IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ERROS DE PERCEPÇÃO

Eis, finalmente, o esclarecimento de que todos precisávamos, a verdade por que ansiávamos, a solução do problema, a transparência insofismavelmente restaurada, a meritória confiança que os nossos chefes merecem. Hossana!

Não, meus amigos, não vos deixeis enredar mais nas teias da maledicência. Ontem, com a conferência do chamado ministro das finanças, tudo ficou ainda mais claro do que estava.

Senão, vejamos:

– O chamado primeiro-ministro jamais veio à televisão dizer que a gestão da CGD era privada.

– O chamado secretário de Estado das finanças nunca declarou que os gestores da CGD não estavam submetidos ao estatuto dos gestores públicos.

– O chamado ministro das finanças em tempo algum disse que tais gestores já tinham vigilância que chegasse, do BdP, do BCE e de não sei quem mais, não precisando do Tribunal Constitucional para nada.

– O professor M. De Sousa nem por sombras apoiou a fantástica e tão transparente posição dos senhores acima referidos.

Se você interpretou as declarações de tantos e tão credíveis personalidades de outra forma, então cometeu erros de percepção, uns em cima dos outros. Você estava errado, deve reconhecê-lo, olhar para o espelho e penitenciar-se.

Aliás, quando aquelas estimáveis criaturas vieram dizer o contrário, não estavam a dizer o contrário do que tinham dito antes, nem a contradizer-se, nem a meter os pés pelas mãos. Estavam, meu caro, a esclarecê-lo, a instá-lo a perceber a verdade, a levá-lo a não cometer erros de percepção. Você é que resolveu insistir em tais erros, você é que não presta, é mal intencionado, insistiu e persistiu. Olhe para o espelho. Não persista mais, não insista mais, penitencie-se, peça desculpa, volte ao bom caminho.

Olhe a clareza com que o nosso chamado ministro se referiu, ontem, ao assunto, a humildade, a verdade cristalina das suas palavras. Sim, disse ele cinco vezes, os gestores da CGD estavam dispensados das obrigações dos gestores públicos. Não se lhes aplicava o respectivo estatuto. Mas, no que respeita à “declaração de rendimentos”*, onde estava escrito que estavam fora do sistema? Não estava! Aliás, o professor M. De Sousa já tinha dito o mesmo: ou estava preto no branco, devidamente assinado, ou não existia. O professor M. de Sousa foi claro, o chamado primeiro-ministro também, ainda que, certamente para outros efeitos. Dizia ele que “palavra dada é palavra honrada”, mas isso era antigamente, como é de ver, e compreender, a não ser que se continue nos braços dos erros de percepção de que falava, e bem, o chamado ministro.

Meu amigo, não seja vaidoso, impertinente, maldoso, respeite a verdade, deixe-se de erros de percepção, penitencie-se. Quem o avisa seu amigo é. É o caso do IRRITADO.

 

14.2.17

 

*Muito se fala em declaração de rendimentos. Aldrabice. Declaração de rendimentos todos fazemos, todos os anos, estão nas finanças, nada têm a ver com o Tribunal Constitucional. No caso, trata-se-ia de declaração de património.



11 respostas a “ERROS DE PERCEPÇÃO”

  1. Sobre o governo e o presidente, pouco há a acrescentar. Até já foi publicada a carta em que o Centeno prometia ao Domingues o que agora nega, com a desfaçatez habitual na classe. Sobre o Sr. Domingues, no final de Novembro escrevia o Irritado uma «Carta aberta a António Domingues»:«Exmo Senhor António Domingues, venho cumprimentá-lo pela coragem que teve ao demitir-se»… E escrevia eu, sobre o mesmo Domingues: «Um chulão sem vergonha, um parasita da máfia banqueira, um trapaceiro que teve acesso a tudo da CGD quando ainda estava no BPI (como até o Passos denunciou), um trafulha que fez acordos com um governo sucateiro, um bandalho que só largou o tacho porque não o deixaram mamar às escondidas». Dirá que o Domingues pouco importa; o que importa são as aldrabices do governo. Sim e não: o Domingues é também o paradigma dos “gestores” deste país, e da Banca em particular. Mantém a sua versão sobre o Exmo Senhor Domingues, Irritado?

    1. V. anda enganado. Que me lembre, nunca fui contra o Domingues. Agora, admiro-o. O Domingues é um profissional da gestão bancária privada. Foi convidado como tal. Pôs as suas condições, como qualquer outro faria. Deram-lhas. Negociou a capitalização em Bruxelas (ele, não o Centeno), e conseguiu montar o esquema, bom ou mau, era o que eles queriam. Fez o guião da recuperação da CGD, que ainda está de pá, não há putro. O PM, o PR, o Centeno mamaram no trabalho do homem, depois traíram. Todos aldrabaram. O homem foi-se embora e deu-lhe com a declaração no focinho. Grande homem! O mais importante não era a declaração, era que cumprissem a palavra, se tivessem disso. Grande homem.Acrescento que, no que respeita ao comportamento político do PSD (exigência da declaração), acho uma tristeza.

      1. Sim, admira o Domingues; não sugeri o contrário. Ao longo desta trapalhada, sempre elogiou o Domingues.É esse o problema: pinta o Domingues como um pobre inocente enganado pelos bandidos xuxas. Isso do “profissional da gestão” é mais uma fantasia do seu clube: o clube que ainda culpa os estados pela crise de 2008, e que continua a ver a Banca como um negócio normal. Se calhar até um negócio sério! Foi o Domingues que quis esconder-se. Foi ele que exigiu uma excepção escandalosa, sabendo que ia para o banco público. Foi ele que cozinhou um acordo secreto com os bandidos. Foi ele que, ao ser apanhado, tentou até ao fim esconder-se de quem lhe paga o obsceno salário. Lembra-se do caso Sá Fernandes / Domingos Névoa? Sabe que também detesto o Fernandes. Mas o trafulha, nesse caso, era o Névoa. E v. também o ignorou. Porque é incapaz de o ver objectivamente: só vê o adversário a abater, seja o Fernandes, o Bosta ou o PS.

  2. Outra questão. Afinal o que critica no governo: a promessa feita ao Domingues? Ou apenas ter voltado com ela atrás, e agora tentar negá-la?Suponha que o Domingues tinha sido convidado pelo seu Passos com a mesma promessa; o Passos até a admitia, não tentava negá-la. O que diria?

  3. Também eu cometo erros de percepção ou perceção?Por favor senhor Irritado, esclareça-me que eu não gosto de dizer asneiras.Assim diga.me e corrija-me se estou a descodificar malO seu designado:M. De Sousaé merda de sousa ?ou marmelo de sousa?Agradeço o seu esclarecimentoAtento, venerando e obrigadoMário

    1. 1 – Não uso o AO. Portanto, percepção. V. faça o que quiser.2 – M. de Sousa é o mui ilustre professor doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Sua Excelência o Presidente que temos da República que temos. Está esclarecido?

      1. Muito admirado fiquei!Então, não é que o sr. irritado responde a um energúmeno que, pasme-se, trata o Senhor Presidente da Republica por ” é merda …ou ..marmelo … sousa…”!Devo frisar o irritado (de nome António Borges de Carvalho) já foi deputado pela AD (Aliança Democrática). Assim sendo, certamente saberá, melhor que eu, que injuriar o Presidente da Republica consubstancia um crime.Caro sr., por muito irritado que seja, não vale tudo na defesa do sr. Passos Coelho.

        1. Nunca injuriei o PR. Não confunda crítica com injúria.

          1. Sr. irritado, não faça dos outros parvos. O sr. de parvo nada tem, mas “esperteza” tem muita.Eu não disse que injuriou o PR. Disse que «responde a um energúmeno que, pasme-se, trata o Senhor Presidente da Republica por ” é merda …ou ..marmelo … sousa…”!». Ou seja, aproveitou a boleia desse energúmeno para (que injuriou) para (mais uma vez) “criticar”.Haja paciência, sr. irritado!

          2. CORREÇÃO: “…aproveitou a boleia desse energúmeno (que injuriou) para (mais uma vez) “criticar”.

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