IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VIRIAMU

O IRRITADO nunca leu um livro da autoria do senhor José Rodrigues dos Santos.

 

Porquê?

Há que confessá-lo. O IRRITADO amarinha pelas paredes, todo encaracolado, quando o homem lhe pisca o olho ou lhe diz “especialmente para si” com aquela carinha de parvo que Deus lhe deu. O IRRITADO tem do homem a ideia de um serventuário do senhor Pinto da Sousa. O IRRITADO acha pornográfico que o homem se tenha demitido e tenha ficado no emprego, com as mesmas regalias que tinha antes de se demitir.

Portanto, o IRRITADO, em várias versões, tem contra o homem um parti-pris dos diabos.

 

Feita a confissão, há que dizer que não está em causa a qualidade literária do que o homem escreve, sobre a qual o IRRITADO se não pronuncia por desconhecimento de causa. Os livros que já publicou, com grandíssima propaganda e assinalável sucesso, dão, pelos títulos e parangonas da publicidade, ideia de que se trata de um storyteller à maneira anglo-saxónica, num tipo de literatura muito vendida mas de fraca “substância”. O que não quer dizer que o IRRITADO a não leia, às vezes com prazer.

 

Parece que o livro que agora nos entra pela porta dentro quer queiramos quer não, descreve uma espécie de “memórias” de Moçambique e da respectiva guerra contra Portugal. Quanto à guerra, deve tratar-se de coisa de ouvir falar, uma vez que, nascido em 1964, não é provável que o escritor se lembre dela nem um bocadinho que valha a pena. O que o impedirá, nem seja a quem for, de escrever sobre ela.

Segundo os panegíricos lidos e ouvidos pelo IRRITADO, parece que a mais importante “mensagem” sobre a guerra transmitida pelo escrito é a da condenação do acontecido em Viriamu, no Norte de Moçambique.

O IRRITADO conhece várias versões desta história, das que dizem ter havido um horrível massacre, com homens, mulheres e crianças barbaramente assassinados sem que mal algum tivessem feito, às que alegam não ter havido massacre de espécie nenhuma, apenas uma intervenção militar de rotina contra o inimigo, dentro do admissível e legal num teatro de operações daquele tipo.

 

Demos de barato que houve um massacre.

O que choca, e já choca há muitos anos, é a insistência no assunto, como se pouco mais tivesse havido digno de nota em 13 anos de guerra. Choca que um só massacre em 13 anos e três frentes, seja testemunho da crueldade das nossas tropas em vez de sinal claro de comportamento exemplar e digno.

Para quem, como o autor do IRRITADO, tem no bucho 27 meses de Norte de Angola, na chamada ZIN (Zona de Intervenção Norte), muito haveria que contar sem nada ter a ver com massacres e desgraças afins.

O autor do IRRITADO viu morrer alguns militares, não viu nenhum inimigo morto, e testemunha de palavra de honra a extraordinária obra de assistência social, humanitária e cultural das nossas tropas em terras tidas por hostis, a sua relação, talvez primitiva, ou “portuguesa”, com as mais inóspitas comunidades, relação muito mais traduzida em empatia e amizade que em tiros e batalhas, que também houve.

O que choca é a tendência fadistóide dos portugueses para se auto-flagelar, ainda por cima cheios de razões para fazer o contrário.   

 

Não sei, nem vou saber, se o livro do piscador-de-olho-da-televisão, é um testemunho deste escarafunchar nas feridas ou não.

Mas é essa a sensação com que se fica ao ler a publicidade.

 

25.10.10

 

António Borges de Carvalho



10 respostas a “VIRIAMU”

  1. Você não leu o livro nem tenciona fazê-lo por preconceitos mesquinhos,todavia não se coibe de botar opinião.Puxa dos galões para falar da guerra de Angola,eu poderia fazê-lo para falar da guerra de Moçambique,e vi muito mais do que aquilo que você conta.Um povo miserável,tratado como escravo,e uma PIDE que não olhava a meios para atingir os seus fins,concordo consigo quando refere a empatia da tropa com as comunidades.Quanto ao massacre,não houve só um!!!

