Os candidatos à Presidência da República, em coro, desunham-se a ver quem diz piores coisas sobre aquele cujo lugar ambicionam.
Nem o Alegre, nem o Nobre, nem aquele tipo lá do Norte, têm seja o que for dentro da cabeça, para além de vagas ideias, de defesa de coisas que jamais defenderiam se fossem eleitos, a ver quem é mais vazio e mais inconsequente. O Chico esperto do PC, esse, tem a cabeça programada com uma das cartilhas dos princípios do século passado, o que vale a mesma coisa, ou menos.
Neste deserto mental, resta-lhes atacar o Doutor Cavaco, pelo que fez, pelo que não fez, pelo que faria se, pelo que não fará se, ou fará se.
Chega a meter nojo tanta vacuidade e o esbracejar de tanta petulância.
Os candidatos, no fundo, coitados deles, têm razão. A única hipótese que têm de conseguir uma segunda volta, onde o camarada Alegre tenha alguma, mínima, hipótese de sucesso, é dar cabo do actual Presidente, seja como for e com que instrumentos for. Até a culpa do fracasso e da clamorosa incompetência do PS passou a ser de Cavaco! E por unanimidade dos pretendentes!
Como sabem que pouco ou nada podem fazer, aldrabam. Ainda ontem, o senhor Alegre dizia que, com ele presidente, jamais fosse quem fosse tocaria no SNS ou no ensino público. Não se pode ser mais aldrabão.
Por outro lado, coitados deles, não podem deixar de saber que o presidente da república, seja ele quem for, não passa de um trambolho do regime, sem poder, sem autoridade, sem capacidade para fazer seja o que for que se veja, para além da bomba atómica, aliás já usada pelo oportunista Sampaio.
Sabem que a eleição por sufrágio universal de um presidente é uma asneira constitucional de todo o tamanho. Não se devia pedir aos “donos” do poder – os cidadãos – que elegessem o titular de um cargo que de poder nada tem. Não se devia tratar os eleitores com tanto desprezo. Não de devia ter duas legitimidades, eventualmente contraditórias, com a mesma origem.
Portugal é um caso único deste tipo de pessegada constitucional. Outra república há, aqui perto – a Francesa – que também elege directamente o chefe de Estado. Mas trata-se de um chefe de Estado com poder político real. Não é desejável, mas tem a sua lógica.
Por cá, nisto como em tantas coisas, a lógica é uma batata, não tem ponta por onde se lhe pegue.
2.12.10
António Borges de Carvalho

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