IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


E AGORA E NÓS


E AGORA?

 

O IRRITADO tem estado em repouso. Uma semana inteira. Sem inspiração, sem pachorra e, se calhar, farto. Não de ir escrevendo coisas, mas de haver coisas a mais para o irritar.

Vem a tentação de ir um bocadinho mais fundo. Não ficar pela espuma dos dias, como ora soe dizer-se. O fundo é negro, como uma noite sem lua nem estrelas. E, na negrura, nada se entende, ou nada se vê.

As verdades são duras: um problema. Problema maior é não as querer  ver, ou achar que se aplicam a outrem que não a cada um.

A Europa inteira, Alemanha incluída, parece estar de quarentena: em vez de se tratar, espera que a doença passe. Triste ilusão.


Há dois vectores fundamentais para o catatónico estado do continente.

Um, como toda a gente sabe, é a emergência de concorrentes a quem foram dadas todas as facilidades para nos invadir. A Europa deixou de se proteger e espalhou o seu know how pelo mundo fora, em mãos de terceiros: em suma, deixou de ser competitiva. Caiu nos braços da grande ilusão dos “serviços”, abandonou a indústria e o sector primário. Sem sector primário e sem indústria não há economia. Sem economia não há dinheiro. Sem dinheiro, cresce a dívida para lá do que seria suportável, tudo na estulta esperança de manter as facilidades a que se estava habituado. Um objectivo impossível.

Outro, um flagelo de que poucos falam: a nova economia. A nova economia não emprega mão de obra que se veja, por mais qualificada que seja a que está disponível. Enormes investimentos na qualificação das pessoas não são, simplesmente, reprodutivos.  A nova economia usa a cabeça, não os braços. Faz-se o mesmo dinheiro com uma dúzia de pessoas que antes se fazia com centenas. As grandes organizações da nova economia são as comunicações, os gadgets, et alia, com pouca gente, muita tecnologia, e hard ware – que ocupa mão de obra – comprado à China ou equivalente. Na Europa, o emprego escasseia e as chamadas “prestações sociais” – que na China não existem – deixaram de ser sustentáveis.


Depois,temos a política. É triste ver como, ao primeiro abanão, toda a Europa esquece a sua “construção” e se entrega a novos nacionalismos. A carreira dos nacionalismos só acaba, como a História demonstra, de uma forma: a guerra. A Europa parece não se lembrar da sua própria história. Ou não a perceber. O que se verifica ao nível dos Estados, verifica-se ao nível das pessoas. Ninguém aceita, salvo excepções de tipo finlandês ou irlandês, que a crise toque em direitos que o não são. Porque custam dinheiro. Dependem de uma economia que deixou de existir.


E agora? O IRRITADO não sabe. O que há, ou é insustentável ou demasiado perigoso. O Sul, enredado que foi na ilusão do euro, não tem capacidade para, por si, sair do atoleiro. O Norte parece ter-se esquecido de que precisa dos mercados do Sul e preferir os de Leste, com moeda fraca a produtividade acrescida. Quem não é Norte nem Sul, ou é as duas coisas – a França – já esteve mais longe de ficar como os meridionais.


E agora? Resuscitar o “sonho europeu”? Quem acha possível tal coisa? Assumir o recuo e esfrangalhar tudo outra vez? Esperar que os eleitorados tenham novas oportunidades e novos líderes apareçam? Milagres há poucos ou nenhuns.

 

E NÓS?

 

E nós? O problema é nosso, ou somos nós o problema? A resposta às duas questões é sim. A “nossa” Europa está como acima se foi dizendo.

Por cá, o que temos?

Um sistema político concebido por jacobinos e marxistas, engolido pelos que o não eram a bem de alguma paz interna; um sistema que, fundado no socialismo obrigatório, está exausto e incapaz de dar resposta aos problemas que o socialismo criou. O dinheiro acabou-se, ou migrou, o socialismo tem que acabar, porque se acaba quando acaba o dinheiro, como é mais que sabido.

Um poder sem limites nem recurso – o Tribunal Constitucional – que se dá ao luxo de interpretar a Constituição segundo o mais autista dos critérios – ainda que salvaguardando os interesses de alguns – e condena a sociedade e o Estado a mais sacrifícios gerais e cegos.

Um Presidente da República que, à semelhança dos outros do regime, anda à procura do seu papel, atrapalhadíssimo para não fazer asneiras nem perpetrar golpes de Estado.

Um Parlamento entretido em jogos de guerrilha, sem eira nem beira, que nem as leis que faz consegue  interpretar.

