Quem dera ao IRRITADO o génio da “ramalhal figura”! Divertir-se-ia como ele com as tricas políticas do tempo. A proliferação de partidos, de tendências, de grupos rivais, de personalidades cheias da importância própria dos néscios e dos tontos, os Reformadores, os Reforminhos, os Reformófagos, os Reformagogos… um gozo feroz, cáustico, o circo político em todo o esplendor do seu pretensioso ridículo.
O que fez vir “As Farpas” à cabeça do IRRITADO? As lutas fratricidas do PS? Com certeza. Eu sou melhor que tu, sai daí que aí vou eu. O que pensas, se é que pensas seja o que for? Eu penso o mesmo que tu, seja o que for, nem mais nem menos, mas eu sou eu e tu és tu, eis a grande diferença, eu sou o Dom João II que “quer o mar que é teu”, tu não passas de um mostrengo, um mostrengo de papelão, meu parvalhão, meu meninó de opereta.
Melhor que o PS, o BE, sem dúvida nenhuma. Têm em comum o socialismo e a descida de votos. De resto, o espectáculo do BE é bem mais divertido.
Nasceu dos ultra enverhoxistas da UDP, viva a Albânia!, dos trotskistas da internacional número 4, ou 3, ou 49, ou lá o que é, e dessa coisa impossível que era a simbiose do “socialismo real” com a democracia, imaginada pelo Miguel Portas, coitado, que já lá vai.
Cresceu à custa das vísceras “fracturantes” da moda, abortos, “casamentos” gay, dois pais e duas mães para todos, barrigas de aluguer, filhos sem pai, etc. e tal, o que cheirasse a sexo, normal ou doentio, mesmo que cheirasse mal mas fosse moda, tudo com esmagador apoio da “informação” e dos filósofos de serviço, sempre prontos a apanhar qualquer comboio. Depois, acabada a “nobre cruzada” dos ventres e outras partes, os bloquistas ficaram a ver navios. Já não havia mais temas que estivessem a dar, ficou só o palavreado tipo PC, mas, helas!, o PC é o dono do palavreado, o BE já não é preciso. Uma chatice.
Este horrível vazio começou a fazer os seus efeitos. O Louçã, antes que a coisa começasse a adornar, deu convenientemente à sola. Em testamento, deixou a desagradável rapariguinha, oriunda de vários palcos, e o velho médico, nascido nas entranhas do PC. Mas já não havia nada a fazer. O Louçã, um espertalhão, mudou-se para a SIC, que lhe dá poleiro e não paga mal. Arranjou uns tipos para escrever com ele um livro de receitas que, aplicadas a preceito, dariam cabo do que para aí ainda resta e punham a malta a pão e água, mas teriam o fantástico resultado de implantar o socialismo propriamente dito, isto é, a verdadeira igualdade da miséria para todos – excepto os do partido, como é lógico e está provado.
É aqui que o Ramalho faz mais falta.
A camarada Drago (coitados dos Dragos, que são boa gente) deu às de Vila Diogo, isto é, segundo uns saiu da agremiação, segundo outros estará a “preparar a saída”. Entretanto, criou uma nova trupe a que deu, o nome herdado de Fórum (sic, com acento e tudo!) Manifesto. Prepara-se para se manifestar, ainda não se sabe como, mas não interessa, é pormenor. Para já, fez uma assembleia geral que, calcula o IRRITADO, discutiu interessantíssimas matérias.
Vai daí, o camarada Tecido, perdão, Fazenda, ansioso por colaborar no renascimento dos têxteis, decidiu criar a “Esquerda Alternativa” e já lá meteu o careca do Grupo Parlamentar, uma tal Aiveca (raio de nome) e mais dois ou três. Mas, coitado do Têxtil, já anda a braços com uma cisão nas suas novas hostes. Ainda de mama mas já divididas, calcule-se. Deve tratar-se de uma “fractura”, se calhar o Fazenda é marxista-leninista e os outros leninistas-marxistas. Uma questão difícil de digerir. Segundo os jornais “até já há quem fale de duas UDP”.
No meio disto tudo, agiganta-se a corrente “Socialismo”, quem sabe se maoista, se bolchevista, se bernsteiniana, se trotskista, se o diabo a quatro, ou que os carregue.
E ainda há quem diga que os comunistas não são pluralistas. Para já, anda tudo à cacetada dentro da carrinha. Daqui a uns tempos, chega um táxi. Mais adiante, talvez um triciclo.
O camarada Jerónimo gradece.
13.7.14
António Borges de Carvalho

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