    1. Avatar de Há cada bronco!
      Há cada bronco!

      A tua ignorância só dá vontade de rir.Vai lá agora ver como vivem.São tratados bem melhor e não há polícia política…

      1. Aqui o bronco terá, necessáriamente, de ser o IRRITADO.Senão vejamos, verte uma série de preconceitos (no sentido de pré-existirem) sobre as “qualidades” de Rodrigues dos Santos, sem antes buscar confirmação das suas “sensações”.Ora, tal posicionamento é muito perigososamente demagogo. Aliás, muito próximo das posições “terroristas”, tão pródigas aos fundamentalistas, aos socratianos e, quiçá, ao que invocam o Bloco Central (de interesses).

        1. Acho muito triste, para além de injusto, o seu comentário. Confessei expressamente os preconceitos (“parti pris”) a que tenho direito, e as razões que os “justificam”. Não pus em causa, nem,, podia fazê-lo, como também escrevi, os eventuais dotes literários do escritor, nem a eventual qualidade do escrito. Referi que os “culpados” da crítica que faço são os panegriristas da obra, não o seu autor. É que, por muito que o autor tenha escrito, o sublinhado pela promoção é, quase exclusivamente, o tal massacre.

          1. Caro IRRITADO, desde já confesso admiração (alguma) pelos seus artigos, conquanto em muitos deles comungo.Sucede que, por vezes, quiçá levado pelo destemor de me julgar “dono” da razão, sou injusto. No entanto, creio que “in casu”, que tal não ocorre. Na verdade, o tecelão é “irritante” na parcialidade com que nos brinda nos seus comentários. Mas, isso não pode resultar no seu desejo: sermos iguais a “ele” (leia-se Sócrates).Assim sendo, somente deveria dizer que o Rodrigues dos Santos TIRA PROVEITO (aliás, MUITO BOM) DO “CARGO” (como comissário que é).Tudo isto para dizer: VENDA-SE A RTP, pela diminuição do déficit no OE.

      2. A ignorância,sempre atrevida,por vezes assume atitudes provocatórias,simplesmente lamentáveis pelo que encerra de estupidez militante!!!

  2. Admito que a guerra em África, protagonizada pelos portugueses, tenha tido episódios violentos que extravasaram a mais elementar das decências. Contudo considero que nos treze anos que durou o conflito, essas situações foram esporádicas e, no essencial o magala defendia o coiro e deixava correr o marfim. Os africanos não tinham equipamento nem formação adequada e os portugueses queriam o tempo passado para regressar à metrópole, eram só empatas.O relacionamento entra brancos e pretos, naqueles territórios era tolerante, comparativamente ao que se passava no resto do continente. Não é por acaso que esmagadora maiorias dos povos africanos, sob a custódia dos países anglo-saxónicos, empreenderam muito cedo a luta pela independência!Portugal foi dos últimos a ter colónias, não por acaso. A tropa e a população branca, salvo as devidas excepções, não era demasiadamente hostil, para os parâmetros da época, daí uma descolonização tão tardia.

    1. Não era «demasiadamente hostil»? Seria então hostil, mas não demasiado? O resultado da descolonização está à vista, em TODO o continente africano. Apenas os espíritos – e os media – politicamente correctos, insistem em mostrar que 2 mais 2 são 5. Urge continuar a culpar os colonizadores: os netos dos nossos netos, ainda hão-de ser os brancos mauzões, que estragaram um mundo feliz.

      1. Havia, como é evidente, grupos muito hostis. Mas a generalidade das pessoas não tinha nada de hostil, nem razões para o ser.O que é engraçado, sem graça nenhuma para os adeptos do politicamente correcto, é que, hoje, as autoridades locais (ex-guerrilheiros) têm muito mais consideração pelos portugueses que foram combatentes do que por aqueles que deram à sola.

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