Uma extrema esquerda totalmente divorciada da realidade, a repetir cassetes obsoletas ou sem sentido, sem outro objectivo que não seja o bota-baixo, do actual governo como de todos os outros, passados e futuros, sem um resquício de objectividade ou patriotismo. Ideologia totalitária e mais nada.

Um partido de oposição comandado por um palhaço às ordens de outros palhaços, sem sentido de responsabilidade ou de respeito pelos problemas dos outros.

Um partido do poder pejado de traidores, que se limita a assistir sem chama e sem projecto. Outro partido do poder perito em intrigiuinhas maricas e bocas de urinol.

Um poder judicial, o pior da Europa, convencido que todas as culpas são dos outros, a brincar aos sindicatos e às reivindicações.

Umas Forças Armadas, de alto a baixo, preocupadas com ordenados e mordomias.

Uns sindicatos tão retrógrados como irresponsáveis, que ainda bebem da fonte da revolução industrial ou do marxismo-leninismo.

Uma “informação” desinformadora, retorcida e corporativa.

Um governo que, mau grado defeitos vários, conseguiu alguns objectivos que considera prioritários: voltou ao mercado, arranjou mais tempo para pagar as dívidas, conseguiu que já se falasse em aliviar a austeridade, ou seja, faz o que o acusam de não fazer: negociar, negociar, negociar. Apesar de tudo, algum êxito. É claro que há o desemprego, com a desgraça social que arrasta. É claro que há os impostos, que dão cabo da vidinha de todos, IRRITADO incluído. É claro que há que estar à altura de uma tarefa gigantesca e dolorosa, ainda por cima, sem garantia de resultados. Mas venha o mais pintado dizer qual é a alternativa, sem clamar disparates, “análises” e patranhas, que é o que está na moda.

Os palhaços querem condenar o país a uns seis meses de paragem e de descrédito. Zurzem o PM por ter dito, claramente e sem discussão possível, quais as consequências da “histórica” decisão do Tribunal Constitucional, algumas de tais consquências já à vista de todos. Mas dizer a verdade não faz parte do jogo político português. Se não se disse a verdade, ou a verdade toda, aqui d’el Rei que não foi dita. Se se diz, não se devia ter dito. O que interessa aos palhaços é “fazer-se” ao poder, não é resolver os problemas ou deixar que se resolvam, ou ajudar a resolvê-los.

Muita gente clama pelo “consenso”, coisa fundamental, sobretudo no plano externo. O IRRITADO não gosta de consensos, que são sempre mutilações das ideias de quem “consensa”. É a favor dos compromissos. Nesta altura, em qualquer democracia digna desse nome, o compromisso devia ser o de respeitar o poder eleito enquanto para tal tiver mandato, em vez de criar vergonhosa e ruinosa instabilidade.

Mas vá lá dizer-se isso aos palhaços! Andar em frente não faz parte da estratégia deles.

 

22.4.13

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “E AGORA E NÓS”

  1. Coitadinho do Irritado. O XXI bem tenta esclarecê-lo, mas não há nada a fazer. Com efeito, diz “haver coisas a mais para o irritar”, sem contudo escrever sobre aplicações financeiras efectuadas pelos gestores dos transportes públicos, mormente do “escorregadio” denominado MAC.Parece que “os seus interessinhos” valem mais.Com efeito, reparem neste ERRO clamoroso: “…o compromisso devia ser o de respeitar o poder eleito enquanto para tal tiver mandato, em vez de criar vergonhosa e ruinosa instabilidade…” .Para ver além dos “seus interessinhos” devia escrever:”…o compromisso devia ser o de respeitar as promessas eleitorais segundo as quais obteve o mandato, em vez de criar vergonhosa e ruinosa instabilidade..”. Não parece mais JUSTO? Ou vale tudo, sobretudo, MENTIR?Reitero, “os meus interessinhos” somente são uns: prevalência de um Estado de Direito Democrático, porquanto a Justiça está bem pior que antes de Abril de 1974.Na verdade, funcionasse a Justiça, e os malfeitores que nos têm enganado (aqui incluo a “assombração” do Irritado – Pinto de Sousa) estariam, há muito, a responderem pelos seus actos.

