IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SHOWBIZZ

Em gloriosa jornada beirã, perante umas dúzias de zelotes arredondados em forma taurina para parecer muitos, o grande homem, longe das tábuas, entre histriónicos saracoteios e ferozes ademanes, ribombou as suas verdades.

 

Eis algumas:

– O desemprego está a descer;

– A economia está a recuperar;

– A educação está em grande progresso;

– A ciência está mais melhor porque gasta mais dinheiro;

– O Passos Coelho é um leviano.  

 

N.B. As verdades proclamadas devem ter sido mais. O IRRITADO, porém, em manifesta falta de respeito pelo grande homem, não perdeu mais tempo com ele e pôs-se a ler um thriller americano muito mais interessante que as ditas verdades.

 

Nenhuma novidade.

O país inteiro sabe que o desemprego está a subir, que a economia está cada vez pior, que a educação anda pelas ruas da amargura, que a ciência está como está, ou seja, mais cara, e que o Passos Coelho pode ter muitos defeitos (o principal é o Bota), mas leviano não é, a não ser que deixe passar o orçamento e não vá a Belém exigir o fim do grande homem em nome do que resta de dignidade nacional.

O país inteiro sabe que, se quiser, é fácil saber a verdade. Basta pegar no que o grande homem diz, virar de pernas para o ar, e aí está. O grande homem, há cinco anos a esta parte, nunca fez outra coisa que não fosse recusar a verdade.

O Presidente da República é o único português que ainda não percebeu. Ou, se percebeu, assobia para o ar.

 

Assim vão as coisas.

Um aldraba.

Outro finge que não percebe.

Outros dedicam-se à nobre tarefa de proteger o aldrabão com poderosas armas e malabarismos alegadamente legais.

 

Se não formos nós, os levianos, a exigir um regresso à seriedade possível, ninguém o fará por nós.

 

22.8.10

 

António Borges de Carvalho



9 respostas a “SHOWBIZZ”

  1. O horror!Que o Criador,ou o Sr. dos Passos nos salve,já que Cavaco não o quer fazer.

    1. Caro tecelão, “SHOWBIZZ”!!!Entendeu? Capicci? Understand? Ou é superior à inteligência que lhe coube em herança?

      1. Olha quem fala de inteligência.Sapateiro a tocar rabecão.

  2. Ao ler o post do Irritado, como sempre direitinho ao alvo e por isso tão em desacordo com a “verdade official”, lembrei-me do que li há poucos dias, do historiador Alan Bullock: “No one understood better than Stalin that the true object of propaganda is neither to convince nor even to persuade, but to produce a uniform pattern of public utterance (expressão) in which the first trace of unorthodox thought immediately reveals itself as a jarring (chocante, assinalada) dissonance.”Agora só muito raramente abro um jornal ou vejo um telejornal. Já não consigo suportar as notícias que mais não são que publicidade paga do governo, nem a desvergonha dos jornalistas que escrevem o contrário daquilo a que todos assistimos, ou a cara de parvo dos locutores a papaguearem sempre as mesmas embustices, dia após dia. E já que não posso mudar o mundo, posso mudar-me a mim e não me deixar infectar por esta comunicação “social”.Do pouco que vejo, tenho a sensação de ser passageiro num gigantesco Titanic, há muito adornado e prestes a entrar a pique em velocidade acelerada, para o fundo de umas escuras águas geladas, enquanto a orquestra vai tocando (mal) no convés, em vez de fazer qualquer coisa útil para o nosso salvamento. Para onde quer que me volte, em qualquer área, a nossa vida política tornou-se um aflitivo exercício de loucura. É óbvio que os loucos (e os cegos apatetados, de que temos por aqui expressiva amostra em alguns comentadores) não querem saber disso – até porque não sabem nada de nada, ainda que alguns ostentem títulos académicos obtidos pelo mesmo processo que ascenderam ao poder, ou seja, desonestamente. Outros são simplórios que acreditam numa patranha que lhes impingiram e que satisfaz o seu tosco ego, de que o povo é quem mais ordena. De uma situação económica consolidada em 74, passámos à miséria de andar de mão estendida, indigentemente. Mas agora estão a acabar-se as esmolas e os tais muitos milhões que entravam por dia, quando aderimos à União Europeia, saem agora a maior velocidade. Uma grande parte desse dinheiro veio directamente de Bruxelas para os bolsos de uns quantos, uns Varas e Coelhos, os bezerros de ouro da maioria do eleitorado, até porque são eles que controlam a informação e portanto o pensamento dos simplórios que acreditam no que lêem e não no que vêem.A outra parte do dinheiro também seguiu para esses bolsos, de forma indirecta: um grande quinhão foi aplicado nas tais vias de comunicação. Já estão enterrados bem fundo os processos da JAE e foi o angelical Cravinho que segurou nas mãos a pá que ajudou a tapar o buraco. Ainda as estradas não estavam prontas, já nelas havia derrapagens (financeiras) com fartura.Mas enfim, agora podemos ir do Minho ao Algarve num instante. Só que a gasolina para o trajecto é das mais caras da Europa – e as estradas também vão passar a sê-lo. Felizmente não faltam estádios de futebol (enquanto não os começarem a deitar abaixo) e portanto haverá sítio onde o pessoal tem pasto.A boa arte é sempre actual: a peça de Shakespeare descreve o panegírico que Marco António dedica a Júlio César, nas escadas do Capitólio, com o corpo inerte do imperador aos seus pés. Ele vai enumerando as qualidades de Brutus, e solta de vez em quando o seu irónico leitmotif: “but Brutus is an honorable man…”Mutatis mutandis, ao nosso primeiro, o que lhe falta em honradez sobeja em bruteza.

