Há dois ou três dias, uma neta do IRRITADO veio pedir-lhe ajuda para umas contas de dividir. O IRRITADO achou estranho. A miúda, que não é burra nenhuma, já tinha escolaridade suficiente para não precisar de ajuda em coisa tão simples.
Mas precisava mesmo. Em poucos minutos percebeu-se porquê. Primeiro: usava máquina de calcular desde o primeiro ano (antiga primeira classe). Segundo: tinham-na ensinado a dividir da mais absurda das maneiras, com umas setas para baixo e para cima, como somas e subtracções no meio da conta, uma pessegada dos diabos. Terceiro: nunca tinha memorizado a tabuada, pelo menos a ponto de a papaguear sem dificuldades ou hesitações.
Parece que, por nova obrigação, ou por divina ou ministerial inspiração, a entidade docente tinha resolvido que a menina devia aprender a fazer contas de dividir à antiga portuguesa, coisa que certamente devia ser tida tida por fascista pela nacional bempensância. Foi um trabalhão para a meter nos eixos. Ficámos de praticar mais, a minha neta e eu.
Vem isto a propósito de umas ordens que o Prof. Crato deu. Quer obrigar os meninos e as meninas a memorizar a tabuada e proibiu o uso da máquina de calcular até ao quarto ano. No parecer do IRRITADO ter-se-á enganado numa coisa: é que nada parece indicar que, aos nove anos, as criancinhas já estejam “tabuadamente” preparadas para passar ao uso da maquineta sem prejuízo próprio. Mas a decisão é de mestre.
Agora, vejam os jornais. Multidões de intelectuais dão pancadaria no Crato. Regressão do ensino, mergulho na idade média, salazarismo serôdio, um coro de “sábios”, chefiados por esse tarado cabeludo que se chama Santana Castilho.
Não há nada a fazer. Está sempre tudo errado, desde que venha de onde vem. Não vale a pena contestar. O regresso aos gloriosos tempos do Afonso Costa parece imparável.
24.5.13
António Borges de Carvalho

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