IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


TODOS AO BARULHO

 

Ao contrário do que ribombam catarinas, jerónimos, carecas e outros díscolos, a presente novela não tem nada a ver com a CGD. A CGD está entregue, as tarefas da administração – em plenitude de funções – estão facilitadas pela reestruturação planeada por António Domingues (não pelo Centeno), pelo esquema de recapitalização inventado por António Domingues (não pelo Centeno) e pela aprovação daquele em Bruxelas, via negociações levadas a efeito por António Domingues, assessorado pelo Centeno em funções de public relations. Escusam de cacarejar que o que está em causa é a nacionalização da Caixa, porque não é, que o que se pretende é fragilizá-la, o que é mentira, e de esgrimir outras patacoadas próprias da comunagem PC/BE e dos seus fiéis seguidores do PS.

A Caixa está a funcionar e, cumprido que seja o que foi planeado por Domingues, até é capaz de se vir a safar.

O que está em causa é o interminável chorrilho de mentiras, disfarces e gatos escondidos, as tergiversações e manobras de propaganda que são a base moral da política da geringonça. Não vale a pena, sequer, aduzir factos ou novidades. Toda a gente já percebeu a floresta de enganos e de mentiras em que fomos metidos. Toda a gente já percebeu onde está a verdade. Não é preciso conhecer mais documentos, emails, SMS, escutas, o que quiserem. A verdade está aí toda, escarrapachada na cara de toda a gente. Ou acham que somos parvos?

O que importa agora é saber quem são os culpados, todos os culpados, e que consequências devem ser tiradas do acontecido.

Antes de mais, digamos que o infeliz Centeno é o menos culpado. Na primeira linha está o Costa, que tudo sabia, tudo aprovou, tudo manipulou, que soube, apoiou ou motivou tudo o que o Centeno fez, que foi o primeiro a anunciar, com trombones e charamelas, a gestão privada da CGD, que legislou a tal respeito, que manipulou as datas da publicação para apanhar a malta pelas costas, que deu o dito por não dito, que cobriu tudo: ao nível do governo, é o principal culpado. Ele, que é todo jeitoso, não o desajeitado do Centeno.

Mas há mais, há outro ainda mais culpado e mais acima: o professor M. De Sousa, sito em Belém. Tudo aprovou, tudo protegeu, tudo promulgou, por tudo se atravessou, protegeu os envolvidos, chegou ao cume do cinismo quando disse que ou tudo estava escrito ou tudo não valia nada. Será o que se passa com a palavra dele?

Neste momento, sabe o IRRITADO – como Lobo Xavier publicamente e outros em privado – de ciência certa, que há mesmo coisas escritas que os geringonços, usando todos os métodos visíveis e invisíveis, andam a querer esconder da forma mais cobarde, mais desonesta e mais rasca que se possa imaginar. É vê-los, ouvi-los, a espernar rebuscados encobrimentos e a fazer todo para que passe a tese da Catraina quando disse que o caso “estava encerrado”. Pudera! Se houver bronca, onde é que eles vão parar?

Tudo no mesmo barco. Veja-se o sibilino comunicado de ontem do professor M. De Sousa. Maravilha de cinismo, de disfarce  e de outras coisas de que não falarei, comentarei ou classificarei por uma questão de respeito pela República. Conheço de longa data os dotes do professor quando se trata de preparar caminho para sacudir a água do capote. Mas a do duche em que se meteu será difícil sacudir em tempo útil. E é bem feita.

O senhor Trump correu com um ministro porque foi apanhado a mentir. O senhor Costa, muito pior que o Trump, está nas encolhas. Compreende-se: é ele o que merece ser corrido!

 

15.2.17  



5 respostas a “TODOS AO BARULHO”

  1. Se quer mesmo falar verdade, não fique pela metade. Há décadas que a CGD é uma coutada do Centrão. O PS é o mais entalado, graças ao 44 e ao Vara, mas o PSD também lá mamou e de lá estourou. É por isso, por décadas de políticos, pseudo-gestores, mega-tachos, compadrios, trafulhices, projectos da carochinha e empréstimos ruinosos, que a CGD está como está. E é isso que interessa a ambos os lados abafar. O resto – Domingues, Centeno, UE – é só fumaça. O que importa é a famosa AUDITORIA FORENSE. A 1ª missão do Domingues, e agora do Macedo, é assegurar que a factura da CGD só é passada aos do costume, enquanto os políticos e as “elites” saem frescas e impunes, como também é costume. Que mais fez o Domingues, diga lá? Despediu pessoas e fechou balcões? Espantoso! Quem mais se lembrava dessa… Salta aos olhos: o PS está a encobrir os seus pulhas; e o PSD, como não tem poleiro, vai destapando ligeiramente a careca ao PS. Mas nunca irá destapar tudo… pois tem também o rabo preso. Se fosse ao contrário, o PSD no poleiro, o PS faria exactamente o mesmo que o PSD agora faz. Nada disto vale um traque. Num país minimamente sério, metade desta canalha já estava presa e penhorada até às cuecas.

  2. Já me esquecia: uma palavra para a nossa esquerda… o PCP e o Berloque. Para acabar de vez com o mito dos comunas honestos, cá estão eles a branquear a bandalheira da CGD e os pulhas do PS. Nem sequer esperam pelas inevitáveis águas de bacalhau da “comissão de inquérito”: bloqueiam logo a coisa, para não haver qualquer hipótese de a maralha – a maralha que paga a bandalheira – vir a descobrir, ainda que por engano, a mais leve verdade. Não que o Irritado se possa queixar: sempre foi um apologista da realpolitik.

    1. Uma coisa é certa, o irritado "ERROS DE PERCEPÇÃO" não tem. Na verdade, "sabe-la toda"! Não é, António?

  3. Artigo de Luís Aguiar-Conraria no Observador:«Apesar de toda a gritaria dos partidos, saber se o ministro mentiu ou não mentiu é, de tudo o que se sabe, o que menos me importa. Sabe-se que uma lei foi feita à medida de António Domingues, sob a supervisão dos seus advogados. Na SIC Notícias, ouvimos António Lobo Xavier, fiscalista insigne e FUTURO VICE-PRESIDENTE DO BPI, considerar que isto tudo “é perfeitamente compreensível e não é passível de nenhuma censura política”. Para Lobo Xavier, o único erro foi o governo não assumir o que fez, como se tudo isto fosse normal. A forma como pessoas como Lobo Xavier falam deste caso, e como os partidos da oposição dedicam as suas baterias à mentira e não à lei encomendada, mostra que TODOS TÊM TELHADOS DE VIDRO e que esta privatização da legislação é comum. Há décadas que se denuncia como o interesse público está capturado por (alguns) interesses privados.As nossas elites nem têm vergonha de dizer que é perfeitamente compreensível que as leis sejam redigidas por escritórios de advogados em representação dos seus principais beneficiados. FOI NISTO QUE SE TORNOU A ELITE PORTUGUESA: UMA OLIGARQUIA EXTRACTIVA que acha que Portugal tudo lhe deve, incluindo leis feitas à medida das suas necessidades». Além da bandalheira-roubalheira da CGD, aqui tem o que realmente interessa, Irritado.

  4. Mais nada sr. Filipe Bastos. Só não vê quem não quer ver. Está a repetir-se a 1ª república. Caminhamos para um país de mendigos.

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