– Fico com este quarto.
– Este quarto não pode ser.
– Mas porquê?
– É o quarto do senhor engenheiro.
– Que é que eu tenho com isso? O quarto está vago!
– É que o senhor engenheiro pode aparecer de um momento para o outro.
Passei a noite na albergaria de Viana do Castelo a remoer o meu ódio ao senhor engenheiro que, pelos vistos, era mais que os outros.
No dia seguinte, não resisti e perguntei quem era o tal fulano.
– É o senhor engenheiro Duarte Silva, dos estaleiros navais.
O Toni!, pensei. Grande sacana!
Logo que o encontrei, contei-lhe a história, que muitas vezes nos fez rir, e a outros connosco.
Faltei hoje, sem perdão, à missa do sétimo dia. O Toni morreu, assim, sem mais nem menos, de repente. Tinha a minha idade.
Ver partir um amigo é sempre de uma tristeza sem nome. O Toni era doce, bem disposto, tinha ideias frescas, sérias, até originais. Era difícil estar aborrecido ao pé dele.
Foi coisas grandes nesta vida, gestor de nome, ministro, autarca. Nada disto o encheu de vento ou de dinheiro. Coisa rara no nosso tempo.
Adeus Toni, fazes-nos falta.
9.4.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário