A geringoncial filosofia vem, desde sempre, metendo na cabeça das pessoas que o “caminho” para o trabalho e para o trabalhador é só um: trabalho a tempo inteiro, quanto menos horas melhor, inamovibilidade dos trabalhadores, despedimento tendencialmente impossível. É a receita ideal para a paralisia social, a falta de produtividade e a condução da sociedade para mundos e soluções que os tempos já condenaram. É o triunfo da absolescência.
A propósito, um estatística europeia revela que o trabalho (ou trabalhos) a tempo parcial tem a sua maior expressão nos países mais prósperos do continente – Holanda, Áustria, Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Suécia…, e apresenta os números mais ridículos naqueles que, ou sairam do comunismo – Bulgária, Roménia, Eslováquia…, ou estão, como Portugal, sujeitos a regimes de “protecção” social do tipo socialista.
Muito desse trabalho, ou a sua maior parte, nos países ricos, é escolhido pelos próprios trabalhadores, com incidência maior nas mulheres do que nos homens, por motivos evidentes. O trabalho a tempo parcial, ou temporário, longe de ser um flagelo social, é uma solução de vida para muita gente e corresponde a uma evolução económica e social inevitável, imparável, e que não é em si, um mal.
É claro que os Estados com grande número de trabalhadores nessa circunstância não descuram a previdência e a segurança deles, antes adaptam os seus sistemas às novas tendências. Actualizam-se, modernizam-se, previnem. Exactamente o contrário do que se passa por cá com a tão ideológica quanto anquilosante luta contra chamada precariedade.
Será que estamos condenados, neste caso como em tantos outros, a ficar para trás?
27.8.17

Deixe um comentário