimenta é a horda de profissionais do descrédito do mundo que os sustenta e lhes vai garantindo o bem-estar, a segurança, e toda a liberdade para asnear como muito bem entendem.
Acham que, contra os seus alvos de eleição – os do tal mundo – vale tudo, até vale alimentar a tese da legitimidade da Wikimerda.
2.12.10
António Borges de Carvalho

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