Sua Excelência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, recém eleito, apressou-se a fazer algumas reclamaçõesde de altíssima importância, entre elas avultando a de que, ele, Sua Excelência o próprio, deveria ser membro do Conselho de Estado. E tem Sua Excelência toda a razão! Então, ele, o próprio, a 4ª figura do Estado, não é Conselheiro de Estado? Que horror! Que incongruência! Julgo que todos concordarão que devia ser, de imediato, aberta uma vaga para Sua Excelência, o próprio, no Conselho de Estado. Sua Excelência não explica, certamante por modéstia, à luz de que critério deveria a coisa ser feita: se por inerência, o que implicaria uma revisão constitucional à medida, se por designação da Assembleia da República, o que parece improvável, se por designação do Presidente da República, o que, mais verosimilmente, poderá estar no espírito de Sua Excelência. Um recado para Belém, dirão, se derem pela coisa, os fazedores de opinião.
Mas mais. Sua Excelência, uma vez eleito, desatou a bombardear à esquerda e à direita, começando pela demolição do “pacto sobre a Justiça” – um chorrilho de asneiras, na douta opinião de Sua Excelência. E ainda mais, que não valerá a pena referir.
Acresce que Sua Excelência, e muito bem, tem um passado (e um presente?) de activista corporativo, ou sindical, se se quiser.
No tempo da ditadura, as corporações eram um órgão constitucional que amamentava o partido único. Hoje, são espontâneas, democráticas, e amamentam-se a si próprias, mediante protestos, reivindicações e opiniões. Ser Juiz, nesta óptica, é mais ou menos o mesmo que ser trolha, serralheiro, ou montador de automóveis. Compreende-se.
A simples circunstância de, entre outros candidatos, ter sido eleito quem foi, diz tudo o que há a dizer sobre o que, realmente, preocupa a corporação.
A estreia de Sua Excelência não podia ser mais prometedora.
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário