IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


Da Catalunha…

O senhor Maralhal, ou Margalhal, ou lá o que é, Presidente da actual e sapateiral Catalunha, veio enaltecer o magnífico serviço prestado à sua causa pelo tablóide “SOL” ao publicar uma sondagem em que vinte e tal por cento dos portugueses dizem que seriam a favor de uma união ibérica, o quer que isso possa querer dizer.

O General De Gaulle disse um dia que le Portugal est une Catalogne qui a réussi. Isto é, como a Catalunha n’a pas réussi, o fulano quer agora apanhar a boleia, generosamente oferecida pelo “SOL”, para dar o salto para uma união qualquer em que a Catalunha e Portugal tenham o mesmo tipo de estatuto. O fulano não percebe, porque não quer perceber, qual foi o preço, em sangue e chatices, da réussite portuguesa. Não percebe, porque não quer perceber, que não é, verosimilmente, possível ou aceitável que as duas nações venham a ter um estatuto semelhante no espaço (geográfico) peninsular.

Ao contrário do que pensam algumas boas almas, o facto de as duas economias se entrançarem cada vez mais nada tem a ver com a evolução política dos dois estados. Olhem o exemplo do Reino Unido e da República da Irlanda, para o qual muito bem Medeiros Ferreira chama a atenção.

No aspecto meramente económico a Espanha é, para nós, um mercado de quarenta milhões, sendo nós, para ela, um quarto disso em matéria demográfica, e menos que esse quarto em poder de compra. Se não soubermos aproveitar, é porque somos nabos, não é porque as oportunidades não estejam lá.

Do ponto de vista político, o que pretendem o “SOL” e o senhor Margallo? Ir buscar ao fundo da história e aos confins das almas nacionalismos canoros e belicosos? Transformar os portugueses em etarras? Dar argumentos aos skin heads, aos comunas e a quejandos? Armar um borburinho onde há paz e concórdia? A idiotia armada em tese política não é coisa que se perdoe.

“Percamo-nos”, com a Espanha, no espaço europeu, na confederação europeia, na federação europeia, no que aí vier, que alguma coisa virá. Sejamos capazes de explorar as oportunidades que o abater das fronteiras económicas cada vez mais abrirá. Sejamos amigos. Mas não mexamos, meus amigos, em águas que só nos podem afogar.

  

António Borges de Carvalho

 


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