    1. Caro Manuel, Creio que nenhuma forma de propaganda – incluindo a de Estaline ou a de Goebbels – rivaliza em quantidade e qualidade, com a que temos hoje: a propaganda “mainstream” ocidental, em grande parte fabricada nos EUA e no seu aliado / satélite / lobby israelita, constantemente amplificada pelos seus representantes / satélites / capachos europeus, sobretudo os fiéis ingleses. Sei que o Irritado gosta imenso de Sua Majestade, mas quando regresso do seu glorioso reino, como hoje, interrogo-me sobre a comparação do nosso Empatador Geral da República: ao comparar-se à Rainha de Inglaterra, falará da sua pretensa falta de poderes, ou da HIPOCRISIA dum país com uma monarca faz-de-conta, que apenas serve para estourar dinheiro dos contribuintes, alegrar a populaça, dar-lhe falsa confiança nas “instituições”, e ser subserviente a poderes corruptos? Neste momento, toda a Europa parece um Titanic à deriva, à espera do iceberg fatal, e o apêndice português não passa de uns poucos infelizes no nível inferior, o primeiro a afogar-se. Tal como no barco, alguns (cada vez mais) tentam safar-se dele enquanto podem, porque os pisos superiores (os países melhores) terão certamente salva-vidas. Na orquestra que continua a tocar, também temos um elemento: o BOMBO, porque somos realmente o bombo da festa. Os piores entre os piores. O Pinto de Sousa toca o instrumento, o Cavaco vai atrás e bate palmas – à música, e a si próprio. Se ao menos o Papa cá voltasse, para nos encher outra vez de fé e esperança, ISSO é que nos faz falta…

