IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM TRAMBOLHO

Os candidatos à Presidência da República, em coro, desunham-se a ver quem diz piores coisas sobre aquele cujo lugar ambicionam.

Nem o Alegre, nem o Nobre, nem aquele tipo lá do Norte, têm seja o que for dentro da cabeça, para além de vagas ideias, de defesa de coisas que jamais defenderiam se fossem eleitos, a ver quem é mais vazio e mais inconsequente. O Chico esperto do PC, esse, tem a cabeça programada com uma das cartilhas dos princípios do século passado, o que vale a mesma coisa, ou menos.

Neste deserto mental, resta-lhes atacar o Doutor Cavaco, pelo que fez, pelo que não fez, pelo que faria se, pelo que não fará se, ou fará se.

 

Chega a meter nojo tanta vacuidade e o esbracejar de tanta petulância.

 

Os candidatos, no fundo, coitados deles, têm razão. A única hipótese que têm de conseguir uma segunda volta, onde o camarada Alegre tenha alguma, mínima, hipótese de sucesso, é dar cabo do actual Presidente, seja como for e com que instrumentos for. Até a culpa do fracasso e da clamorosa incompetência do PS passou a ser de Cavaco! E por unanimidade dos pretendentes!

Como sabem que pouco ou nada podem fazer, aldrabam. Ainda ontem, o senhor Alegre dizia que, com ele presidente, jamais fosse quem fosse tocaria no SNS ou no ensino público. Não se pode ser mais aldrabão.

 

Por outro lado, coitados deles, não podem deixar de saber que o presidente da república, seja ele quem for, não passa de um trambolho do regime, sem poder, sem autoridade, sem capacidade para fazer seja o que for que se veja, para além da bomba atómica, aliás já usada pelo oportunista Sampaio.

Sabem que a eleição por sufrágio universal de um presidente é uma asneira constitucional de todo o tamanho. Não se devia pedir aos “donos” do poder – os cidadãos – que elegessem o titular de um cargo que de poder nada tem. Não se devia tratar os eleitores com tanto desprezo. Não de devia ter duas legitimidades, eventualmente contraditórias, com a mesma origem.

Portugal é um caso único deste tipo de pessegada constitucional. Outra república há, aqui perto – a Francesa – que também elege directamente o chefe de Estado. Mas trata-se de um chefe de Estado com poder político real. Não é desejável, mas tem a sua lógica.

  

Por cá, nisto como em tantas coisas, a lógica é uma batata, não tem ponta por onde se lhe pegue.

 

2.12.10

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “UM TRAMBOLHO”

  1. Para início de conversa: «o Alegre», «o Nobre», e… «o Doutor Cavaco»? Que diabo, o Nobre até é médico (e também doutorado), e nem merece um “Dr.”zinho? Interrogo-me sobre qual será o critério do Irritado.

    1. Tem razão. O Nobre merecia o Dr. Mea culpa.

      1. Claro que estava apenas a meter-me consigo, como decerto sabe. Desprezo os graus académicos antes do nome, essa parolice tuga tão apreciada por certas “élites” decrépitas, ancoradas no tempo pelas suas peneiras tacanhas. Sempre que ouço falar no “Dr. Cavaco” ou no “Engº Sócrates” (este por óbvios motivos adicionais…), imagino o que seria falar no “Dr. Obama”, a qualquer cidadão do resto do mundo.

  2. Farto-me de rir com este blog. Gostei especialmente da pessegada Cosntitucional e do trambolho do regime. Andamos a coleccionar trambolhos. Se não reelegemos este, é mais um. Fica caro, isto.

    1. CARÍSSIMO! Para aí 50 vezes o custo de um Rei!

      1. Caro Irritado, cuidado com o erro. Olhe que “ela” é “brava” quando o tratam por “ele”!Não é um Sand. É uma Sand (que talvez gostasse de ser um…).

        1. Comentador XXIGeorge Sand é o pseudónimo de uma Senhora efectivamente. Como sempre o foi. Não se trata de ter um pseudónimo que seja confundível, mas de ter um pseudónimo que seja súbtil. É preciso ter alguma cultura para saber quem foi George Sand. Normalmente as pessoas incorrem no erro e, isso diz-me logo algumas coisas sobre o interlocutor.Convido-o a visitar o meu blog e a verificar que não sou “brava” e que a intenção do nick não se prende com nada do que insinua. Tenho efectivamente dois nicks, ambos com mais do que uma leitura. Este e um outro,únicamente como comentadora. Inspirado em Charles Perrault e num livro chamado “les contes -ma mére L’oy”. Ma mère L’Oy é simultaneamente, além do nome de um livro de Perrault, que escreveu contos infantis, o nome de uma das mais famosas suites para piano. Como o caro comentador pode verificar, não é V. Excia nem Chopin, nem o gato das botas.Melhores cumrimentos,George Sand

          1. Resta-lhe uma hipótese…ser V. Excia capaz de boleros. Ravel, escreveu má mère L’Oye, não o mesmo, mas um outro,que não o de Perrault. Desta feita para a mão esquerda. E Debussy. Ainda temos Debussy…

      2. Irritado,Olhe que esta é que eu não esperava: ter que o mandar para a wiki…pédia. Ah!Ah!Ah! http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Sand

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