IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SUBJECTIVIDADE E ABUSO, UM POST EVENTUALMENTE INCONSTITUCIONAL

 

Do Presidente da República ao da Comissão Europeia, passando pela generalidade dos políticos, comentadores, politólogos e “ólogos” das mais diversas origens e ideias, não há quem não clame que Portugal se encontra em estado de emergência económica e financeira, Estado não formalmente declarado, mas reconhecido e assumido como tal por toda a gente.

Ora o que é o estado de emergência? Aquele em que se justificam “medidas excepcionais… e restrições de… direitos e garantias” rezam os dicionários e prevê  a Constituição que, infelizmente, tem influência na nossa vida.

Dizia acima que todos concordam: estamos em estado de emergência. Todos? Não! A maioria das treze almas que integram o Tribunal Constitucional acha que estamos num período absolutamente normal da nossa vida colectiva, sendo de aplicar, de forma o mais restrita possível, o que dispõe, ou acham eles que dispõe a Constituição – esse “acto de loucura”, como muito bem a classificou Vasco Pulido Valente.

Ao estado de emergência o TC contrapõe o chamado princípio da igualdade, princípio que, como, mais uma vez diz VPC, motivou matanças em massa, pelo menos nos casos da Revolução Francesa e, em Novembro, no da “gloriosa Revolução de Outubro”!

A aplicação de tal princípio só pode, objectivamente, ter legítimo lugar quando há tratamento diferente de indiscutíveis situações iguais. Fora deste evidente critério, a sua aplicação tem sempre carácter subjectivo. Subjectivamente, os meritíssimos juízes levaram o conceito a insuspeitáveis extremos, sujeitando o país a sacrifícios muito maiores que aqueles que lhe cairiam em cima se as normas ora consideradas inconstitucionais ficassem em vigor.  Aliás, a espantosa pobreza da “argumentação” económica e financeira do acórdão confirma que a decisão foi exclusivamente política, e destinada a criar ou exponenciar uma crise política que os partidos da oposição dizem existir, isto sem sombra de respeito por todos nós e de costas para a realidade dos factos ou das consequências da “crise” com que miseravelmente rejubilam e que querem agravar –  a ver se o poder, a bem ou a mal como diria Mário Soares, lhes cai nas mãos.

Seria legítimo esperar que o TC considerasse, ou estimasse,  as consequências políticas, económicas e sociais daquilo que decidiu. Se o fez, porém, achou-as dispiciendas. Ao serviço de quê? De nada que tenha a ver com o interesse nacional, ou seja, com os nossos interesses.Estes não mereceram ao TC a mais leve sombra de consideração. O que lhe mereceu consideração foi a sua própria subjectividade, a luta política, a afirmação despudorada do seu poder, exercido sobre todos nós sem apelo possível.

O exercício do poder sem apelo, sem fiscalização e sem recurso, é o exercício de um poder absoluto, o que, no chamado Estado de Direito, não devia poder ter lugar. Existindo, ou é exercido com moderação, com avaliação das consequências e, sobretudo, com bom senso, ou se transforma em abuso de poder, coisa tipificada no Código Penal ( Artº 382º) e punida com pena de prisão até três anos, sem prejuízo de agravantes, aliás evidentes no caso vertente, já que o TC não causou “prejuízo a outra pessoa” mas a dez milhões de portugueses!   

Quem vai pagar a política do TC? Os mesmos que pagariam as normas orçamentais: nós. Só que por um preço MUITO mais alto.

Acresce que o TC não cumpriu a Constituição que é suposto querer aplicar (mal) aos outros: não respeitou a “celeridade”  (Constit. Artº 20, nos 4 e 5) nem a “responsabilidade” (Constit. Artº 22º). É sabido que os juízes são “irresponsáveis” no que respeita às suas decisões, o que não tem nada a ver com estas disposições constitucionais e penais, uma vez que os magistrados são, para este efeito, considerados “agentes públicos”, por isso responsáveis como os outros.

Muito bem considerou o PM esta responsabilidade. Esqueceu-se, ou não considerou que,  neste caso, ela não pode ser objecto de contraditório ou apelo.

 

O modus faciendi.

Viram o espectáculo? Passadas não sei quantas horas depois da prometida, abre-se a porta dos fundos. Solene e negro cortejo de ilustres desconhecidos avança e, imperialmente, toma assento no pedestal colectivo. Uma afirmação de poder, pois então! Aqui estamos todos para que vejam quem manda, olaré. E lá vem a hecatômbica sentença. Depois, denotando inexperiência, um senhor que nunca ninguém tinha visto antes mete-se numa molhada de jornalistas a fim de conquistar tempo de antena. Uma confusão, uma barafunda, a dar cabo do rigor da cerimónia. Inexperiência informada pela sede de protagonismo. Uma tristeza.

  

Finalmente, a Constituição.

Se os juizes decidiram em conformidade com ela – o que é mais que discutível – então é a Constituição que não serve para um país da União Europeia. Quem impede que seja revista está na idade da pedra ou na idade do socialsmo, o que é, tanto à esquerda como à direita, mais ou menos a mesma coisa

 

8.4.13

 

António Borges de Carvalho



11 respostas a “SUBJECTIVIDADE E ABUSO, UM POST EVENTUALMENTE INCONSTITUCIONAL”

  1. O principio da igualdade e o principio da proporcionalidade são traves mestras em QUALQUER ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO.So um “vesgo” (melhor dito: só quem vê com o olho do cú) é que tem capacidade e “legitimidade” para dizer que[…motivou matanças em massa, pelo menos nos casos da Revolução Francesa e, em Novembro, no da “gloriosa Revolução de Outubro”!]

      1. Olha o “roto” a falar ao “pobre”!!!”Esmere-se”, primeiro, e depois fale.

  2. E quando lhe perguntaram para que servia o Tribunal Constitucional,respondeu:”- Onde iríamos meter os nossos?”Não é preciso identificar o democrata que proferiu estas palavras…Hoje,passados 40 anos do facismo,muita gente come dos caixotes do lixo.Qualquer uma delas limparia de boa vontade o cu à Constituição ficcional que temos.Não foi inconstitucional endividar o país a este ponto.E os burlões que o fizeram não precisam de se esconder.

  3. Questões avulsas: 1. Os juízes do TC não são, em 80% dos casos, nomeados pelo Paralamento – isto é, pelos POLÍTICOS? 2. Não foram também os POLÍTICOS a definir o seu estatuto, poderes, e mordomias? 3. Quando o Irritado fala no «exercício do poder sem fiscalização», está também a pensar nos POLÍTICOS? É que também eles: – decidem e fazem como lhes dá na real gana; – não são, na prática, fiscalizados ninguém; – desprezam as consequências dos seus actos, e ficam impunes. 4. Finalmente, e não tanto para o Irritado: como é que funcionários que se reformam após 10 anos de serviço, com brutas reformas – como a actual presidente do Paralamento atesta – podem exigir “equidade” a alguém?

    1. Nem tudo está certo, mas é muito bem visto!

      1. Parece ser difícil, no entanto, para que possa reflectir, remeto-lhe, com a devida vénia:{Atrás de mim virá, quem de mim bom fará! Nada mais apropriado do que citar este antigo provérbio, a propósito da participação da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, no debate parlamentar do OE durante a manhã de hoje. Do que ouvi em direto e do que li posteriormente, concluo que a Senhora usou aquela dose de bom senso e responsabilidade que tem faltado ao seu sucessor e a quem o rodeia. Nunca “morri” de simpatia por MFL. Esse sentimento tem a ver com a forma, como ela, ao longo dos anos, tem intervindo na política portuguesa, incluindo o mandato à frente do PSD. Por isso mesmo, com a sua saída, acreditei que os interesses partidários iriam passar para segundo plano e, com a nova liderança, seria possível percorrer um caminho sereno e seguro com destino a uma governação competente e estável. Enganei-me redondamente! Numa primeira fase, ainda vi um PPC com bom senso e responsabilidade e um Sócrates menos arrogante e dialogante, naquele encontro em São Bento, mas, “foi sol de pouca dura”. PPC abriu as hostilidades e nunca mais parou. Sócrates, como também é seu lema, respondeu e contra-atacou em sucessivas ocasiões e, os portugueses, principalmente desde o Verão, sofrem cada vez que ouvem ou lêem notícias, ou, ainda pior, quando conseguem assistir a um debate parlamentar. Na verdade enganei-me várias vezes! Com Manuela Ferreira Leite, não tinha havido tabu em relação à passagem do OE de 2011. Tinha dito mais ou menos assim: “É mau, não é o meu orçamento, mas, em nome do interesse nacional, o PSD não o vai inviabilizar”. Os “mercados” tinham reagido de outra maneira e a situação hoje seria mais favorável, ou seja, Pedro Passos Coelho não foi solução nenhuma e, em vez disso, está a ser o problema!}

      2. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Presumo que se refira à 4ª questão. Por favor diga-me uma coisa, caso saiba: isto de “trabalhar” 10 anos e toma lá a (choruda) reforma, existirá em mais algum país? Ou será apenas mais uma peculiaridade do nosso “Estado de Direito”, como o Governador do Banco de Portugal – também escolhido politicamente – ser o 3º mais bem pago do mundo?

        1. É evidente que não concordo. Os juízes deviam o mesmo estatuto que eu e você, mesma idade de reforma, mesmos anos de serviço, etc. Mas deve ser inconstitucional…

  4. “Sócrates, como também é seu lema, respondeu e contra-atacou “O lema dele sabemos nós qual é.A dívida e a pobreza do país nada tem a ver com Passos Coelho e tem tudo a ver com Sócrates e muitos outros figurões e vigaristas da nossa política.Passos não seria nunca uma escolha minha para PM ou sequer para ministro.Mas,colocar Sócrates no mesmo plano é hilariante.Sócrates só tem um lugar e não é num pedestal,é em Vale de Judeus.

  5. O Sócrates chegou, viu e vai vencer. Tudo vai ser branqueado. E sabem porquê?Porque a opinião pública é completamente alarve. Este Passos é igualmente quadrlheiro. E rouba os mesmos de sempre.O sr. Irritado vê longe. Enxerga tiranias do lado de lá do Atlântico. Tal como o Sócrates e o Passos o Chavez também foi eleito. Obedeceu às lei? Não estive lá para ver mas dizem que não. Por cá parece que ao acto de roubar se chama cortar. No que a mim toca os meus rendimentos a apresentar no IRS foram cortados (e, em meu entender, surripiados numa parte).Eu ouvi uma reunião de deputados para suspender a lei das rendas. Falavam (sobretudo os Robins) como se fossem os donos das casas dos outros

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