– Quero saber quem está comigo!
– Nóóóóóóóóós…
– Todos?
– Todooooooos.…
– Mesmo todos?
– Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim…
– Vitória!
– Vitóóóóóóória!!!!
– O Benfica?
– À morteeeeeeee…
– Viva o Futebol Clube do Porto!
– Vivaaaaaaaa!!!
– Viva EU!
– Vivaaaaaaaa!
(Extracto imaginário de uma sessão de propaganda do camarada Pinto da Costa, ontem parafraseado pelo senhor pinto de sousa no circo (congresso!) do PS.)
A sessão inaugural do chamado congresso do partido socialista foi encerrada com um discurso mais ou menos histérico do senhor pinto da costa, perdão, de sousa, – não merece maiúsculas – perante uma carneirada que se justificaria nas claques da bola, não na política.
Um discurso delirante, a lembrar o célebre ataque de loucura do camarada Vasco Gonçalves em Almada. Só lhe faltou atirar cravos ao povo. Lá chegaremos.
O homem mentiu, tripudiou, insultou, injuriou, ofendeu, ultrajou, o homem gabou-se, elogiou-se, exultou-se, exaltou-se, louvou-se, enalteceu-se, celebrou-se, lisonjeou-se, jactou-se, exagerou-se, lambeu-se.
O homem virou do avesso os seus malefícios, pôs no altar tudo o que fez para arruinar a Nação, esqueceu-se dos falhanços, das promessas de manhã negadas depois do almoço, renegadas ao lanche, retomadas ao jantar, até que outra opinião lhe desse na cabecita aldrabona e maquiavélica à moda da Beira, como os cogumelos com veneno.
Faltou a charanga, é verdade.
Mas sobejaram os aparatchiques, os boys, os dependentes, a turba multa dos ai-que-sim, os servos, os ceguetas, os capachos, os beleguins, os sátrapas, os cobradores, os recebedores, os bufos, os bobos, os sequazes, os sectários, os partidários, os satélites, os lacaios, os lacões, os assises, os costas, os silvas com santos e com pereiras, os almeidas, todas as alas de todas as mesnadas, os mercenários, os ordinários, um oceano de arregimentados, de papagaios, de pinóquios.
Só um se revoltou, só um disse a verdade: Henrique Neto, qual menino da história do rei que vai nu. Honra lhe seja. Proveito, duvido. Coitado dele, mal sabe o que o espera.
Os canais do Dr. Balsemão não foram de modas. Meia hora de discurso na SIC propriamente dita, mais não sei quanto de locutora, mais não sei quanto de comentários. Uma hora, ou coisa que o valha, de discurso, mais não sei quantas de comentários na SIC Notícias. O director da coisa, diáfano e untuoso, rebolava-se de contente. Já se sabia que o tipo fazia, evidentemente, parte da trupe, só não se sabia que, enquanto “jornalista”, conseguia ir tão longe.
Mais tarde o director do “Jornal de Negócios”, na SIC Notícias, parecia o director dos negócios do senhor pinto de sousa. Um nunca acabar de loas disfarçadas de “opinião”.
É nisto que vamos viver mais de dois meses, depois de seis anos e tal a aturar a ignorância balofa e palavrosa do senhor pinto de sousa.
Pode ser que a verdade e a seriedade, desta vez, ganhem.
Algo me diz, porém, que há por aí, para além dos pagos, parvos que cheguem para gostar que os metam, ainda mais, no buraco sem fundo do socialismo.
9.4.11
António Borges de Carvalho

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