  2. Muito bem, faz muito bem em continuar a alertar para a perigosa situação em que todos vivemos, sem nada fazermos “verdadeiramente” para mudá-la!!! Quanto à economia é facil de entender que se Agricultura e Industria são os sectores primário e secundário, respectivamente, sendo os Serviços o terciário, algo na sua nomenclatura deve ter importância! Faltam também pessoas em idade activa que compensem o envelhecimento da população europeia!Temo bem que a Europa sofra um profundo revés muito em breve, algures para as decadas de 40 do século passado!…

  3. E AGORA?Como se diz em Baleizão, “mija na mão e deita fora”.Os “idiotas” sabem que a recessão provocada pela austeridade nos países periféricos começa a afectar a economia real produtiva. Na verdade, os seis por cento de contracção da Grécia mais os nossos quase quatro por centro começam a fazer mossa na Alemanha, e nem o bom desempenho deste país nas exportações para os países fora da UE consegue mitigar o efeito dominó da “idiotice”.E NÓS?Só descansarei quando o “idiota” Gaspar tiver de trabalhar para sobreviver. O mesmo digo do “inocente” Pedro Passos coelho. Trabalhem malandros e vivam com o ordenado mínimo. Quanto a si, caro Irritado, espero encontra-lo num asilo de antigamente, encharcado em “mijo”, para que entenda o quanto me tem “irritado” a sua “justiça”!No entanto, para que compreenda a minha “irritação”, tenha em atenção que quem tem lucrado com este ciclo cataclísmico tem sido a Alemanha e alguns países do Norte da Europa. Com efeito, os bancos alemães, no início da crise, estavam bastante expostos quer à dívida pública grega quer à portuguesa. Em dois anos, desfizeram-se dessa dívida. Os milhares de milhões extorquidos aos contribuintes gregos e portugueses têm servido para recapitalizar a banca alemã (e, em menor medida, a francesa), sobrando algumas migalhas para os bancos gregos e portugueses. Noventa por cento da dívida pública soberana detida pelos nossos bancos é, agora, nacional.”capiche”?

  4. Caro Irritado, peço para não me denunciar junto do PPC. Denunciar no sentido de permitir a minha identificação, porquanto agora passou a ser moda nomear secretários de Estado quem apresenta criticas ao dito “inocente”.

    1. Lamento, mas como não sei o seu nome, que não poderei ajudá-lo no seu legítimo desejo de chegar ao governo. Quem desdenha quer comprar, não é?

      1. “Quem desdenha quer comprar, não é?”É por isso que tanta “amizade” (leia-se desdém) tem demonstrado pelo Pinto de Sousa?

  5. Bill Cosby “I’m 83 and Tired” I’ve worked hard since I was 17. Except for when I was doing my National Service, I put in 50-hour weeks, and didn’t call in sick in nearly 40 years. I made a reasonable salary, but I didn’t inherit my job or my income, and I worked to get where I am. Given the economy, it looks as though retirement was a bad idea, and I’m tired. Very tired. I’m tired of being told that I have to “spread the wealth” to people who don’t have my work ethic. I’m tired of being told the government will take the money I earned, by force if necessary, and give it to people too lazy to earn it. I’m tired of being told that Islam is a “Religion of Peace,” when every day I can read dozens of stories of Muslim men killing their sisters, wives and daughters for their family “honor”; of Muslims rioting over some slight offense; Muslims murdering Christian and Jews because they aren’t “believers”; Muslims burning schools for girls; Muslims stoning teenage rape victims to death for “adultery”; Muslims mutilating the genitals of little girls; all in the name of Allah, because the Qur’an and Shari’a law tells them to. I’m tired of being told that out of “tolerance for other cultures” we must let Saudi Arabia and other Arab countries use our oil money to fund mosques and Madrasa Islamic schools to preach hate in Australia , New Zealand , UK, America and Canada , while no one from these countries are allowed to fund a church, synagogue or religious school in Saudi Arabia or any other Arab country to teach love and tolerance.. I’m tired of being told I must lower my living standard to fight global warming, which no one is allowed to debate. I’m tired of being told that drug addicts have a disease, and I must help support and treat them, and pay for the damage they do. Did a giant germ rush out of a dark alley, grab them, and stuff white powder up their noses or stick a needle in their arm while they tried to fight it off? I’m tired of hearing wealthy athletes, entertainers and politicians of all parties talking about innocent mistakes, stupid mistakes or youthful mistakes, when we all know they think their only mistake was getting caught. I’m tired of people with a sense of entitlement, rich or poor. I’m really tired of people who don’t take responsibility for their lives and actions. I’m tired of hearing them blame the government, or discrimination or big-whatever for their problems. I’m also tired and fed up with seeing young men and women in their teens and early 20’s be-deck themselves in tattoos and face studs, thereby making themselves unemployable and claiming money from the Government. Yes, I’m damn tired. But I’m also glad to be 83.. Because, mostly, I’m not going to have to see the world these people are making. I’m just sorry for my granddaughter and their children. Thank God I’m on the way out and not on the way in. There is no way this will be widely publicized, unless each of us sends it on! This is your chance to make a difference.“I’m 83 and I’m tired. If you don’t agree you are part of the problem!

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