IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UMA PROPOSTA MALUCA

O Tribunal Constitucional proibiu a redução dos salários na função pública, impondo o seu regresso ao que eram no tempo da bancarrota. O Primeiro-Ministro que, se houvesse “justiça”, deveria exigir que o TC dissesse onde se iria buscar o dinheiro sob pena de mandar isto tudo àquela parte, resolveu, democraticamente, isto é, aceitando a “justiça” formal, subjectiva e irresponsável do TC, arranjar um esquema intermédio para voltar aos valores anteriores à bancarrota. Aceite-se. Tal saída é capaz de ser menos brutalmente negativa do que seria uma crise política com o resultado de juntar a irresponsabilidade do TC à do PS.

Acreditando ou não na possibilidade de, em três anos, repor os tais salários, evitou-se uma monumental bernarda. O problema, como é evidente, virá a ser saber como, no cenário económico periclitante que caracteriza Portugal e os seus principais parceiros, será possível ao Estado vir a arcar com a despeza.

(O fait divers de ontem – a declaração do PM sobre a reposição dos vencimentos sem dizer claramente como – foi imediatamente seguido da habitual gritaria, atingindo alturas de paranóia da parte dos políticos e comentadores de serviço pago, destacando-se nestes o escorpião Pacheco e a osga Adão Silva, isto mesmo tendo o PM, atempadamente, esclarecido os que “não tinham percebido”, coitadinhos, o que o homem queria dizer, mesmo que de forma menos feliz. Atente-se também no que, à pressa, disse o Costa: que ia apontar para 2016, sem, evidentemente, dizer como).

A equação é simples: para tentar manter aos níveis existentes na saúde, na educação, nas prestações sociais e em toda a parafernália de loucuras em que o Estado social é perito, será preciso mais receita. Mais receita, mais impostos, não é? Num país onde há 60% de “contribuintes” que, simplesmente, não paga impostos (à excepção do IVA, e pouco), a talvez única solução possível para sustentar o monstro seria alargar a base contributiva, não sufocando mais ainda a classe média. Umas contas de merceeiro (às vezes são as mais certas…) levam o IRRITADO a dizer que, se cinco milhões de portugueses que não pagam impostos passassem a pagar 5% do rendimento (em média, 2,50 euros por mês) teria o Estado uma receita fiscal acrescida de cerca de dois mil milhões de euros.

Será uma receita maluca, segundo a gritaria. Mas há onde seja praticada, sem que caia o Carmo e a Trindade. Não seria justo que esses cidadãos, que utilizam os serviços de saúde sem pagar taxas, as escolas sem pagar o ensino, que recebem prestações sociais de diversíssima ordem para as quais muitas vezes nada contribuiram, pagassem uma pequena parte do que recebem para usufruir dos serviços (não de direitos próprios mas dos serviços do Estado)? Com que justificação se servem do Estado que os outros pagam?

A receita, podem crer, não é tão maluca como isso. A manter-se o estado de coisas na Europa e no mundo, acabará por não resolver o problema. Mas, se se juntar a isto algum optimismo, quem sabe se, enquanto o pau vai e vem, não será possível encarar a vinda de melhores dias com alguma esperança. O que não vale a pena é mascarar a realidade.

 

31.10.14

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “UMA PROPOSTA MALUCA”

  1. Só por curiosidade (mórbida): esses tais cinco milhões de portugueses passam a «pagar 5% do rendimento»; e os que não têm, ou não declaram, rendimento? Qual seria a base de cálculo? E os cinco milhões incluem crianças? Reformados com 200€ ou 300€/mês? Desempregados de 50 ou 60 anos que jamais arranjarão novo emprego? Vagabundos? Sem-abrigo? Tirando estas questões menores, é uma rica ideia. Os pobres já são pobres, por isso qual a diferença de uma taxita? Como se costuma dizer, do chão não passam. O importante é manter intocável a MAMA DA BANCA, até ao último cêntimo de juros. E a mama da EDP, da Galp, da PT, das PPP, dos escritórios de advogados-deputedos-governantes, das fundações, dos observatórios, dos governos regionais, dos autarcas obreiros (como o seu caro Santana), dos Gehrys da vida, do Paralamento, da restante fauna política, e fauna privada com compinchas na política. Isso é que é realmente importante.

  2. Se houvesse “justiça”, o Primeiro Ministro e o seu “séquito” deveriam ser corridos à lambada, de serem tão mentirosos e burlões politicos.

  3. Avatar de XXI (militante PSD)
    XXI (militante PSD)

    UMA PROPOSTA MALUCA?Constança Cunha e Sá tem razão quando disse que o país se tinha tornado num manicómio governado pelos doentes.

  4. Minhas gentePara esta crise acabarProcurem uma videntePara ouvir o Salazar.É uma «pipa de massa»São vinte e tal mil milhõesOs poltrões erguem a taçaE o povo cata tostões.Os xerifes irão roubandoExercendo a sua vontadeE no meio da alarvidadeOs robins continuarão gritandoQue querem política de esquerdaQue também se roube aos ricosReduziam o país em fanicosContinuando o povo na merda. Para o povo não ser otárioE ao mesmo tempo ladrãoAltere-se a ConstituiçãoE também o dicionário.Um governo aldrabãoUma constituinte apatetadaQue assiste de bancadaAo driblar da Constituição.Um tribunal de fachadaQue é superior ao supremoFica Deus abaixo do DemoE o Povo fica sem nada. Sem poder e sem direitoA brincar ao cidadãoE tudo quanto é vilãoA roubar de todo o jeitoE há tanto vilão sugandoUma Nação já desfeitaCada vez mais precisandoDe um aldeão endireita.Uma opinião pública matracaFustigando a toda a horaUm povo que está à noraE uma elite de mente fracaUm país de panaceiasOnde tudo está na brumaTodos se reclamam d’ideiasNinguém aprofunda uma Picaroto Picareta

  5. O problema essencial das chamadas “restrições constitucionais” é o desajustamento da CRP face às necessidades económicas e aos meios políticos ao dispor para as suprir. O TC, não contente com a caducidade e inoperância da Constituição, decide aplicar interpretações para-lá-de-extensiva do texto constitucional, em nome dos “freios e contrapesos” da cena política nacional.Mais uma vez, o IRRITADO que me permita a intromissão sobre o assunto e o link que lhe deixo sobre as minhas “Notas (in)constitucionais” (http://tricontraditorium.blogspot.pt/2013/12/notas-inconstitucionais.html)…Saudações!

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