      1. Estimado Filipe,Só lhe respondo hoje, voltado de uma apneia de civilização de 15 silenciosos e luminosos dias na minha casota alentejana, sem vivalma a 7 ou 8 km em redor, a não ser os caseiros. Trago portanto o estro e entendimento um tanto rombo e embotado pela falta de uso (com toda a razão os orientais dizem que a única coisa que se afia com o uso é a língua) e perdoará que não esteja à altura dos seus comentários, de cuja falta já me tinha lastimado mudamente.Pude inferir que a estadia em Inglaterra não logrou conciliá-lo com o regime monárquico, but then again, tenho que entender que o convívio com os nossos mais antigos aliados não seja tarefa fácil porque cada inglês é uma ilha.Pois o nosso juiz embargador-geral andou mal em comparar-se à Rainha e se quisesse ser deveras merecedor dessa imodesta auto-equiparação, teria começado por imitá-la no que aquela família pratica desde que Disraeli aconselhou a trisavó Victoria a “never complain, never explain”. Tivesse ele agido assim e pouparia muito papel, tinta e cuspo aos comentadores e maçada aos eleitores.Como infiro que o Filipe seja republicano, vou já dando-lhe os parabéns pelo dia 5 que se aproxima. Claro que já assentimos os dois em que o mal reside na genética nacional e não tanto no regime porque ela se manifeste. No entanto, se é incontroverso que a monarquia agonizava em 1910, não o é menos que a república que se lhe seguiu foi vil, violenta e frustrada a todos os níveis. Assisti à entrevista do chefe das festividades Artur Santos Silva, aflitivamente enleado em explicar o que temos para comemorar, porque sempre que focava um aspecto concreto (liberdades, ensino, justiça, finanças, etc.) entrava por um beco sem saída e acabou por se limitar a soltar inócuas generalidades do estilo de “podemos fazer o balanço para construir um futuro melhor” (pois, o futuro é um lugar cómodo para arrumar esses irrealizáveis propósitos) e finalmente saiu pela esquerda baixa. O locutor já “aliviava a sorte” e ajudava às respostas, com dó do homem.Falou-se em muito dinheiro (10 milhões de euros) para as comemorações, não se sabe para onde foi, por isso suspeito que o centenário vai sair pífio. O prato forte do programa oficial consistirá na inauguração de 100 escolas. Mas não falam nas 147 que fecharam só este ano. Passou um século, a mesma despudorada infâmia.O foguetório? 200 bandas tocarão simultaneamente o hino nacional, quem quiser poderá enviar reportagens para um site, a descrever as iniciativas da sua junta de freguesia, e coisas assim chochas, etc.Um facto concreto? A nossa dívida pública é considerada a 7ª mais arriscada do mundo.Quanto à pouca consideração que nutre pela Rainha (claro que o Alegre é bem mais digno e certamente aquele que ficará para a História), demos tempo ao tempo. Sabe quem é que o Filipe me faz lembrar? O Eça. Nas conferências do casino, em 1871, atacava violentamente D. Luiz, poucos anos antes de morrer, fez um belo texto de elogio à Rainha D. Amélia. E se ele tivesse vivido a república, que páginas não teria escrito, a farpear os carbonários, de colarinhos tão sujos como as suas almas.

        1. Caro Manuel, tive sorte em vir reler este post, de contrário escapar-me-ia a sua resposta. Tenho certa dificuldade em classificar-me como “republicano”: é como dizer que sou “a favor da Terra redonda”, por oposição à plana. Ou seja: não vejo isso como uma escolha consciente, sempre vivi numa Terra redonda, sempre soube que era redonda, e nunca precisei de explicar porquê a ninguém. Será uma fraca comparação, mas é a melhor que me ocorre. Da mesma forma, quando dá os parabéns pelo 5 Outubro, a uma pessoa de 35 anos como eu, é quase como dar-me os parabéns pela independência de Castela, em 1143. Quando implantaram a República, o meu avô nem era nascido. Nem sequer entendo, por que é que ainda se comemora o 5 de Outubro. Ou melhor, até entendo: a malta gosta é de festarolas, e sempre é uma boa oportunidade para desviar uns milhares (milhões?) para certos bolsos. Interrogo-me, o que fará o nosso dinâmico D. Duarte Pio, durante o 5 Outubro? Imagino-o na sua mansão, de perna traçada, a beber chá com ar soturno. Não deve ser fácil, ser monarca de um país que celebra anualmente o facto de não ter monarca. Enfim, já tinha saudades de o ler, e espero que volte a escrever aqui com mais frequência. As suas ausências são más para o blog, e pelo visto também para si, pois até já me compara ao Eça(!). Divergências monárquicas / republicanas à parte, parece-me mal insultar assim gratuitamente o homem. Quem nos dera outro Eça, outro Pessoa, ou até outro O’Neill, neste tempo de anões em bicos de pés…

          1. Caro Filipe,Tem toda a razão, as férias e a ausência do blog não me fizeram muito bem. Esqueço-me daquilo que escrevo e por isso repito-me. Se a comparação não me colocasse tão acima dos meus méritos, diria que estou como o Salazar uns dias depois de ter batido com a cabeça no chão, que em dois consecutivos conselhos de ministros fez uma mesma resenha do caso Béjart, explanando ipsis verbis os argumentos e até as perguntas ret+oricas, duas exposições a papel químico em dois dias consecutivos, que deixou o governo estarrecido por constatar que tinha chegado o seu fim.Assim estou eu. Talvez sejam efeitos secundários da minha medicação :-)Tem toda a razão, estamos bem precisados de outro Eça, Pessoa, O’Neill – mas sobretudo fazia-nos enorme jeito outro primeiro-ministro.Perdoe as minhas confusões, por favor.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *